Eduardo Bauermann sofreu injúria racial por parte de torcedor do Atlético-GO (Geraldo Bubniak/AGB)

Alvo de racismo na derrota do Paraná para o Atlético-GO, na última sexta-feira (15), quando foi chamado de ‘macaco’ por um torcedor do clube goiano, o zagueiro Eduardo Bauermann falou pela primeira vez sobre o incidente. Em entrevista exclusiva à Banda B, o defensor paranista explicou o acontecimento que culminou na prisão de Eduardo Torres Byk, torcedor do Dragão.

“É complicado nos dias de hoje termos que conviver com isso. O que mais me machucou nesta situação toda foi que me pareceu muito instinto da parte dele fazer aquilo para me ofender, pois, até então, estávamos discutindo porque o Alisson pegou o pênalti. Nós da reserva estávamos felizes, comemorando, e ele nos xingando muito. Mas a partir do momento que viu que não demos bola, ele gritou ‘macaco’ para mim. Eu olhei para ele e fez o gesto de um macaco. Aquilo me fez perder a cabeça. Chamei a polícia na hora, mas ele se escondeu no meio da torcida”, declarou Bauermann.

O defensor afirmou que identificou o torcedor após o término do jogo e que foi um policial o responsável por localizá-lo. “Iria deixar passar, mas, após o jogo, quando subimos no campo para treinar, um policial me chamou e disse que viu o cara nos ofendendo, só não viu fazer o gesto de macaco, pois estava atrás de uma bandeira, só que se eu conseguisse identificar o cara, dariam voz de prisão. Eu e o Fabrício o vimos de longe e avisamos a polícia. No momento que ele viu que estávamos apontando, ele tentou ir embora sem ser visto, mas foi cercado e preso na hora. Sabemos que a justiça no Brasil é muito falha, mas espero que ele pague pelo mal que faz à sociedade”, acrescentou.

Eduardo Bauermann também confirmou que foi a primeira vez que foi vítima de racismo e revelou o sentimento ruim. “Fico com a cabeça tranquila porque ele foi preso. Eu não sou ninguém pra julgar uma pessoa, mas a partir do momento que tu tem uma atitude dessa, tem que sofrer as consequências. Eu até já pensei que esse lance por ter visto só com outras pessoas, era fácil de lidar. Mas só quem já passou na pele sabe o que é. Não desejo isso pra ninguém”, concluiu.

O zagueiro do Paraná afirmou que não pretende processar Eduardo Torres Byk, mas que espera que a justiça dê sequência no processo e que o torcedor seja punido. Ele foi autuado por crime de injúria racial, no Artigo 140 do Código Penal. Se for condenado, ele pode pegar até 3 anos de prisão.