Foto: Geraldo Bubniak /AGB

Quem vê hoje o lateral-esquerdo Juninho estabilizado como titular do Paraná Clube não imagina o que o jogador precisou passar para chegar até aqui. De quase vigilante, em 2017, a uma sequência com a camisa de um dos grandes clubes do Paraná, o lateral, que saiu de casa muito cedo de Sergipe para tentar vencer no futebol, é a prova viva da dedicação, da força de vontade e da perseverança. Passou por momentos complicados na sua carreira, inclusive na sua chegada à Curitiba, mas conseguiu dar a volta por cima para se tornar peça importante na equipe pararanista.

“O que ficou marcado por ter feito o curso de vigilante. Poucas pessoas sabem que eu fiz, mas não tinha outra alternativa. Meu filho tinha alguns meses, estava sem salário no futebol. Foi um momento muito marcante na minha vida estar fazendo esse curso de vigilante, mas que foi uma experiência para mim, um processo para valorizar mais minhas conquistas e hoje agradeço a Deus pelo processo que eu tive”, lembrou Juninho em entrevista à Banda B.

A busca por esse curso foi o reflexo de algumas desilusões que o jogador passou na sua carreira. Surgiu bem nas categorias de base do Bahia, passou pelo Vitória e depois foi para o futebol paulista. Defendeu o Flamengo de Guarulhos e chegou a jogar nas categorias de base do Corinthians. Mas fez algumas escolhas equivocadas e, logo em seguida, foi pai muito cedo.

Então, Juninho começou a rodar em algumas equipes de Sergipe. No Confiança, ficou três meses e não recebeu. Depois, foi para o Frei Paulistano. Mais uma desilusão e dificuldades com salários atrasados. No aniversário de um ano do seu filho, o jogador conseguiu fazer uma festa graças ao apoio da sua família.

Surgiu então a chance de jogar no Colo-Colo da Bahia. Foi mais pela oportunidade de aparecer, já que o salário era baixo. Passou novamente por dificuldades, inclusive na alimentação e veio, então, a decisão de parar com a bola. Juninho, na verdade, queria ter condições de sustentar seu filho e, apoiado pelo seu pai, Carlos Jamisson Teles, fez um curso de vigilante. Durou um mês a rotina de acordar às 6h e voltar para casa às 18h. Foi quando as portas abriram novamente para o jogador. A proposta veio do presidente Fabrício Varjão, do Olimpico de Itabaianinha, para disputar a segunda divisão do Campeonato Sergipano. E ali estava sacramentada a mudança na vida do atual lateral paranista.

“O Juninho é um atleta que a gente já conhecia e eu sabia da qualidade dele. Ele fez um grande campeonato e subimos para a Série A do Sergipano. A gente se sente muito gratificado por isso. A gente trabalha diretamente com jogadores e gerir o futebol no Brasil é difícil. A gente fica lisonjeado por ter dado essa injeção nele para que ele pudesse voltar a jogar. Depois ele foi para o Itabaiana, se destacou, foi craque revelação. A gente fica satisfeito por ver um atleta que deu certo e venceu”, comemorou Varjão.

Apoio em casa

Para voltar ao futebol, Juninho teve o apoio do seu pai, Carlos Jamisson Teles. Apesar de saber das dificuldades que o seu filho passou, foi o apoio que o lateral precisava para manter vivo o sonho de fazer o que mais gosta. Mais do que isso, de fazer disso a sua profissão para dar a sua família uma vida melhor.

“Foi meio complicada a trajetória dele. Cheguei a falar para ele para a agente partir para outra. Eu trabalho nessa área de segurança e vigilância. Ele fez o curso, mas o foco dele foi sempre o futebol. Falou que se aparecesse uma outra chance e ele agarrou. Foi para o Olímpico, depois o Itabaiana interessou. Na sequência veio o Paraná Clube e, apesar de algumas dificuldades no começo, ele sempre foi focado e graças a Deus está dando tudo certo”, comentou o pai de Juninho.

E o reconhecimento é destacado pelo atual lateral-esquerdo do Tricolor. Juninho enfatizou que sem o apoio que teve em casa, talvez não conseguiria estar aonde está hoje. “Meu pai foi fundamental na minha vida. Foi um momento importante quando disse que surgiu a oportunidade para eu recomeçar ele me apoiou. Isso te motiva para estar buscando os sonhos. Minha família foi meu alicerce, minha base e motiva cada vez mais para conseguir as realizações e os objetivos”, emendou Juninho.

Chegada ao Paraná

Depois de se destacar pelo Olímpico, Juninho foi contratado pelo Itabaiana. Foi craque e revelação do Campeonato Sergipano de 2018. Jogou também a Copa do Nordeste e a Série D do Campeonato Brasileiro. Surgiu, então, a chance de mudar de patamar no cenário do futebol. Teria então chegado uma proposta do Paraná Clube. O jogador não revela o nome da pessoa, mas entre as promessas estava um contrato atrativo e um carro. Juninho não pensou duas vezes, arrumou as malas e partiu para o sul do Brasil.

Mas não foi tão fácil assim. Quando chegou, foi avisado pela pessoa, que não iria se apresentar ainda no Paraná. Seguiu treinando em um CT na Grande Curitiba com uma equipe Sub-20. Depois de quase um mês, foi avisado que faria um teste no Paraná Clube. E foi o que aconteceu e Juninho foi aprovado. Chegou já na reta final da Série A do Campeonato Brasileiro, mas ganhou a oportunidade do técnico Claudinei Oliveira de atuar contra o Vasco, na Vila Capanema. Começava ali a trajetória do jogador com a camisa paranista.

“Cheguei para a terceira passagem no Paraná e o Juninho fazia parte do grupo, só que concorria com o Igor e com o Mansur. Apesar de não ter tido oportunidades, ele sempre foi muito dedicado, sempre com sorriso no rosto. Um cara que puxava o ambiente para cima. Surgiu a oportunidade de jogar contra o Vasco. A gente empatou em 1×1 e ele fez uma bela partida. Sempre foi um atleta com muita volúpia e disposição e a gente fica fez por ele estar dando sequência na carreira. É um menino trabalhador, humilde e que tem muito potencial. Tem qualidade, muita entrega e um atleta que todo treinador gosta de ter pelo profissionalismo”, comentou Oliveira.

Juninho sempre terá o reconhecimento pelo técnico Claudinei Oliveira, por ter sido o primeiro treinador a dar essa oportunidade de vestir a camisa do Paraná Clube. Foi pela primeira vez em 2018, mas o lateral evoluiu e hoje é titular do time paranista. Oliveira agradeceu o reconhecimento e lembrou do talento do atleta.

“É muito bacana a gente, de alguma forma, marcar de forma positiva a vida do atleta. A gente não revela ninguém, mas sim dá a oportunidade. O talento é dele e o que a gente fez foi olhar para todos de maneiro igual. Não é porque ele veio de avaliação que ele não seria notado. Fico feliz pelo reconhecimento. A gente as vezes faz mais para outros atletas e não vê esse reconhecimento. Trabalhei pouco com o Juninho e logo depois sai do Paraná, mas fico muito feliz e é um atleta que tenho muito carinho. Temos observado a evolução e a performance dele”, reforçou.

Recompensa

Olhar para trás, agora, depois de tudo o que passou, ainda mexe com Juninho e com a sua família. Seu pai, Carlos Jamisson Teles, afirmou que todo sofrimento valeu a pena para o lateral-esquerdo paranista estar conseguindo alcançar seus objetivos no futebol e também na vida.

“Primeiro agradeço a Deus e também o foco que ele teve. Está dando tudo certo e se Deus quiser vai melhorar mais ainda. Vou estar sempre do lado dele, nos momentos bons e ruins, ele pode contar sempre comigo”, reforçou.

Sem dúvida mais experiente, Juninho agradeceu que o ajudaram nessa caminhada. Prefere não lamentar os percalços que teve na sua trajetória, mas sim reconhecer que todas as dificuldades o tornaram mais forte. Recompensa que está colhendo agora na boa fase que vive com a camisa paranista.

“É muito recompensador estar em um clube grande pelo terceiro ano. Agradeço a Deus e a todos que me ajudaram a estar aqui hoje, por todo esse processo que eu passei. Hoje o Paraná está me proporcionando conhecer outros campeonatos e ter outras experiências. Sou muito grato a esse clube, ao presidente, aos treinadores e a todos”, arrematou o camisa 6 do Tricolor.