Se Shakespeare fosse brasileiro e fã de futebol, talvez adaptasse a célebre frase de Hamlet para a realidade nacional: “Gramado sintético ou gramado natural, eis a questão?”. No debate que parece não ter fim no país, o técnico do Coritiba, Fernando Seabra, também deixou claro seu posicionamento.
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Durante entrevista coletiva após o empate em 3×3 com a Chapecoense, em Santa Catarina, o comandante elogiou o piso da Arena Condá.
“O gramado é o melhor sintético em que já trabalhei. Está no nível do Estádio Nilton Santos, talvez até imite melhor o comportamento da grama natural do que o próprio. Para um sintético, é muito bom”, afirmou o treinador, ao comparar o campo catarinense com o estádio carioca.
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Apesar da avaliação positiva, o comandante alviverde fez ressalvas. “O ideal é sempre um gramado natural de qualidade, porque protege mais os atletas e proporciona o comportamento típico do futebol. Mas vamos jogar em muitos gramados assim. Não pode ser desculpa. Precisamos estar preparados para buscar pontos em qualquer local”, ponderou.
Além da Arena Condá, outros cinco estádios utilizam gramado sintético no Brasileirão 2026: Allianz Parque, Arena Barueri, Arena da Baixada, Arena MRV e Estádio Nilton Santos. O aumento das arenas com piso artificial intensificou a discussão entre clubes, atletas e dirigentes.
Debate sobre gramado sintético e natural coloca clubes e jogadores em lados opostos
Do lado dos atletas, o principal argumento está relacionado às lesões ligamentares, embora não haja comprovação científica definitiva de aumento desse tipo de ocorrência em comparação à grama natural. Por outro lado, clubes que adotam o sintético afirmam que os modelos de alta performance seguem normas da FIFA e oferecem regularidade superior a campos naturais em más condições.
Jogadores como Neymar, Gabigol e Lucas Moura já criticaram publicamente o uso do piso artificial, classificando-o como inadequado para o alto nível e defendendo prioridade à integridade física dos atletas. Recentemente, o camisa 10 do Santos também se manifestou sobre o gramado da Arena da Baixada.
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Além do aspecto esportivo, o debate envolve questões financeiras. Clubes argumentam que o piso sintético facilita a realização de shows e eventos, ampliando receitas. Críticos, como dirigentes do Flamengo, sustentam que o foco estaria se deslocando do futebol para o entretenimento.
