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Foto: Tierra por Unsplash

Quando uma pessoa muda de estado ou país, certamente quer chegar com a casa pronta. Daí, precisa cuidar de tudo de longe, desde a escolha até a assinatura do contrato. Há pouco tempo, isso era mais difícil, mas graças à revolução digital, os corretores utilizam sites, redes sociais e aplicativos imobiliários para compartilhar documentos e fechar negócios à distância. Mas, ao mesmo tempo que isso traz facilidades, vem o alerta para evitar golpes do mercado imobiliário digital.

De fato, as negociações de imóveis via digital são uma tendência que não deve retroceder. Além dos portais imobiliários e sites especializados, as empresas vêm investindo também em aplicativos. Só para exemplificar, um estudo recente do Quinto Andar mostrou que, só no Sudeste, mais da metade das pessoas usa apps imobiliários para procurar imóveis. E é claro que, neste sentido, valorizam a experiência, sobretudo a funcionalidade.

Entretanto, além da transparência das informações, é muito importante pensar na segurança da transação. Isso envolve desde a veracidade até a segurança das informações. Afinal, a assinatura de um simples contrato contém dados sensíveis das duas partes. Por isso, vale muito a pena ficar a par de dicas para evitar golpes no mercado imobiliário digital.

Aumento no número de estelionatos

Quem nunca se sentiu “tentado” com aquela proposta irrecusável no valor do aluguel em um apartamento dos sonhos? A questão é que, por trás dessas ofertas aparentemente milagrosas, geralmente se esconde um golpe imobiliário. Trata-se de uma prática na qual as pessoas enganam as outras de diferentes formas.

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, em 2023, foram registrados mais de 1 milhão de casos de estelionato, sendo que 200 mil ocorreram nas plataformas digitais. No entanto, o alerta não vai apenas para quem compra ou aluga, mas também para o intermediário e dono do imóvel. Aqui, um dos maiores riscos envolve a documentação. Algo que se pode evitar, por exemplo, ao converter PDF em Word, protegendo a lisura e veracidade do contrato original da empresa.

A princípio, existem vários golpes imobiliários que podem afetar compradores, vendedores e locatários. Alguns exemplos comuns incluem:

⦁ a apresentação de documentação falsa
⦁ o golpe do porteiro
⦁ a venda de imóveis com dívidas ocultas
⦁ anúncios de aluguel falsos
⦁ leilões falsos

Outros golpes incluem a venda sem autorização do proprietário, a criação de imobiliárias fictícias, o investimento em terrenos inexistentes e a sublocação não autorizada. Golpistas também podem solicitar depósitos ou informações pessoais antes de desaparecerem. Esses são apenas alguns exemplos dos muitos golpes imobiliários que existem.

Sejam como for, estes crimes podem levar a perdas financeiras significativas e a disputas legais complicadas. Por isso, é essencial estar ciente e tomar medidas para se proteger ao comprar, vender ou alugar imóveis. A conscientização e a precaução são as melhores defesas contra esses golpes.

Dicas para evitar os golpes no mercado imobiliário digital

A princípio, com a expertise cada vez maior dos golpistas, pode ser um pouco mais difícil identificar um golpe no mercado imobiliário digital. Entretanto, algumas dicas ajudam, sim, a aproveitar a conveniência do mercado imobiliário digital sem riscos de prejuízos e transtornos lá na frente.

Autenticidade do anúncio

Antes de qualquer coisa, verifique a autenticidade do anúncio. Um dos golpes mais comuns é justamente comercializar algo que não pertence à pessoa anunciante ou sequer existe naquele endereço. Especialistas e autoridades em segurança chamam isso de “golpe do falso aluguel” que afeta tanto imóveis residenciais quanto de temporada.

Sendo assim, procure pelas informações mais consistentes sobre aquele imóvel. Por exemplo, o endereço, se o mesmo anúncio foi feito em plataformas diferentes (e até, com anunciantes diferentes) e até as imagens no Google Maps.

Existe dificuldade em ver o imóvel

Mesmo à distância, há formas de visitar o imóvel (afinal, as videochamadas estão aí para isso). Essa prática é importante até para que você veja se realmente vai gostar de tudo antes de fechar. Então, uma dica é pedir que a pessoa vá até o local e faça uma call de lá. Caso ela aceite de pronto, aproveite para ver a fachada, localização e tirar todas as suas dúvidas.

Mas, se existir uma dificuldade nisso, desconfie. Por mais concorrido que aquele apartamento ou casa esteja, é um direito seu pedir para conhecer antes de fechar negócio.

Negocie em plataformas confiáveis

Atualmente, existe uma série de plataformas, sites e aplicativos para venda e aluguel de imóveis. No meio desse “mar” de opções, foque apenas nas mais confiáveis. Esta, aliás, é uma das principais dicas para evitar cair em golpes no mercado imobiliário digital. Por isso, pesquise avaliações e reputação da plataforma antes de usá-la. Ademais, se há garantias para verificação de segurança e mesmo há quanto tempo aquele canal existe.

Cuidado com preços abaixo do mercado

Esse, aliás, é um dos tipos de golpe mais comuns, não apenas no Brasil, como no mundo inteiro. Além de pessoas inexperientes nesse tipo de negociação, caem também quem não é daquela cidade ou mesmo país e, infelizmente, até quem tenta fazer um bom negócio pagando mais barato que os outros. Portanto, quando uma oferta for boa demais para ser verdade, provavelmente é, exceto quando se trata de alguma negociação entre conhecidos.

Por isso, faça pesquisas de valores de imóveis similares na região em que pretende morar ou passar férias. A partir daí, já é possível ter ideia do quanto é cobrado e, ao se deparar com um anúncio “milagroso”, fuja!

Documentação completa do imóvel

A conveniência do mercado imobiliário digital não está apenas na escolha e negociação à distância, como também na assinatura e envio de documentos. Contudo, é imprescindível ter cuidado aqui também. Só para exemplificar, é preciso se atentar:

⦁ se a documentação do imóvel está completa
⦁ à atualização das certidões do imóvel (aproveite para ver se não há dívidas, como impostos, condomínio, financiamento ou mesmo heranças)
⦁ a veracidade de todas as informações constantes nos documentos, desde as pessoas envolvidas até o próprio imóvel
⦁ se há verificações de segurança na plataforma para mitigar os riscos de roubo de dados sensíveis

Demora no envio da documentação

Outro sinal de alerta para evitar golpes no mercado imobiliário digital é a dificuldade que a pessoa coloca em enviar os documentos do imóvel. Se a casa está para vender, precisa ter as certidões prontinhas e certinhas, não é? Da mesma forma, um locatário ou corretor experiente já deve ter os modelos de contrato prontos para envio. Então, se houver uma demora nesse processo, ou está lidando com amadores ou golpistas. Logo, abra o olho!

Pressão da pessoa negociadora

Por mais especialista em fraude que a pessoa seja, ela acaba dando sinais de que se trata de golpe. Alguns dos mais comuns são:

⦁ evita, ao máximo, se expor. Geralmente, não quer se encontrar pessoalmente com o cliente, não atende ao telefone ou não aceita fazer vídeo chamadas
⦁ exige garantias exorbitantes para entregar as chaves, sob a desculpa de ser um mero caução (e pior, sem nenhum contrato assinado)
⦁ pressiona para fechar o negócio logo, desenvolvendo o senso de urgência

Ao mesmo tempo, há golpistas que facilitam, de forma incomum, a negociação. Em Portugal, por exemplo, é comum que o “senhorio” peça uma ou duas rendas adiantadas como caução, principalmente de quem é de fora. Daí, as famosas “burlas” ocorrem tanto quando o preço é muito mais barato que o normal como numa negociação aparentemente facilitada.

Assinatura eletrônica para contratos

Voltando à questão da documentação, a tecnologia trouxe mais uma forma de proteger dados e garantir a veracidade das informações: a assinatura eletrônica. Trata-se de uma forma segura de autenticar um documento digital com rapidez. Primeiramente, certifique-se de que a plataforma suporta essa funcionalidade. Além disso, existem ferramentas que possibilitam que você, pessoa corretora ou locatária, envie seu contrato em PDF com assinatura digital.

Caí ou percebi um golpe. O que fazer?

Diante de um possível golpe, a primeira coisa a fazer é entrar em contato com a polícia. Para isso, leve todos os contatos e trocas de informações, bem como pagamentos. Inclusive, é imprescindível que tudo seja feito por escrito e por meios oficiais, como e-mail e até aplicativos de mensagens para se resguardar. Na delegacia, registrar um boletim de ocorrência para que as autoridades iniciem as buscas pelos golpistas.

Em seguida, procure um advogado ou advogada especializada em direito imobiliário. Se possível, que o profissional tenha conhecimento também em crimes virtuais. Assim, obtém as orientações necessárias, bem como medidas legais a tomar.

Em resumo, a revolução digital trouxe muitas conveniências para o mercado imobiliário, mas infelizmente, também abriu portas para golpes sofisticados. A conscientização e a precaução são as melhores defesas contra esses golpes. Neste sentido, é essencial verificar a autenticidade dos anúncios, negociar em plataformas confiáveis, estar atento a preços abaixo do mercado e garantir a documentação completa do imóvel.

Além disso, é importante não ceder à pressão para fechar negócios rapidamente e utilizar a assinatura eletrônica para contratos. Ao seguir essas dicas, você pode aproveitar as vantagens do mercado imobiliário digital e evitar prejuízos e transtornos. Lembre-se, a segurança deve ser sempre a sua prioridade ao comprar, vender ou alugar imóveis.

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Negocie com segurança: 7 dicas para evitar golpes no mercado imobiliário digital

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