Toda a população mundial está sofrendo com os altos e baixos da mudança de rotina causada pela pandemia. A falta de previsão de retorno a uma vida estável tem mexido de maneira negativa com a saúde mental de muitas pessoas, e o pior: o mesmo pode estar acontecendo com os cachorros. Na quarentena, os pets que não estavam tão acostumados a ver os donos o tempo, tiveram agora convivem muito mais com eles. Essa mudança de rotina pode afetar a saúde e o equilíbrio do pet.
De acordo com a médica veterinária Débora Brescianini, com a família passando mais tempo em casa, é comum que o cachorro receba muito mais atenção e carinho ao longo do dia. Em razão disso, os animais são acometidos por ansiedade extrema. A especialista é pós-graduanda em psiquiatria e, afirma, que os cães também passam por tratamento com remédios antidepressivos e terapias comportamentais.
“Existe uma ansiopatia que a gente classifica como ´Ansiedade da Separação´. O animal fica tão grudado com o seu dono que quando esse dono vai ao mercado o cachorro surta”, diz.
A pandemia têm resultado em danos a saúde mental dos animais. Para a especialista, é necessário que os cachorros também tenham um tempo sozinho para que não criem a relação de dependência dos donos. Uma sugestão é prender os cães em um local apropriado para escutar sons e ter estímulos no sistema nervoso central. “Leva o animalzinho para a garagem para ouvir barulhos externos, no carro para passear, deixa o animal receber estímulos”, aconselha Débora.
A veterinária também destaca que é importante reservar pelo menos dois períodos de um dia para fazer brincadeiras com o cachorro. “20 minutos de manhã e 20 minutos à tarde, aquele momento é do animal”, diz. Ademais, Débora indica o uso de petiscos e brinquedos educativos para distrair os animais no dia a dia. Nas redes sociais, há inúmeras opções de terapias comportamentais para os cães. “Pega sugestões e troca uma ideia com o seu veterinário, ele vai saber te orientar”, afirma.
Medicamentos contra depressão
No caso da ansiedade da separação dos cães com os donos, é comum que os animais sejam medicados com antidepressivos para baixar o excesso de adrenalina. Segundo a veterinária, se a relação de dependência do cachorro com o dono for muito exagerada, o animal passará a ter sintomas clássicos de ansiedade. “Arranham a porta, comem tudo que eles vem, tudo por ansiedade”, explica Débora.
Entretanto, a especialista ressalta que nem sempre os casos de ansiedade entre cães devem ser tratados com remédios. Segundo ela, tudo deve começar com terapias comportamentais, algo que também é trabalhado por adestradores de cães.
A premissa da dependência exagerada dos cães também vale para aqueles animais um pouco mais desobedientes. Débora ressalta que os cachorros estão recebendo informações erradas e, por isso, podem apresentar mudanças de comportamento. “Os animais precisam de rotina”, diz.
Alimentação
De acordo com a médica, outro erro comum entre os donos é o dar comida para os cães em intervalos curtos de tempo. Segundo ela, isso deve ser feito apenas de duas a três vezes por dia conta de uma modulação hormonal e absorção do alimento dos cães. Para Débora, a parte nutricional dos animais precisa ser organizada para que os riscos de doença aumentem.
“Estamos tratando muito a obesidade nessa pandemia”, destaca
A especialista ressalta que a pandemia também resultou em aumento de doenças digestivas e de internamentos entre cães. Por isso, é importante que os cachorros não sejam “mimados” da mesma forma como acontece com os seres humanos. “Existem clientes que dão pipoca, chocolate, tudo para os cães por causa da pandemia”, diz. Débora sugere que os donos aumentem o tempo de brincadeira com os cachorros para que eles também se movimentem durante o período de confinamento.
Segundo a veterinária, dar chocolates para o cachorro pode trazer risco de vida ao animal. Sendo que chocolates amargos e o branco podem ser os piores. “Alguns donos tem que entender que a espécie humana é uma, a canina é outra, não pode confundir a cabeça do animal”, diz.
Em contrapartida, a especialista afirma que é possível dar certos tipos de comida para os cachorros. Entre os alimentos sugeridos por ela estão o chuchu, que é feito a base de água. Ele pode ser feito de várias formas na cozinha. Talos de escarola e salsão também pode ser boas opções de cardápio para os cachorros. Outra sugestão da veterinária é fazer sorvetes de verduras como couve-flor. “Agora, terminantemente proibido dar gordura”, ressalta.
Além disso, a Indústria Pet costuma fazer petiscos de diversos sabores que podem ser dados para os cães com moderação. No entanto, doces ou comidas com temperos mais fortes, queijos, carnes, gorduras de carnes, nenhuma dessas comidas pode ser consumida por um cachorro.
Quando levar o cachorro no veterinário?
De acordo com Débora, os cães precisam ser levados ao veterinário logo que o primeiro sintoma de ansiedade aparecer. Por exemplo, se o animal está lambendo a pata de maneira excessiva e a região que está sendo cutucada passa a ficar inflamada, esse é um caso em que o cão precisa ser examinado pelo veterinário. Outro caso apontado pela especialista é quando o cachorro começa a fazer suas necessidades fora do lugar estabelecido pelo dono.
Se o cachorro está arranhando paredes ou se ferindo de alguma forma, ele deve ser examinado por um veterinário. Segundo Débora, os donos precisam procurar ajuda no caso de qualquer alteração de comportamento dos cães que possa fugir da normalidade. “Não dá pra esperar”, diz.
