O Paraná Clube divulgou, na última sexta-feira (1º), o balanço financeiro em relação ao ano de 2025. De forma geral, o Tricolor fechou a temporada passada com um déficit de R$ 18,9 milhões, mas este demonstrativo mais uma vez colocou os dirigentes paranistas em lados opostos, com muitas reclamações e até comunicados oficiais.

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E a briga nem foi pelos valores em si, mas pela falta de esclarecimento nos números apresentados. Foi convocada para o dia 30 de abril, quinta-feira, uma reunião ordinária para apresentar o balanço para o Conselho Deliberativo. Ao saber do edital, o Conselho Fiscal enviou um comunicado, alegando que tal apresentação não teria valor jurídico, uma vez que não passou pelo parecer.

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“A condição de validade da reunião ordinária de prestação de contas é a apresentação conjunta do relatório e das contas acompanhados do parecer do Conselho Fiscal. Sem o parecer, a reunião pode até ocorrer fisicamente, mas a pauta de aprovação de balanço estará materialmente incompleta, produzindo deliberação sem amparo estatutário”, diz parte do comunicado.

Ainda segundo o Conselho, não foi verificada a escrituração geral do Tricolor e os balancetes mensais também não foram enviados, por exemplo. Com isso, os documentos apresentados no dia 30 seriam uma “apresentação de análises e demonstrações financeiras produzidas pela Contabilidade e/ou pela Administração, sem qualquer validade jurídico-estatutária como balanço anual oficial. O documento não possui validade oficial como balanço anual do Paraná Clube, por não ter sido submetido à prévia apreciação“. Até por isso, representantes do Fiscal não compareceram à reunião.

Deliberativo mantém reunião e critica Fiscal

Diante disso, o Conselho Fiscal ainda exigiu a disponibilização imediata de todas as demonstrações financeiras de 2025 e que uma nova reunião fosse convocada somente após o parecer. Caso o encontro fosse mantido, haveria consequências jurídicas, como impugnação formal interna, denúncia formal de irregularidades, pedido de tutela judicial e até mesmo notificação à CBF e órgãos competentes.

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Porém, em nota assinada pelo presidente do Conselho Deliberativo, Eduardo José Ombrellino, foi mantida a reunião, que passou de Ordinária para Extraordinária. De acordo com o dirigente, o motivo para a manutenção foi de que não haveria nenhum tipo de deliberação sobre aprovação do balanço.

“O item de pauta refere-se exclusivamente à apresentação do Balanço Patrimonial e do parecer da Auditoria Externa, sem qualquer ato deliberativo. Portanto, não há risco de violação estatutária”, diz parte da nota.

Além disso, outro argumento para se manter o encontro é que a apresentação do balanço de 2024 seguiu os mesmos moldes, inclusive com a participação do Conselho Fiscal, que “ainda não apresentou o parecer sobre o exercício de 2024”.

Paraná Clube aumenta dívida

De acordo com o balanço apresentado oficialmente, o Tricolor teve receitas em 2025 de apenas R$ 7,5 milhões, sendo a principal forma de arrecadação fora do futebol, com o aluguel da Vila Capanema para outros jogos e eventos, que geraram R$ 2,6 milhões.

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Além disso, também somou R$ 2,4 milhões com bilheterias nos cinco jogos que disputou em seu estádio no Campeonato Paranaense, R$ 1 milhão com publicidade e patrocínios, e mais R$ 67 mil com os direitos de transmissão do Estadual, R$ 690 mil de luvas, R$ 128 mil de doações, R$ 849 mil em receitas no estádio, R$ 692 mil na Timemania e R$ 114 mil com eventos e recuperação de despesas.

Por outro lado, as despesas totalizaram quase R$ 27 milhões, sendo a maior parte – R$ 13,3 milhões -, com atualização tributária e mais os juros da recuperação judicial, de R$ 2,7 milhões. No futebol, os gastos foram principalmente com salários (R$ 905 mil), despesas gerais e administrativas (R$ 975 mil), serviços profissionais (R$ 1,89 milhão) e com contas do dia a dia, como alimentação, água, esgoto, gás, energia elétrica e telecomunicações, que somadas chegaram a R$ 1,1 milhão.

Com isso, o Paraná Clube fechou a temporada, de acordo com o levantamento, com um déficit de R$ 18,9 milhões, chegando a uma dívida total de R$ 190,5 milhões.

Vila Capanema, estádio do Paraná Clube
Tricolor vive dias agitados e complicados nos bastidores. Foto: Geraldo Bubniak/AGB

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