Paraná sofreu com problemas financeiros em 2019. (Geraldo Bubniak /AGB)

Terceirizar a gestão do futebol pode ser a salvação do Paraná Clube para as próximas temporadas. Pelo menos essa foi a análise do especialista em gestão e marketing esportivo, Amir Somoggi. Os problemas financeiros do Tricolor são recorrentes. O clube tem dificuldades na busca por receitas e, encontrar um investidor capaz de acabar com esses percalços pode ser a solução do time paranista para ter melhores resultados dentro de campo.

“Acho que o Paraná não tem uma solução a médio prazo sozinho. Talvez tenha que realmente buscar um projeto de transformação para clube-empresa, com um investidor, com o clube saindo da gestão, porque não tem conseguido sucesso. Tem recorrentemente a perda de valor, o aumento do prejuízo, dos débitos. São decisões equivocadas na gestão do futebol que impactam. É o mesmo caso da Portuguesa, do Guarani, que são clubes tradicionais, mas com dívidas tão impagáveis, que tem que pensar em um caminho com a ajuda de investidores”, afirmou Somoggi em entrevista à  Banda B.

Um exemplo recente pode inspirar o Paraná Clube. O Bragantino conseguiu a parceria com uma grande empresa e, com um alto investimento, liderou a Série B do Campeonato Brasileiro de ponta a ponta e conseguiu o acesso e o título sem grandes dificuldades. O Massa Bruta deve atingir, a partir de 2020, quando voltará a disputar a Série A, um novo patamar dentro do cenário do futebol nacional.

“O Paraná tem um exemplo da Red Bull, do Audax, que são clubes novos, com potencial de investimento, mas que não têm torcida, tradição, história. Isso dificulta, tanto que a Red Bull acabou buscando o Bragantino, que é um clube como o Paraná, que história, torcida, estádio, para poder alavancar seu projeto. Esse tipo de coisa caberia ao Paraná. Assim, o investidor poderia explorar naturalmente o que o clube tem de melhor”, acrescentou o especialista.

Caso não vá para esse caminho, o Paraná terá que caminhar com as próprias pernas. Buscar patrocinadores e, sobretudo tentar potencializar suas receitas com bilheteria, associados e produtos licenciados. Nos últimos anos o clube não teve sucesso nas campanhas para atrair novos sócios, mas pode, nas devidas proporções, se espelhar no Vasco, que recentemente conseguiu atingir a marca de mais de 120 mil associados.

“É sempre bom lembrar que com o concorrente indo muito bem, acaba mexendo com o ímpeto do torcedor. A boa fase do Flamengo acabou mexendo com o brio dos vascaínos. É um clube que tem uma torcida muito grande, que tem já um plano de sócio bem estruturado. O Paraná pode buscar esse crescimento com sócios, buscar aumentar a receita com bilheteria. No entanto, os números do Paraná são muito acanhados e é difícil acreditar que o Paraná vai sair desse atoleiro com uma supergestão. Não conseguiu até hoje. Não sei se tem futuro apenas com uma boa administração dadas as circunstâncias do clube atualmente”, finalizou Somoggi.