O Paraná Clube pediu à 1ª Vara de Falências e Recuperação Judicial de Curitiba, em regime de urgência, a homologação da venda da sua SAF. A proposta de um grupo de investidores foi aprovada em tempo recorde pelos conselhos paranistas, e foi levada à Justiça na manhã desta terça-feira. Segundo o pedido entregue à juíza, a necessidade de aprovação célere é porque a “associação civil não mais dispõe de capacidade econômico-financeira para assegurar a continuidade da existência” do Tricolor. E o ponto mais impactante do texto é que a SAF quer comprar outro clube.

A situação do Paraná Clube é pré-falimentar. O documento (veja a íntegra abaixo) enviado pelo advogado Sérgio Tedeschi à Justiça aponta que o Tricolor teve uma receita de R$ 3.639.000,00 até setembro, e que as dívidas da recuperação judicial (em torno de R$ 60 milhões), do Banco Central e as que não entraram na RJ deixam o clube “sem a menor perspectiva de retomar suas atividades desportivas de forma economicamente saudável“.

Daí surgiu a proposta, feita por um grupo de investidores, de um investimento de R$ 430 milhões pelos próximos dez anos. Representados pela Carpa, uma empresa de gestão de recursos, eles querem 90% da SAF do Paraná Clube. Mas apontam que o negócio só poderia sair com uma premissa – a incorporação de um clube que esteja na primeira divisão do Paranaense, na Copa do Brasil e na Série D do Campeonato Brasileiro em 2024, para que o Tricolor tenha calendário.

Que time o Paraná Clube quer comprar?

Com estas características, há apenas três clubes no futebol paranaense: Maringá, Cascavel e Cianorte. É razoável descartar o Cascavel, pois ele já é gerido como uma SAF pela atual diretoria, e tem um projeto de médio prazo. Sobram Dogão e Leão do Vale. Como a proposta de compra chegou à diretoria do Paraná Clube no dia 24 de novembro, àquele momento só o Maringá poderia ser a opção. Isto porque o Cianorte, clube mais citado como alvo tricolor, só se garantiu na Copa do Brasil no domingo (3), com a classificação direta do Athletico para a terceira fase.

O Cianorte confirmou que foi procurado por membros ligados ao Tricolor para uma possível fusão meses atrás. No entanto, não houve evolução nas tratativas por falta de interesse do clube do interior, segundo comunicado oficial do Leão do Vale. O Maringá negou ter sido procurado.

“A respeito das informações que estão sendo veiculadas sobre uma possível fusão com o Paraná Clube, o Cianorte Futebol SAF comunica que, de fato, o clube foi procurado para discutir uma possível fusão. A conversa ocorreu há alguns meses e, da nossa parte, não houve evolução“, diz parte da nota.

No texto enviado para a juíza Mariana Fowler, o acerto definitivo precisa ser rápido para evitar o fim do Tricolor. “Se a SAF Paraná não conseguir viabilizar, de forma imediata, a incorporação deste clube detentor de vagas nas competições do Calendário do Futebol Brasileiro antes referidas, o que é condição sine qua non (fundamental) para se vender a SAF Paraná, as dívidas serão quitadas, mas iremos assistir a um triste fim do Paraná Clube como clube de futebol“.

SAF e dívidas

Além de comprar um outro time, o Tricolor pede à Justiça que a SAF não seja obrigada a assumir as dívidas paranistas. “Não existe viabilidade econômica para que os investidores assumam qualquer compromisso de quitação de parte do passivo do Paraná Clube”, diz o texto. A diretoria paranista reforça o interesse em se desfazer da sede da Kennedy, e sugere também a venda do potencial construtivo do estádio Erton Coelho de Queiroz, no Boqueirão. Segundo consultoria citada no documento, a manobra poderia render R$ 123 milhões.

A petição, protocolada às 10h27 desta terça-feira (5) na 1ª Vara de Falências de Curitiba, encerra reforçando o risco de o Tricolor acabar. A união entre SAF, venda de ativos e compra de outro clube (Cianorte ou Maringá) é a única chance paranista. Ou, usando os termos do documento, “para conseguir assegurar a sobrevivência e um futuro promissor para as atividades de futebol da SAF Paraná Clube”.

Veja a petição do Tricolor

Paraná Clube.
O Paraná definiu este momento como “fundamental para a sobrevivência do clube”. Foto: Divulgação/PR

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Paraná Clube vai à Justiça para comprar time do interior

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