Nos últimos quatro meses, o Paraná Clube se dedica de forma incessante para desenrolar a situação da sede social da avenida Presidente Kennedy, na Vila Guaíra. A venda da área, seja de forma direta ou por leilão judicial, é considerada fundamental para o sucesso da recuperação judicial tricolor. E, também, para que haja interessados na compra da SAF – a Carpa Family Office, a maior interessada, vinculou uma nova proposta à sede da Kennedy. E agora os credores também entraram definitivamente na história.

Em petição protocolada às 16h36 desta quarta-feira (17), o advogado Dyego Karlo Tavares reiterou um apelo feito por outros dois representantes dos credores do Paraná Clube, os também advogados Thiago de Souza Rino e Henrique Richter Caron. Eles pedem que a prefeitura de Curitiba se manifeste sobre o “afastamento de gravames” em relação à sede da Kennedy. Quer dizer: que o Município informe a Justiça se vai ou não autorizar a venda (ou leilão) e a mudança do zoneamento, permitindo que mais pessoas jurídicas se interessem na área sem o risco de uma negociação ser vetada pela Justiça.

Os três advogados citados representam mais de 90 credores do Paraná Clube, entre ex-jogadores e empresas. E eles também têm a receber do Tricolor. Com a autoridade para se manifestarem por parte significativa dos interessados na recuperação paranista, eles pedem celeridade no processo e veem uma situação de altíssimo risco. “Requer-se a intimação do Município com urgência e posteriormente, o que obviamente se espera, a urgente designação de venda judicial ou leilão judicial do referido imóvel, evitando-se assim o risco da primeira falência em recuperação judicial do futebol brasileiro“.

Os dias voam para o Paraná Clube

A pressa pedida pelos advogados nas manifestações entregues à juíza Mariana Gusso, da 1ª Vara de Falências e Recuperação Judicial de Curitiba, tem a ver com o passar do tempo para o Paraná Clube. Em março, venceu o chamado “período de stay”, que durou seis meses, que suspendia qualquer tipo de penhora ou situação semelhante, por conta do processo de RJ do Tricolor. Em setembro, quando se completa um ano da homologação da recuperação, o clube terá que iniciar os pagamentos aos credores. Sem condições de quitar dívidas, aconteceria “algo absolutamente trágico para todas as partes envolvidas, especialmente clube, sua imensa torcida e credores”, como diz a petição de Dyego Tavares.

Por isso houve um andamento tão rápido nas conversas entre Carpa e Paraná Clube, no final do ano passado. Foi nestas negociações que foi aventada com mais força a venda judicial da sede da Kennedy, como impulso inicial para o pagamento das dívidas. Hoje se aproximando de R$ 126 milhões de reais, graças à recuperação judicial, o Tricolor esperava garantir cerca de R$ 80 milhões apenas com a área, o que facilitaria em muito a quitação, e faria o clube ser mais atrativo para investidores.

Ajuda de velhos conhecidos

O empresário Carlos Werner, que foi mecenas do Tricolor em 2017, ano do acesso para a primeira divisão, está renegociando a cessão do Ninho da Gralha. Werner é considerado um dos nomes-chave na recuperação paranista, e está disposto a mais uma vez ajudar, sem no entanto ter a exposição que teve na sua passagem anterior.

* Correção: ao contrário do publicado anteriormente, Carlos Werner não é credor do Paraná Clube. O maior credor do clube é a Bom Atleta Sociedade Empresarial, a BASE, do empresário Renê Bernardi.

Paraná Clube - bandeira
Foto: Allexandre Felipe/PR

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Paraná Clube: credores pedem definição sobre a sede da Kennedy para evitar falência

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