Por Rodrigo Dornelles com informações de Felipe Dalke e Serginho Prestes

Ricardo Guerra desmente acusações de Macias. (Divulgação)Ricardo Guerra desmente acusações de Macias e explica sua saída do Coritiba. (Divulgação)

A situação do Coritiba ficou bastante turbulenta fora de campo após o vazamento de várias mensagens de um grupo de whatsapp entre dirigentes, funcionários, conselheiros e alguns torcedores do clube. Em entrevista exclusiva à Banda B, o ex-vice-presidente Ricardo Guerra, responde acusações feitas por André Macias, atual vice-presidente alviverde.

O ex-vice coxa-branca fala em relação a diversos pontos abordados por Macias em entrevista concedida à Banda B. Guerra desmente algumas palavras de Macias. “Não gosto de lavar roupa suja em público, não costumo agredir os outros e nem nutro por ele raiva, ódio. Tendo em vista as acusações levianas que ele realizou contra mim, preciso responder e agradeço a Banda B por esse espaço tão importante, para que possamos levar ao torcedor coritibano, a verdade. Essa verdade não é dita apenas por mim, quem corrobora isso é o presidente (Rogério) Bacellar e também o Ernesto Pedroso (ex-vice de futebol), que participou de todas estas movimentações”, disse Ricardo Guerra.

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Para o ex-vice-presidente coxa-branca, o grupo de onde foram retiradas as conversas era aparelhado político. “Ele tentou desvirtuar a conversa levando esse grupo de whats como se fosse normal, não é normal. Esse grupo mostrou que é aparelhado político. Neste grupo, os prints que já foram comprovados que são verdadeiros, deixam claros que o Macias ensina os diretores do clube como me agredir. Existem ameaças dentro destes prints, inclusive de agressão física. Hoje de manhã alguns conselheiros me procuraram falando em relação a um dos prints aonde o o ex-diretor de patrimônio diz que era inimigo da auditoria. Então veja, essa fala aonde ele se posiciona como inimigo da auditoria é mais uma prova do cerceamento das atitudes que estávamos tomando em prol da profissionalização e da abertura de informações dentro do Coritiba. E o pior, o vice-presidente André Macias, para incentivar esse cidadão, diz que viria dinheiro direto da CBF para pagar a remuneração dele. Isto é caso de Ministério Público segundo a visão de alguns conselheiros”, comentou Ricardo Guerra.

Ex-vice de futebol do clube e também envolvido nas conversas que vazaram, Ernesto Pedroso, também falou sobre as conversas vazadas. “O conselho tem que ser extremamente correto em suas atitudes, não sou eu que vou ditar regra. A ética com seus colegas, companheiros de diretoria, é fato disciplinar grave, ofendendo minha condição de saúde, isto é um absurdo. Intitular o Guerra, um empresário bem visto perante ao mundo econômico, intitular de laranjinha, de playboy, o que é isso? Aonde nós estamos? Agora vem contar história, falar que tomar vinho comigo era agradável. Agora o vinho que eu tomei eu paguei a conta”, destacou Pedroso.

Ricardo Guerra nega que seja acusado de alguma sindicância dentro do clube. “Eu fico profundamente decepcionado em relação a leviandade e falta de caráter e honestidade deste senhor no momento de levar adiante informações tao importantes. Ele fala sozinho, ele deu entrevista dizendo que eu era acusado em uma sindicância dentro do Coritiba. Isto não foi desmentido por mim, foi desmentido pelo presidente Rogério Bacellar, que saiu em busca de justiça e colocou a verdade à opinião pública, onde mostrou claramente que não sou alvo de nenhum tipo de sindicância no Coritiba. Muito pelo contrário, quem é alvo hoje é ele, em relação aos depoimentos que ocorreram em relação aos 200 mil reais”, afirmou o ex-vice do Coritiba.

Contratação de Maurício Cardoso

Segundo André Macias, Guerra contratou um “padrinho” para trabalhar no Coxa, no caso, Maurício Cardoso, supervisor de futebol do clube. Ricardo Guerra afirma que a contratação foi realizada em conjunto entre ele, o presidente Bacellar e o ex-vice de futebol, Ernesto Pedroso. “André Macias disse que eu possuía um padrinho empregado no clube. Essa pessoa é o Maurício Cardoso, um homem que tem um histórico vitorioso no Coritiba, que participou da montagem do time de 1988, daquele timaço de 1989, daquele time vitorioso de 1998. Que esteve junto, ajudando o Coritiba a subir da segunda divisão em 2007. Então ele, antes de falar do Maurício Cardoso, ele tem que primeiro construir uma história no Coritiba no mínimo igual a dele. Quando ele falou do salário do Maurício, o salário foi definido pelo presidente Bacellar, com aval do Pedroso, junto comigo. E o salário era bem inferior ao da pessoa que ocupava a função no mandato anterior”, declarou Guerra.

João Paulo Medina

A contratação de João Paulo Medina como CEO alviverde também foi um dos pontos abordados. “Ele (André Macias) também falou do João Paulo Medina, que é um homem que tem uma história vitoriosa no futebol nacional e internacional, que é referencia. O salário foi definido pelo presidente, junto comigo e com o Pedroso. Não houve em momento algum uma atitude solitária e certamente o Bacellar e o Pedroso vão desmentir novamente as mentiras contadas pelo André Macias. A luva, o João Paulo Medina abriu mão, foi uma decisão pessoal, e inclusive o dinheiro dessa luva foi utilizado para financiar a participação de pessoas muito importantes no cenário do futebol, para que pudéssemos estruturar a gestão do nosso projeto. Então veja, mais uma grande mentira, contada pelo André Macias”, disse Ricardo Guerra.

Diretoria eleita do Coritiba. (Divulgação/Coritiba)Diretoria eleita do Coritiba. (Divulgação/Coritiba)

Apoio à candidatura de Ricardo Gomyde à presidência da FPF

Talvez o mais polêmico dos assuntos que veio à tona, a ajuda financeira do Coritiba à candidatura de Gomyde à presidência da FPF também foi comentada por Guerra. “No primeiro momento, ele apresentou em uma reunião do conselho, uma proposição para que houvesse apoio ao Gomyde. Eu me abstive, e num segundo momento, depois disso, esse apoio não virou só moral, virou financeiro, ele chegou pedindo dinheiro e pressionando muito. Lembro de uma conversa dele com o presidente Bacellar, que ele desafiou o presidente. Quando ele veio pedindo dinheiro, fui terminantemente contra, bati firme, e na época que o dinheiro saiu, em todas reuniões do G5, eu cobrei o retorno do dinheiro. O presidente Bacellar é testemunha, certamente o Pedroso também, da maneira que cobrei veementemente este dinheiro. O Coritiba é uma instituição com uma divida de mais 200 milhões de reais. O Coritiba não é brincadeira, o Coritiba não é uma organização para ser gerida por amadores. O Coritiba necessita muito cuidado com a gestão de sua divida”, afirmou Ricardo Guerra.

Reunião com jornalista para revelar informações confidenciais

Guerra também falou sobre a acusação de Macias de revelar informações confidenciais para um repórter. “Essa reunião com o repórter existiu sim, e ocorreu com a minha presença, a presença do presidente Rogério Bacellar, que pode confirmar isso, e a presença do Ernesto Pedroso. Estranho né, isso ele não falou, não falou que estavam os dois. Se o André Macias não participou, se o presidente Bacellar não quis convidá-lo, isso não é problema meu. Isto ocorreu na sala de reuniões da presidência do Coritiba, com a presença de nós três mais o jornalista, que foi convidado por nós. Essa reunião resultou em uma matéria mostrando o nosso trabalho nos primeiros meses de gestão. Foi algo perfeitamente normal, sem nenhum problema. Então é uma pessoa que quando se sente acoada, parte para o ataque, e eu virei o alvo dele. Infelizmente o Coritiba gora precisa ser passado a limpo, tenho sofrido ameaças desde maio, minha família tem sofrido ameaças e estou à disposição do Coritiba para buscar a verdade”, revelou Ricardo Guerra.

Renúncia

O ex-vice-presidente ainda comentou sobre a sua renúncia. “Quando eu saí em maio, optei por sair em silêncio para preservar a instituição. O grupo e as conversas provam, me chamaram de covarde, houve incentivo para que existisse nas redes sociais muitas agressões em relação à minha honra. Só eu sei o que eu sofri, porque eu venho do interior e fui criado em uma família que não leva desaforo para casa. Mas para preservar o Coritiba, eu evitei levar qualquer problema a campo, porque entendia que a instituição é muito maior que qualquer um de nós. É necessário que haja respeito com o Coritiba, que tem mais de 100 anos de história”, afirmou Guerra.

Justiça

Após ter o nome envolvido em diversas situações, Guerra diz que buscará justiça para limpar sua imagem. “Eu não sou juiz, não sou promotor, não estou aqui para julgá-los, não irei julgá-los. A assessoria jurídica que me acompanha, já está tomando as ações necessárias e vou na Justiça buscar o ressarcimento da minha imagem, que é construída com muito trabalho, com muita dignidade. Para que eu possa ter na Justiça, que eu acredito que é lá que as coisas são resolvidas, não na porrada como escrevem no whats. Vou buscar o ressarcimento da minha honra na Justiça e acredito que quem deve julgar essas pessoas é o conselho deliberativo ou até o Ministério Público. Então a partir de agora não sou conselheiro do Coritiba, não estou lá no conselho fiscal, não vou participar do conselho de ética. Espero que agora os nossos conselheiros trabalhem em busca da verdade e para que a honra das pessoas ofendidas, especialmente da instituição, não seja mais maculada”, disse Ricardo Guerra.