A Banda B realiza uma série de entrevistas com os candidatos a presidência do Coritiba para os próximos três anos. O primeiro entrevistado é Samir Namur, da chapa ‘Coritiba Responsável’. Em participação no programa Balanço Esportivo, o atual mandatário e candidato a reeleição falou sobre os legados da primeira gestão e comentou sobre o planejamento para os próximos três anos caso permaneça no clube.

O candidato João Carlos Vialle, da chapa ‘União Coxa, participa do Balanço Esportivo na próxima quarta-feira (02). Já o candidato Renato Follador, da chapa ‘Coritiba Ideal’, será entrevistado na próxima quinta-feira (03). Todas as entrevistas acontecem no início da segunda hora do programa que começa às 17h.

Confira a entrevista com Samir Namur:

Quais os erros e acertos da primeira gestão?

Não é simples fazer um resumo em poucos minutos de toda uma gestão. Uma gestão com muitos acertos, vários legados que ficam para o Coritiba, mas com erros que foram reconhecidos. Vou tentar mencionar alguns pontos que simbolizam: uma gestão que quebrou uma sequência ruim que o Coritiba tinha de não pagar salários em dia e a nossa gestão fez isso ao longo dos três anos. Isso já traz uma estabilidade mínima para a gestão que vai iniciar em dezembro. Eram 132 ações trabalhistas na gestão anterior e 32 na nossa gestão, a maioria delas vinda da gestão anterior. Uma diretriz que culmina com um legado fundamental para o Coritiba que é o Ato Trabalhista. Clubes grandes do Brasil passaram por isso e é um legado que fica da nossa gestão. Também tivemos investimentos pesados no patrimônio, com a estética do Couto Pereira e o CT da Graciosa completamente diferente com as reformas de todos os gramados, academia nova, vestiários novos e toda a estrutura foi melhorada.

Todo um projeto de valorização e utilização das categorias de base que foram simbolizadas de várias formas. O Coritiba joga a Série A com 1/3 de jogadores das categorias de base. A nossa gestão também bateu recordes de vendas e teve a maior venda da história com o Yan Couto para o Manchester City, além do ótimo negócio com o Igor Jesus. Nós assumimos o Coritiba como um clube que vendeu o Matheus Cunha por 700 mil reais e três anos depois vendeu o Yan Couto por 12 milhões de euros.

A gestão assumiu o clube com seis dias de rebaixamento e deveria ter subido em 2018, mas não subiu. O fato é que conseguimos no segundo ano e agora temos uma dificuldade de permanência na Série A, mas confiantes que esse elenco tem força para permanecer”

Não é uma situação de agora da atual gestão, mas quais os motivos para as campanhas do Coritiba nas últimas edições do Brasileirão, na qual brigou para não cair ou caiu para a segunda divisão?

O que posso colocar como uma situação que se repete em todo esse período e infelizmente muito representativo do que é o Coritiba é o endividamento do clube. A receita que consegue gerar não é suficiente para sanar as dívidas. Eu tenho que chegar em 2020 dizendo que uma gestão pagou os salários em dia. As outras gestões optaram por não pagar em dia e ter elencos mais caros. Fizemos a opção inversa de ter elencos mais baratos para que o clube possa pagar e o endividamento diminua a longo prazo. O Coritiba joga a Série A com uma folha de R$ 3 milhões e caiu em 2017 com uma folha de R$ 5 milhões e problemas. Não tem mágica e mudar simplesmente as pessoas no dia 12 de dezembro não vai implementar uma mágica no dia 13 para contratar mais e melhor. É só com projeto, responsabilidade financeira. Apenas uma proposta fala em continuidade, projeto de captação de receitas com a venda de atletas, e é a nossa chapa.

Em 2017, durante a campanha, vocês fez algumas promessas de fazer algo diferente em relação aos treinadores. Quando você entrou, percebeu que é utópico no Brasil e precisa ‘dançar conforme a música’?

A minha convicção continua a mesma de que o trabalho do técnico para trazer resultado tem que ser a longo prazo. O futebol brasileiro como um todo apresenta dificuldades para manter o técnico sem resultado. Todos os profissionais do dia a dia do futebol, inclusive os próprios técnicos, trabalham com essa ideia de que se o resultado não vier, a mudança acontece após cinco ou seis meses. Com exceção de um, eu foi o último a aceitar a mudança por aceitar o projeto a longo prazo. Um dos técnicos que contratamos e mandamos embora chegou a se despedir dos atletas antes de ser mandado embora.

Como encara a gestão do G5? Até que ponto isso é interessante?

Essa é uma discussão muito importante, precisa ser de forma aprofundada e passa por uma questão estatutária. Eu concordaria em dizer que o sistema do G5 apresenta algumas dificuldades, porque o estatuto institui o G5, mas sem dar nenhum direcionamento para esses dirigentes. Acaba acontecendo uma realidade administrativa que tem cinco presidentes e atuando no dia a dia como se fossem. Os profissionais no futebol têm dificuldades em lidar com isso.

Ninguém lembra de outra gestão que a diretoria permaneceu unida do começo ao fim. Isso mostra uma dose de liderança de quem estava comandando, a solidez e da convicção do projeto. Vale elogiar a nossa diretoria neste sentido.

Em relação ao G5, Eduardo Bastos e Paulo Baggio não estão na chapa. Qual o motivo para a saída dos dois?

Decisões de cunho pessoal e que entendo perfeitamente. A pressão é bastante grande, o dia a dia é bastante difícil. Um tem empresa, outro tem escritório de advocacia e os dois têm filhos pequenos. Foi somente por isso e continuam concordando com nosso projeto. Eles permanecem para o conselho.

De acordo com o matemático Tristão Garcia, o Coritiba tem 77% de chance de rebaixamento para a Série B. O que deu errado neste ano, além da pandemia?

A principal dificuldade foi a pandemia, algo completamente inédito. Clubes com endividamento menor, maior receita, maior poder de receita e situações políticas mais estáveis tiveram mais facilidade para passar por isso. O Coritiba já teria problemas normais e se agravaram com a pandemia. Um exemplo é que Coritiba e Bragantino negociaram com a Globo e em patamar 60, 70% menor. Coritiba planejava R$ 50 milhões e fechou em R$ 22 milhões. Esses R$ 30 milhões só Coritiba e Bragantino perderam e o Bragantino tem outras formas de repor que o Coritiba não tem. Quando toma a decisão de contratar um técnico e tem que mandar embora após dois meses, você reconhece que errou e isso atrapalha.

Na entrevista de apresentação do técnico Rodrigo Santana, você foi sincero e revelou que a chegada do novo treinador foi indicação do empresário do Sabino, Luiz Taveiro. É uma relação salutar um empresário participar dessa situação?

Fui absolutamente transparente e verdadeiro porque foi conduzido de maneira ética e nada feito de errado. O empresário não ganhou um real na negociação. Era uma escolha que já vinha sendo avaliada e ninguém passou a conhecer o Rodrigo Santana porque o Taveiro nos indicou. O que aconteceu é que houve o referendo do nome por alguém com credibilidade com a gestão. Sempre foi muito fácil de trabalhar com Sabino. Eu fui buscar referências com o presidente do Galo, com o Ricardo Oliveira e ainda entrevistamos ele sem compromisso algum. Não foi uma indicação que determinou.

Como foi feita a contratação do atacante Brayan Lucumí, jogador que estava na segunda divisão do futebol colombiano?

O Coritiba nesta reta final de janela de transferências tentou contratar vários jogadores. O próprio Rodrigo indicou alguns jogadores quando chegou aqui e outros estavam na análise do departamento de futebol. O momento trouxe várias dificuldades. O Coritiba esgotou a cota de cinco transferências da Série A, câmbio alto dificulta para Europa e Ásia. Um nome que a gente queria era destaque na Série B, mas custava um milhão de euros. Atuamos muito no mercado latino-americano, queríamos outro atleta colombiano com característica semelhante ao do Brayan e o problema foi que teria que haver um investimento financeiro. O Brayan já estava mapeado e foi o atleta que conseguimos trazer. O fato do Taveiro ser o empresário foi uma coincidência e quem quer insinuar algo, ele só trouxe Sabino, Rodrigão e Patrick Brey. Outros empresários têm mais jogadores no clube.

O Coritiba recebeu algumas negativas de alguns técnicos antes de acertar com o Rodrigo Santana? Como você viu essa dificuldade em trazer um novo treinador?

O momento é muito representativo. O ano acabando, os clubes às vésperas das eleições, a situação na tabela e o mercado dos técnicos. Muitas vezes o interesse em trabalhar diminui e aceitam trabalhar com salários altos e multas altas. O fato é que entabulamos conversa antes do Rodrigo apenas com o Mozart, que não aceitou. O Coritiba não chegou a receber não de outros profissionais por não ter havido propostas.

Qual sua ideia a partir de agora em uma possível reeleição com três anos de experiência e uma vivência maior da realidade do Coritiba?

A noção que tinha há três anos era de um mandato nos Conselhos Deliberativo e Fiscal. É fundamental e tinha que ser exigência no estatuto. Aquilo já me dava alguma experiência e após três anos, a experiência é ainda maior. Não tem ninguém no Coritiba mais experiente do que eu por ter gerido o clube nos últimos três anos.

A próxima gestão tem que começar obrigatoriamente pela questão financeira, mas só pagar dívida não resolve. Precisa permanecer na Série A, buscar calendário internacional e melhores campanhas na Copa do Brasil. Por isso é necessário investir no futebol a curto prazo e é fundamental um projeto de sequência com venda de atletas. A nossa gestão vendeu R$ 57 milhões em atletas, tem 11 jogadores da base e fez boas negociações. O nosso principal compromisso é vender 150 milhões nos próximos três anos, desde que haja projeto, sequência. Nos próximos três anos, as missões são: pagar salário em dia, cumprir o ato trabalhista, vender R$ 150 milhões e permanecer na Série A.

A sua chapa trabalha com o planejamento pensando em um possível rebaixamento para a Série B?

O nosso planejamento segue sendo com o Coritiba na Série A. Os salários estão em dia, tem estrutura e o elenco tem condições de estar em uma situação melhor. Ainda é possível se recuperar e temos uma confiança que esse elenco se recupera e deixa o Coritiba na Série A, além de brigar por uma vaga na Sul-Americana. Não fizemos nenhum projeto considerando o rebaixamento.

Por que acredita que deve ser reeleito?

Eu sempre digo que não peço voto, mas que o sócio participe. Ao participar, o sócio tem que ler os planos de metas, veja as entrevistas e peça enfaticamente sem os debates. Candidato que foge do debate não tem legitimidade para ser presidente do Coritiba. Sócio vote com embasamento e que as três propostas são completamente diferentes. Apenas uma proposta fala em longo prazo e com responsabilidade financeira.