Dirigentes aprovam mudança, que pode transformar o futebol paranaense (Geraldo Bubniak/AGB/Paraná/Divulgação)

Dividindo opiniões, os projetos para a flexibilização da mudança dos clubes de futebol para o formato clube-empresa tramitam na Câmara dos Deputados e também no Senado Federal. As propostas estão sendo discutidas e, se houver a aprovação, representará uma mudança que irá transformar a gestão do esporte no país.

O impacto da transformação deverá chegar também ao futebol paranaense, visto que a ideia da transição de entidade sem fins lucrativos para o modelo empresarial é um anseio antigo do presidente do Conselho Deliberativo do Athletico, Mário Celso Petraglia. O dirigente, inclusive, já trabalha em busca de parceiros enquanto aguarda que a proposta seja sancionada.

“Faz parte de idealização de um sonho que começamos desde 1995 de transformamos nosso clube em um dos maiores do mundo”, disse Petraglia em entrevista coletiva no mês passado. “Tivemos a oportunidade de conversar com um grupo japonês que quer vir para o Brasil, na passagem do nosso time pelo Japão. Também estamos em contato com grupos americanos e europeus. Agora, aguardamos a mudança da lei, que já havíamos aprovado em 2016, para que tenhamos sociedades empresárias, e o Athletico Paranaense, com essa base, se tornou a ‘noiva mais elegante e cobiçada do Brasil’ e vai encontrar um ‘príncipe’ para que a gente chegue a ter as condições ideais de sermos campeões do mundo”, acrescentou.

Mas não é só no Joaquim Américo que a mudança é vista com bons olhos. Convivendo com problemas financeiros, Coritiba e Paraná também podem ter uma alternativa para reformular a gestão e ter a viabilidade de buscar investimentos externos. Do lado do Tricolor, o executivo de futebol Alex Brasil teve experiência recente no Portimonense, de Portugal, que atua no formato de Sociedade Anônima Desportiva (SAD) e acredita que pode ser uma estratégia para melhorar as finanças dos times.

“É notório no país o problema financeiro dos clubes. Tem que ver a legislação, precisa mudar. Hoje os clubes estão enfraquecidos, isso é uma pena. Os clubes hoje são as partes que mais sofrem. Sei que está transitando no congresso a aprovação de clube-empresa. Tem que ser estudado com carinho e o quanto antes. Passei pelo futebol europeu recentemente e vi que deu certo. São coisas que temos que adaptar para fortalecer todos os clubes”, destacou o diretor paranista.

Já o presidente alviverde, Samir Namur, acredita que a aprovação da lei poderia agregar ao clube na redução das dívidas e busca por investimento. “O Coritiba tem acompanhado de perto as discussões em torno do projeto. As principais medidas são para reduzir os encargos que os clubes têm hoje, seja mudando o regime tributário, fazendo um novo Refis e até a possibilidade de mudança da legislação trabalhista de atletas, que hoje gera um ônus muito grande aos clubes. O Coritiba vê isso com bons olhos e, na verdade, independente da lei, o clube tem uma S/A, que pode receber normalmente um investidor externo”, explicou.

Samir ainda confirmou conversas com a direção do Coxa e também com possíveis futuros parceiros. “Temos conversado com vários investidores interessados no Coritiba e também a diretoria, Conselho Deliberativo, Fiscal e Consultivo tem hoje um grupo de trabalho para debater todas as questões da nova lei e da eventual vinda de um investidor. Pode, sim, acontecer em um futuro próximo, haja vista o potencial que tem o clube”, completou.

Entenda os projetos que tramitam no Congresso

O texto do senador Rodrigo Pacheco (DEM-RJ) tem como intenção a criação de uma estrutura societária específica para o futebol, chamada de Sociedade Anônima de Futebol (SAF), onde a instituição será controlada por duas ações ordinárias, comandada pela diretoria, que terá o poder de decisão independente da diferença de sua cota em comparação com a do investidor. A proposta não prevê refinanciamento de dívidas, mas pleiteia recuperação judicial. Além disso, a tributação será fixada em 5% do faturamento mensal e os contratos trabalhistas não irão sofrer alterações.

Já o projeto de lei da Câmara dos Deputados, que tem o deputado Pedro Paulo (DEM-RJ) como relator, garante incentivo para modelos de negócio comuns no mercado executivo, como a Sociedade Anônima (S/A) e Limitada (LTDA). Apesar da flexibilidade para a escolha do modelo, o texto ainda está em fase de formatação e já teve diversas mudanças. A proposta permite refinanciamento em até 240 meses, com redução de 50% de juros, além de alterações na tributação e no regime de contratos trabalhistas.