A melancólica eliminação na segunda divisão do Campeonato Paranaense não é apenas uma frustração imediata para o Paraná Clube. O impacto do empate com o Patriotas por 2×2, no domingo (25), vai bem mais longe. Continuar fora da elite estadual por mais um ano representa uma dificuldade enorme para o Tricolor, um afastamento de competições nacionais por longo período e a falta de perspectivas para o mercado investir numa SAF.
Voltar para a primeira divisão do Paranaense seria o primeiro passo de uma reconstrução do Paraná Clube. Qualquer cenário, do mais complexo ao ‘mundo ideal’, teria que passar pela volta do Tricolor ao Estadual. Mas a quinta posição na primeira fase, que veio após um gol sofrido no último minuto da partida com o Patriotas, eliminou a equipe. “Não tem um culpado. Agora cada um tem que assumir sua parcela. Perdemos pontos, deixamos passar resultados e infelizmente aconteceu isso”, resumiu o centroavante Liliu, talvez o único a se salvar da péssima campanha.
Em campo, o impacto é profundo. Com a eliminação, o Paraná Clube fica, obviamente, fora da elite do Paranaense no mínimo até 2025. Mas, acima disso, o Tricolor está fora de qualquer competição nacional até 2026 – isso se subir de divisão ano que vem. Não tem Copa do Brasil ou Série D, até porque este ano ficou claro que o critério para a quarta divisão do Brasileirão será técnico. O único torneio para o qual o Tricolor pode ser convidado é a Copa São Paulo de Futebol Júnior.
Valor do Paraná Clube
O Paraná Clube vai ficar pelo menos 10 meses sem jogos do seu time profissional – a não ser que a Federação Paranaense mude o calendário do futebol local. A falta de exposição é um golpe terrível nos planos de venda da SAF. Hoje, e por mais um tempo, o Tricolor não tem um produto para oferecer aos investidores. Na verdade, o que pode atrair compradores é justamente o que a equipe que liderou a recuperação judicial do clube mais teme – grupos que apenas queiram as propriedades paranistas.
Ainda não se sabe o posicionamento da diretoria do Paraná Clube. Após a eliminação, um pronunciamento do presidente Rubens Ferreira Silva era esperado, mas ninguém falou – só mesmo Liliu, e à beira do gramado. Uma entrevista coletiva foi marcada para esta segunda-feira (26), mas não foi informado local nem quem vai falar. O certo é que se não tivesse sido aprovada a RJ no dia 12, a situação seria desesperadora. Mas, hoje, o Paraná tem muitas dúvidas em seu futuro. E uma certeza – que tudo será ainda mais difícil do que se imaginava.

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