
O delegado Luiz Carlos Oliveira, responsável pela Delegacia Móvel de Atendimento a Futebol e Eventos (Demafe), braço da Polícia Civil do Estado do Paraná para cuidar de ocorrências relacionados a jogos de futebol, afirmou que Curitiba precisa ter clássicos com torcida única após os episódios de violência e selvageria registrados antes, durante e depois do Athletiba desta quarta-feira (16).
Oliveira definiu como “lamentável” todos os registros vistos dentro e fora do Estádio Couto Pereira, e apontou que já existe um entendimento entre a Polícia Civil e a Polícia Militar do Paraná de que é preciso agir, e a melhor medida para evitar confrontos como os vistos entre torcedores de Coritiba e Athletico é ter uma só torcida.
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“Foi lamentável. Estivemos presentes e vimos uma barbárie depois de dois anos sem torcedores em clássicos. As pessoas se encontraram no estádio como se fosse um campo de batalha, fazendo ali inúmeras barbaridades, jogando bombas, quebrando o estádio. Em virtude disso, vamos solicitar que jogos dessa magnitude tenha uma torcida única”, disse em entrevista coletiva.
“Nunca se torceu tanto por um 0 a 0”
O delegado da Demafe avaliou que a ideia de dividir torcidas com tamanha rivalidade não funciona e que episódios como os de quarta-feira tendem a ocorrer novamente. Ele acrescentou que as forças de segurança inclusive não possuem o número necessário de homens para conter episódios como os vistos no Athletiba.
“O que aconteceu ontem (quarta-feira) mostra que isso acontecerá futuramente. Nunca se torceu tanto para um 0 a 0, porque se tivesse um gol teríamos um caos, um transtorno. Não estamos preparados para isso, não há efetivo para controlar um jogo dessa maneira, para o qual as pessoas vão como um campo de batalha”, explicou Oliveira.
Apesar do entendimento uníssono entre as duas forças policiais do estado, o Ministério Público do Paraná (MP-PR) será procurado nos próximos dias para participar da discussão e, para Oliveira, a tendência é que a implementação da torcida única em clássicos em Curitiba ganhe força.
“Teremos uma reunião amanhã (sexta-feira) com o major Ribas, comandante do 12º Batalhão da Polícia Militar, e outras pessoas envolvidas nos jogos. Não tivemos contato ainda com o MP-PR, mas temos certeza que virão conosco porque também estavam presentes e viram que não há como conter a barbárie que ocorreu ontem”, comentou o delegado da Demafe.
“Eu não levaria nem a minha esposa e nem o meu filho para um jogo como esse. Vimos várias crianças… tudo com o intuito de achincalhar o adversário, sem ver o jogo. É questão de educação, tem que se passar isso em casa. Ali existe um adversário, não um inimigo. É um jogo de futebol, um entretenimento, um lazer, e as pessoas vão como se fosse um campo de batalha”, complementou.
Ainda sobre o Athletiba, Oliveira revelou que um boletim de ocorrência foi feito pelo Coritiba e que os policiais já iniciaram os trabalhos para, com base em imagens de vídeo, tentarem identificar as pessoas que tenham envolvimento com episódios de violência e vandalismo no Couto Pereira.
Preocupação com Paratiba
Em três dias, Curitiba terá outro clássico entre rivais da capital, envolvendo Paraná Clube e o Alviverde do Alto da Glória, neste domingo (20), às 16h, na Vila Capanema. O delegado da Demafe revelou que a preocupação persiste, sobretudo pela situação do Tricolor no Estadual – último colocado, com apenas quatro pontos e grande risco de rebaixamento.
“A nossa preocupação nesse jogo do fim de semana é que o Paraná está em uma situação delicada, o jogo é na Vila Capanema e a torcida está insatisfeita. Temos que tomar providências, é preciso conscientizar as pessoas que irão ao campo de futebol de que vamos atuar e vamos prender quem tiver uma conduta diferente do que deve ser”, adiantou ele.
Apesar da preocupação, a ideia de torcida única não deverá ser implementada a tempo para o Paratiba, acrescentou Oliveira, que tem uma estratégia já conhecida para evitar que mais episódios de violência ocorram no fim de semana na cidade.
“Seria o ideal (torcida única no Paratiba), mas infelizmente não temos tempo hábil e nem vai existir essa possibilidade. Então vamos tentar conversar com as lideranças, para que as pessoas contenham os seus torcedores e todos entendam que é apenas uma partida de futebol”, concluiu.