Cães “salsichas” têm 25% mais chance de ter hérnia de disco

Segundo veterinário, as dores da doença do disco intervertebral (DDIV) podem resultar em perda de movimento dos cachorros

Rodrigo Silva com informações de assessoria

A morte de Bosco, cachorro influencer do Reino Unido, levantou um alerta sobre a gravidade da doença do disco intervertebral (DDIV) nos pets. A condição acontece quando há a degeneração do disco intervertebral, que pode ser causada por alterações bioquímicas e/ou biomecânicas. A coluna vertebral dos animais de companhia é uma estrutura anatômica que, além de dar sustentação ao corpo, serve como meio de proteção para a medula espinhal, estrutura nervosa que conecta o cérebro às demais estruturas do tronco.

Cães “salsichas” têm 25% mais chance de ter hérnia de disco
Foto: Pixabay

A DDIV ocorre com mais frequência em animais condrodistróficos, ou seja, cães com característica física de comprimento longo e baixa altura, como Beagle, Lhasa Apso e Dachshund. De acordo com o doutor em Ciências Veterinárias e professor do curso de Medicina Veterinária da Universidade Positivo (UP) Dr. Luciano Isaka, a doença pode ser caracterizada pelo momento em que o osso que caracteriza o crescimento do cachorro se fecha de forma precoce.

Uma edição da década passada da Revista Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice, dos Estados Unidos, revelou que os Dachshunds podem representar até 25% dos casos e têm 12,6 vezes mais chances de desenvolver a condição, comparados às outras raças.

Luciano explica que entre as vértebras há uma estrutura anatômica chamada de disco intervertebral. Dentro desse disco há uma desidratação que caracteriza o processo degenerativo.

“A partir dos três meses de idade essa desidratação do disco intervertebral começa a ocorrer. Quando o animal atinge um ano de idade, em média, 90% dos discos já tem sinais de processos degenerativo”, diz

O que causa e quais as consequências?

Para o veterinário, elas podem estar relacionadas ao ambiente onde o paciente vive ou a alterações morfológicas que o paciente possui. Entre as causas para a doença estão: piso liso e pouco aderente, subir e descer de escadas e o acesso a camas e sofás altos.

“Nas camas box, o paciente fica subindo e descendo várias vezes ao dia. Esses impactos tanto na subida quanto na descida podem sobrecarregar a coluna”, afirma

As consequências da doença, segundo o Dr. Luciano, são dores crônicas, paralisia ou perda de movimentos dos cachorros. “Esses são os pacientes que acabam indo para uma cadeirinha”, diz.

Como a DDIV começa?

Normalmente, os primeiros sintomas que os cachorros sentem é a dor. De acordo com o Dr. Luciano, é possível notar alteração comportamental do cachorro. “Normalmente ele corre, busca a bolinha, fica dando pulinhos, mas quando ele tem dor na coluna ele perde essa característica”.

Com essas dores, o pet pode ficar mais apático, dar gritos de dor com frequência, ter alterações de apetite, entre outras consequências.

Posso tratar a DDIV?

Luciano ressalta que existe tratamento para a doença. Segundo ele, o paciente possa tomar remédio por via oral ou até de forma injetável. Além disso, existe uma terapia cirúrgica quando a desidratação do osso evolui para uma hérnia. Existe também terapia complementar utilizada é para amenizar as dores do cão. “Acupuntura funciona muito bem”, diz.

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