Confira detalhes das conversas que provocaram demissão de Lisca no Paraná

Técnico xingou o preparador, falou em empurrão no assistente e o convidou para deixar o clube

Esporte Banda B

Lisca foi demitido após desentendimento com membros da comissão técnica. (Felipe Dalke/Banda B)

O clima no Paraná foi de muita confusão e divergência nos instantes antes da demissão do técnico Lisca no último sábado (02), horas antes da semifinal contra o Atlético-MG pela Primeira Liga. A Banda B obteve com exclusividade as conversas do treinador com o gerente de futebol, Rodrigo Pastana, o preparador físico Rodrigo Rezende e também com o auxiliar Matheus Costa sobre sua insatisfação por não treinar até a partida em Belo Horizonte pela dificuldade para montar a logística até Belo Horizonte.

Dificuldade na logística para a partida da Primeira Liga

Com a classificação para a semifinal da Primeira Liga diante do Flamengo na última quarta-feira (30), o Paraná teve pouco tempo para preparar toda a logística até a cidade de Belo Horizonte, onde jogou com o Atlético-MG no sábado (02). Com isso, a delegação paranista retornou para Curitiba na quinta-feira (31) e viajou no dia seguinte pela manhã para a capital mineira.

Lisca reclama com o presidente e Pastana quer demiti-lo

Insatisfeito com a ausência de treinamentos entre uma partida e outra, Lisca reclamou com o presidente Leonardo Oliveira sobre a impossibilidade de treinar em Curitiba na sexta-feira (01). Então, o mandatário paranista entrou em contato com Rodrigo Pastana que queria demitir o treinador no momento que soube do assunto, mas não estava com a delegação que naquele instante estava embarcando para Belo Horizonte.

Leonardo Oliveira: “Lisca veio me cobrar que está difícil a situação dele no clube porque foi derrubado um treino sem falar com ele e isso é um desrespeito. Que nada que ele pode consegue-se [sic] ser feito e assim a ‘brincadeira’ fica sem graça”.

Rodrigo Pastana: “Que absurdo”. “Quer que eu vou [sic] para Congonhas? Dou um jeito, mas temos que mandar ele embora”.

Pastana falou com Lisca

Após a conversa com Leonardo Oliveira, Pastana conversou com Lisca sobre impossibilidade de treinar em Belo Horizonte já que o elenco chegaria no meio da tarde de sexta-feira e a Toca da Raposa, CT do Cruzeiro, não tem refletores. O treinador entendeu o caso, mas havia pedido uma atividade no “hotel, ginásio, parque ou fut 7”, o que não estava na programação.

Rodrigo Pastana: “O Léo me disse que você está chateado porque não terá treino. O que está acontecendo? Lhe avisei que não poderíamos treinar pela dificuldade de logística. Ontem quando lhe telefonei já havia te explicado isto e tu não reclamou porque recebeu a programação e não teríamos para treinar”.

Lisca: “Combinei com você que não teria possibilidades de treinar no campo nem aqui em Curitiba, nem em BH devido a logística. É ruim, mas beleza. O que não tem solução, solucionado está. Só combinei com Daniel [Kaminski, supervisor] que como não daria para ir no campo nós iríamos num lugar perto do hotel, ginásio, parque ou fut 7. Ele disse que tudo bem, mas para minha surpresa não consta na programação, nem no horário de vídeo, reunião e preciso deste espaço”.

Desentendimento de Lisca com preparador por atividade na piscina

Depois de toda a conversa em Curitiba, Lisca voltou a ficar irritado pela realização de uma atividade na piscina já no hotel em Belo Horizonte. Isolado da delegação, o comandante não respondeu as chamadas sobre o treino. “Tu acertou com o Daniel, vocês trocaram meu treino por recuperação na piscina, você é um… Vai se f… seu traíra”, disse o treinador ao preparador físico, Rodrigo Rezende.

Suposta agressão de Lisca ao assistente Matheus Costa

Assim que soube da fatídica atividade na piscina, Lisca se revoltou e procurou membros da comissão técnica no hotel. O primeiro com quem conversou foi Matheus Costa e a discussão terminou em suposta agressão de Lisca ao auxiliar da comissão técnica permanente.

Lisca fala em empurrão no assistente

Instantes depois da demissão, Lisca voltou a conversar com Rodrigo Pastana, negou ter dado um soco em Matheus Costa, mas confirmou que empurrou o assistente. “Não dei soco na cara do Mateus [sic], errei e pedi mil desculpas. Falei com ele, fiz o compacto com ele à noite, mas jamais iria dar um soco nele. Dei um empurrão, pedi mil desculpas e mostrei o meu arrependimento a toda hora. Eu não mereço isso, velho!”.

Conversa de Lisca com Matheus Costa após a demissão

Após toda a história ser divulgada, Lisca entrou em contato com Costa para pedir desculpas por todo o ocorrido e ainda cobrou que o assistente falasse sobre o assunto na imprensa. “Espero que tu fale a verdade para todos, pois falei com o Rodrigo e ele me disse que chegou a notícia que te dei um soco. Já te pedi mil desculpas e reitero meu pedido, mas achei que nossas broncas ficassem entre nós, mas não foi o que aconteceu, infelizmente para mim”.

Matheus Costa respondeu a mensagem negando que criaria qualquer polêmica e ainda agradeceu a oportunidade. “Lisca, aprendi muito com você e agradeço eu pelo aprendizado e oportunidade. Torço pelo seu sucesso e de sua família. Sabe que não irei criar notícia alguma sobre isso e já passou”.

Convite para futuro trabalho

Ainda na mesma conversa, Lisca pediu para que Matheus Costa pedisse demissão do Paraná e aceitasse trabalhar na comissão técnica quando recebesse uma nova oportunidade de trabalho. “Se tu é homem, pede demissão e vem trabalhar comigo no próximo clube. Tá [sic] feito o convite, te ligo quando acertar”.

Veja as conversas na íntegra:

 

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