
O Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região aceitou a renovação do Ato Trabalhista do Paraná Clube por mais um ano, até 10 de abril de 2023. A decisão da juíza Marli Gomes Gonçalves foi publicada no último domingo (10) e dispõe sobre as dificuldades do Tricolor, e determina as obrigações do clube.
A diretoria atual, cujo Conselho Gestor é liderado pelo presidente Rubens Ferreira e Silva, o Rubão, assumiu em setembro do ano passado e tinha a renovação do Ato Trabalhista como uma das suas prioridades, a fim de manter uma solvência mínima para as atividades do futebol paranista.
Em seu despacho, a juíza destaca que o Paraná apresentou um plano em que projetou uma receita anual de R$ 9 milhões, o que permitiria o uso de R$ 150 mil mensais para a execução das dívidas, presentes em 112 processos cíveis (R$ 32,1 milhões) e outros 336 trabalhistas (R$ 39 milhões), totalizando R$ 71,2 milhões.
“Situação precária”
Como garantia, o Tricolor apresentou quatro imóveis como garantia com valor total estimado em R$ 124,57 milhões. A juíza também destacou que a situação paranista vem se deteriorando, e que apenas o acesso à Série A nacional “aceleraria o pagamento dos credores”.
“A situação econômica do clube vem se deteriorando desde a instituição desta reunião de execuções até a presente data. É notório que os decessos para as séries ‘D’ do campeonato brasileiro e ‘B’ do paranaense agravaram a situação financeira, que já era precária. Simultaneamente, constatou-se um aumento significativo das demandas trabalhistas, o que não se imaginava quando do início da centralização. O objetivo desta reunião de execuções sempre foi e será o pagamento de todos os credores no prazo mais breve possível (…). No entanto, pelos números apresentados, a perspectiva não é otimista”, escreveu ela.
Por fim, a juíza solicitou mais informações sobre imóveis do clube em Guaratuba, no litoral paranaense, para eventual venda e pagamento das dívidas. Garantias anteriores dadas pelo Paraná, como a sede do Boqueirão (em litígio judicial) e da Av. Kennedy (leilão determinado pela Justiça para pagamento de dívida com o Banco Central não teve interessados) não podem ser consideradas, o que torna o Ato Trabalhista a melhor forma de pagamento, prosseguiu.
Dívidas e problemas
No balanço do ano passado, com dados de 2020, o Paraná apresentou uma dívida total de R$ 141,1 milhões, e os números do ano de 2021 precisam ser publicados até o fim deste mês, conforme manda a legislação brasileira.
Além do Ato Trabalhista e do leilão da sede da Kennedy, o Tricolor se viu diante da possibilidade de perder a sua principal casa, a Vila Capanema. A Justiça vem cobrando o clube para que chegue a um acordo com a União, que venceu a disputa de décadas pela posse definitiva do terreno, em 2016. O Paraná precisa ressarcir os cofres públicos e pagar um “aluguel”, conforme determinou a decisão judicial mais recente.
Dentro de campo, o Paraná estreia neste domingo (17), às 16h, diante do Oeste-SP, na Arena Barueri. A caminhada do Tricolor na Série D do Brasileirão precisa terminar em acesso para a Série C, sob pena do clube ficar sem calendário nacional pelos próximos dois anos. Isto significaria agravar ainda mais as finanças paranistas.