Antenor Antunes com a família no bairro Cajuru. (Luiz Ferraz/Banda B)

Pelo nome, talvez a maioria dos torcedores não conheçam Antenor Antunes. Mas é só ouvir o bordão “coco, manga, chocolate, abacaxiii” que certamente grande parte das torcidas de Paraná Clube, Athletico e Coritiba vai lembrar do lendário vendedor de sorvetes que divertia a todos em dias de jogos em Curitiba. Aos 82 anos, está afastado dos eventos esportivos há dois anos, mas lembra com carinho dos bons tempos em que tinha a oportunidade de trabalhar nos estádios da capital. Mais do que isso: de lembrar o quanto foi importante esse “trabalho extra” na sua vida para conquistar seus objetivos na sua vida.

“Isso é muito bom. Agradeço. Estou feliz. Gosto daqui. Sou mineiro, minha mulher também é, meu filho é baiano. Cheguei aqui em 1974 e gosto muito daqui. Já são 46 anos. Gosto de todos os times. Do Athletico, do Coritiba, mas sou paranista de coração desde a época do Colorado”, comentou.

O lendário vendedor de sorvetes chegou em Curitiba em 1974. Mineiro de Carlos Chagas, Antenor Antunes demorou dois anos para começar a trabalhar nos estádios. Sua rotina era sofrida. Trabalhava das 7h às 22h. Aos finais de semana, vendia sorvetes nos estádios para complementar sua renda.

“Comecei em 1976 a vender sorvete e peguei gosto. Não teria hoje minha casa se não fosse isso e agradeço muito a todos. A minha esposa ainda trabalha no Centro Politécnico da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Batalhamos muito para chegar até aqui”, lembrou emocionado.

Seu primeiro jogo foi um Athletiba, em 1976. Mas nenhum dos dois times fascinou o Sr. Antenor como o Colorado. Ele lembrou como escolheu a equipe que iria torcer. “Trabalhava como cobrador e tinha um casal discutindo. Ele era atleticano e ela torcia para o Colorado. Ela perguntou qual time eu torcida. Falei que não tinha time ainda, pois não era de Curitiba e ela falou que a partir dali eu teria que torcer para o Colorado e assim começou”, comentou.

Mas independentemente de ser torcedor do Paraná Clube, o Sr. Antenor sempre ganhou o carinho e o respeito de todas as torcidas. Sempre com o sorriso no rosto capaz de cativar qualquer um, também ficou marcado por seu jeito mais “moleque” de se vestir. E claro, sem contar no bordão facilmente reconhecido e que terminava sempre com alguém o chamando para comprar sorvete.

Em 2013, o Sr. Antenor sofreu um acidente grave ao levar um tombo em um dos tubos de ônibus que trabalhava. Ficou duas semanas internado na UTI, mas voltou aos estádios dois anos depois. Foi até aonde deu. Atualmente, Couto Pereira, Vila Capanema e Arena da Baixada não contam mais com os serviços do lendário vendedor de sorvetes. Com a idade já avançada, ele agora se dedica somente a sua função de cobrador.

“De dois anos para cá deixei de vender. Estava ruim, né? O torcedor fica brigando e os pais não levam mais seus filhos. Aí estraga. Não compensa”, disse. “Sinto muito falta, mas com o sorvete caro, o ingresso caro. Na Arena da Baixada fomos proibidos. Antigamente, com 40 mil pessoas no estádio, eu vendia 400 sorvetes facilmente. Hoje em dia é difícil”, lamentou.

Dificuldade

Atualmente, o Sr. Antenor Antunes está passando por algumas dificuldades. Por conta da pandemia do novo coronavírus e pela idade mais avançada, foi afastado das suas atividades e, segundo ele, não recebe salários há dois meses. Está vivendo com a sua aposentadoria e precisa de ajuda. Interessados em ajudar entrar em contato pelo telefone: (41) 3240-7500.