(Geraldo Bubniak/AGB)

Técnico da equipe que ficou a três pontos de conseguir o acesso à primeira divisão em 2013, Dado Cavalcanti admite que faltou um ‘gás final’ para que o elenco do Paraná conseguisse alcançar o objetivo daquela temporada. O time terminou na oitava colocação, a três pontos do G4 da Série B.

Em entrevista à Banda B, durante o programa Balanço Esportivo, o treinador considerou o trabalho como ‘muito bom’, mas lamentou os problemas externos do clube, como o atraso de salários durante boa parte da temporada. Os problemas financeiros daquele ano, inclusive, fizeram com que a torcida organizada Fúria Independente patrocinasse a equipe pontualmente durante a competição.

“A campanha foi muito boa, mas tivemos muitas oscilações técnicas, perdemos pontos cruciais em jogos importantes, mas a força interna do grupo era muito grande e a comissão técnica era harmoniosa. O clube passava por dificuldades e tivemos vários problemas extra-campo que atrapalharam o trabalho”, relembra. “Mas o que me marcou muito em 2013 foi quando a torcida ajudou financeiramente, além do apoiar nas arquibancadas, com um patrocínio na camisa. Mas,infelizmente, faltou aquele ‘gás final’ para conseguir o acesso”, lamentou Cavalcanti.

Série A 2018

Dado Cavalcanti também falou sobre sua segunda passagem pelo Paraná, durante a Série A de 2018. Ele chegou em outubro daquele, no fim do Brasileiro, após substituir o demitido Claudinei Oliveira. Cavalcanti sairía do clube seis meses depois, ao ser eliminado pelo Londrina, na Copa do Brasil, e pelo Coritiba, no Estadual daquele ano.

“Cheguei em 2018 para projetar a equipe que começaria a ser montada na temporada seguinte. Tivemos de transformar o perfil da equipe, que já estava rebaixada, e coloquei muitos jogadores jovens já na Série A. Muitas dificuldades surgiram na construção do elenco, porque precisávamos procurar jogadores experientes para fazermos uma mescla e formar uma equipe vitoriosa, mas faltava dinheiro”, relembra o comandante.

“Esperávamos muito a venda do Johnny Lucas para que esse valor fosse usado na compra de jogadores de ponta, o que demorou demais, e acho que esse foi um erro nosso. Quando decidimos contratar, o mercado já estava esfriando e tivemos dificuldades na reposição de jogadores. Mas, mesmo assim, creio que o clube fez o que pode, só perdeu um pouco o timing”, analisa.

Bahia e Ferroviária

Em abril desse ano, Dado Cavalcanti foi demitido da equipe sub-23 do Bahia e, nesta semana, foi anunciado como técnico da Ferroviária, de São Paulo. O técnico analisa a atual oportunidade como ‘uma grande chance de trabalho’ e salienta o ‘projeto ousado’ da equipe paulista no cenário nacional.

“Recebi esse convite da Ferroviária para participar de um projeto de trabalho em o time passa por uma reformulação. É um clube-empresa, com uma gestão voltada com retorno financeiro. A Ferroviária me deu muita autonomia para gerir esse projeto de médio a longo prazo. Nossas ideias combinam, e espero que consigamos um bom fim de ano com o alcance dos objetivos, mesmo com toda a impossibilidade de criar um cronograma, pela paralisação gerada pelo coronavírus”, finalizou.