Enquanto o Paraná Clube praticamente já tem assegurada a classificação para a semifinal da segunda divisão do Campeonato Paranaense, nos bastidores continua a expectativa. O clube tem ainda um mês e meio para o início dos pagamentos da recuperação judicial. Mas quer não só garantir a quitação dos primeiros débitos, e sim encaminhar a transformação para SAF, no momento a única opção viável para a reconstrução tricolor.

E um ponto crucial é a venda (ou leilão) da sede da Kennedy. Neste momento, a situação é a seguinte: a juíza Mariana Gusso, titular da 1ª Vara de Falências de Curitiba, está recebendo todos os pareceres pedidos em seu último despacho, feito em 20 de maio. Entre eles, da União, do Ministério Público do Paraná e do administrador judicial do Paraná Clube, a Companhia Brasileira de Administração Judicial (CBAJ). Além disso, a magistrada não acolheu embargos de declaração da própria União, de alguns credores e do Fluminense.

Após a CBAJ se manifestar na semana passada, pedindo a resolução mais rápida possível para a situação que pode ajudar muito o Paraná Clube a quitar suas dívidas, foi a vez do Ministério Público enviar suas considerações à juíza Mariana Gusso. A manifestação do MP foi protocolada no sistema do Judiciário paranaense na manhã desta segunda-feira (11), e trata em especial de dois pontos sobre a venda ou leilão da sede da Kennedy. Na cobertura da recuperação judicial do Tricolor, a Banda B trabalha em parceria com o jornalista Guilherme Moreira.

O valor da área

No documento, o Ministério Público pede uma nova avaliação da área da Kennedy. O leiloeiro judicial Hélcio Kronberg estipulou um valor de aproximadamente R$ 68 milhões, enquanto o Paraná Clube enviou uma perícia da sede com valor de R$ 88 milhões. A CBAJ, como administradora judicial, concordou com o valor do leiloeiro, mas o MP fez o pedido para que um avaliador independente seja chamado para um valor definitivo.

Em sua explicação à Justiça, o leiloeiro defende que o valor atende inclusive o custo das benfeitorias na área da Kennedy, além de lembrar que quem assumir o local terá que encerrar o contrato com o Espaço Torres, que alugou a sede social até 2033. A quebra do vínculo vai acarretar numa multa de aproximadamente R$ 13 milhões a quem arrematar a área pertencente ao Paraná Clube. Mas aí entra outra questão.

Doação da Prefeitura ao Paraná Clube?

Talvez o ponto nevrálgico da situação de sede da Kennedy é a possibilidade de a Prefeitura suspender o leilão. Tal situação já aconteceu com a Vila Olímpica, e tanto o Paraná Clube quanto o administrador judicial defendem que o município seja intimado a se manifestar sobre o caso. Este pedido foi reforçado por cerca de 100 credores (através de seus advogados). E agora ganha o apoio do Ministério Público, que vê com preocupação o risco de a venda ser concretizada e depois cancelada.

Cedida a três clubes em 1949, a área da Kennedy ficou apenas com o Água Verde em 1958. Mas não foram regulamentadas as regras de inviolabilidade e inalienabilidade do local, o que fez credores e a CBAJ defenderem que não haveria objeção legal ao leilão. Até o despacho de maio, a juíza Mariana Gusso não havia intimado a Prefeitura. Mas o apelo geral e a necessidade da venda da sede para pelo menos iniciar os pagamentos da recuperação judicial podem fazer a magistrada mudar de ideia.

Paraná Clube: sede da Kennedy
Foto: Arquivo

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Paraná Clube: MP quer que Prefeitura se manifeste sobre sede da Kennedy

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