A guinada do Paraná Clube, proposta pelo empresário Carlos Werner e explicitada na carta publicada por ele nesta segunda-feira (22) parte de uma ideia simples, mas que tem vários objetivos. A luta pelo acesso à primeira divisão do futebol paranaense é, digamos assim, o “mínimo múltiplo comum” tricolor. E subir neste ano pode facilitar este “recomeçar” do clube, usando outro termo da carta de Werner.

A estratégia de focar na segunda divisão do Campeonato Paranaense parece óbvia, mas tem o objetivo de mobilizar a torcida do Paraná Clube. Daí o plano de Werner de levar jogos para a Arena da Baixada e o Couto Pereira. O empresário tem ótima relação com Mário Celso Petraglia, presidente do Athletico, e também mantém contatos com representantes do Coritiba. A tendência é que o Tricolor estreie no dia 4 de maio (um sábado) contra o Nacional, às 16h, na Ligga Arena.

Levando o jogo para a Baixada, o Tricolor faturaria com maior renda, maior público e mais apoio. E certamente será um fato a ser citado nacionalmente – encher um estádio com 35 ou 40 mil pessoas numa partida de segunda divisão estadual chamaria a atenção do Brasil inteiro. Para efeito de comparação, o maior público do ano passado foi em Iguaçu 0x1 Paraná Clube, em União da Vitória, com 3.702 pagantes. E a final entre Andraus e PSTC na Vila Capanema teve apenas 100 torcedores.

Saldo duradouro para o Paraná Clube

Se o aumento da renda ajuda naturalmente as contas atuais do Paraná Clube, a mobilização que Carlos Werner assumiu como compromisso poderá dar outros ‘recados’. Politicamente, a “manifestação pública de apoio à instituição” reforça o apelo do Tricolor pela resolução do imbróglio sobre a sede da Kennedy junto à Prefeitura e à Câmara de Vereadores. O clube aguarda um posicionamento das autoridades para a liberação do leilão judicial da área. O dinheiro arrecadado seria destinado exclusivamente para o pagamento de dívidas.

É, como diz a carta de Werner, “um importante apelo político ao momento jurídico que o clube vive”. Porque a expectativa é também de sensibilizar a Justiça para que a situação seja resolvida com celeridade. Após advogados de mais de 100 credores se manifestarem pedindo a rápida solução da situação da sede da Kennedy, o Paraná Clube também quer mostrar que há uma comunidade ansiosa com o final desta novela.

E a SAF?

Como já ficou claro, a SAF não sai antes de resolver a questão da Kennedy. Mas o acesso à primeira divisão aponta para um novo caminho. Carlos Werner e outros paranistas influentes apostam que a transformação em empresa será mais fácil – e lucrativa – com pelo menos o calendário da elite do Campeonato Paranaense. São as “metas ambiciosas, do tamanho do Paraná Clube”, ditas pelo empresário na carta que deu mais esperanças à torcida tricolor.

Paraná Clube x Internacional, pela Série B de 2017.
Carlos Werner acredita que a Arena estará cheia na estreia tricolor na segunda divisão do Paranaense. Foto: Geraldo Bubniak/AGB

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Paraná Clube quer mobilizar torcida para ganhar “capital político”

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