Coordenador técnico Jorge Ferreira. Foto: Arquivo Pessoal.

Com a paralisação dos treinos e dos torneios de base em 2020, devido à pandemia do coronavírus, o Paraná Clube tem buscado alternativas para continuar com os trabalhos em suas categorias de formação de atletas. O Tricolor segue realizando treinos online, por videoconferências, com todos os conjuntos de crianças e adolescentes, desde o sub-6 até o sub-19, última fase antes da promoção ao time profissional. Além disso, a comissão técnica paranista tem realizado acompanhamento psicológico com os jovens, com o objetivo de amenizar os possíveis impactos da paralisação de suas rotinas diárias.

Coordenador técnico das categorias de base do Paraná, Jorge Ferreira ressalta que, sem um cronograma muito definido de retorno, os trabalhos físicos seguem fundamentais nesta quarentena.

“Não sabemos quando voltarão os campeonatos e talvez tenhamos pouco tempo de preparação nessa retomada. Por isso os treinos, mesmo que de longe, são importantes. Felizmente os atletas aderiram à ideia, estão trabalhando e isso nos deixa muito contente. A própria decisão do clube de não dispensar os atletas e continuar com esse trabalho é fundamental neste momento”, analisou em entrevista à Banda B.

Ferreira salienta que as categorias sub-19 e sub-20, últimos estágios da base, sofrem ainda mais durante esse momento de incertezas na rotina e na própria carreira dos jogadores.

“No caso específico do sub-19 e sub-20, os treinos precisam retornar o quanto antes, pois são eles que ‘abastecem’ o profissional. O Paraná tem um histórico de clube formador de atletas, seja com o Carlos Dias, que subiu recentemente, ou com o João Basso [zagueiro] ou com o Jean [volante], então precisamos dessa retomada. Mas nada será feito sem fornecer as condições adequadas aos meninos”, explicou.

Juliane Bassetto, psicóloga das categorias de base do Paraná, explica que esse ‘turbilhão’ de emoções, ainda mais para crianças adolescentes, pode gerar muita ansiedade e medos que nunca foram vividos pelos jovens atletas. “O período de isolamento social faz com que a rotina mude e esse momento é propício para que as  pessoas sintam ansiedade, medos e preocupações. Esses são os maiores motivos para trabalharmos a cabeça dos meninos nesse momento”, relata a profissional.

Ela revela que tem realizado videochamadas frequentes com os jogadores e até mesmo com seus familiares, com o intuito de minimizar o estresse psicológico, assim como identificar quais adolescentes necessitam de um cuidado especial neste momento.

“Tenho trabalhado por videochamadas com atletas individualmente e também em grupos. Mês passado formulei um questionário para sondar quais atletas precisam desse acompanhamento mais próximo e temos desenvolvido atividades para trabalhar ansiedade e concentração, mesmo quando a rotina na escola e na base tenha sido muito prejudicada”, acrescenta.

E, mesmo quando os treinos coletivos retornarem, a psicóloga explica que esse acompanhamento permanecerá durante algum tempo nas categorias de base do Paraná. “Aquela ‘resenha’ do futebol não terá mais. Esses meninos chegavam no clube, se cumprimentavam e realizavam os treinos de uma maneira muito próxima. Nessa nova realidade, tudo isso será mais distante eles vão sentir isso. Já estamos pensando em como trabalhar isso no futuro”, completa Juliane.