Desde que a janela de transferências se abriu no futebol brasileiro na semana passada, o Coritiba vem se movimentando no mercado. Mas não do jeito que o torcedor queria. Até aqui, ninguém chegou, mas quatro jogadores já saíram: os volantes Arilson e Andrey e os atacantes David da Hora e Leandro Damião.
Oficialmente, as saídas seriam para liberar espaço no elenco e reduzir a folha salarial na busca por reforços para a sequência da temporada. Porém, elas mais escancaram os erros do clube do que uma correção na rota traçada.
Destes quatro nomes, três deles chegaram no começo do ano. E com status de grandes contratações. Arilson foi um dos destaques do acesso do Criciúma no ano passado e vinha para dar experiência vencedora de Série B ao grupo. Era titular ao longo do Paranaense, mas depois que se machucou não teve mais oportunidades. Pior, foi negociado com um concorrente direto pelo acesso, o atual vice-líder Vila Nova.
Já Leandro Damião chegou como principal contratação, em termos de nome. Nos dois primeiros jogos, dois gols. Depois, caiu de produção, mas era visto como um líder para este time e com a troca da comissão técnica também perdeu espaço. Assim como David da Hora, que nunca se firmou na equipe, mas o Coxa desembolsou R$ 4 milhões por 50% dos direitos econômicos dele, para depois emprestá-lo ao Juventude.
Andrey deixa o Coritiba
Por fim, na última quinta-feira (18) o Coritiba anunciou o empréstimo do volante Andrey, que fez apenas sete jogos em 2024, sendo só um como titular. O jogador era um dos que queria ir embora após o rebaixamento no Brasileirão, mas acabou ficando.
Ou seja, ao abrir mão dessas peças, o Alviverde admite que errou na primeira janela do ano. Mas pagou caro por isso, em termos de dinheiro, e pouco retorno em campo. E agora tem que recomeçar quase do zero, com praticamente metade da segunda divisão já passada.
O que deixa claro que as medidas estão sendo tomadas após as mudanças na diretoria, com a saída do CEO Carlos Amodeo e o diretor de futebol Paulo Autuori ganhando mais poderes, e também com o técnico Fábio Matias refazendo o elenco que havia sido construído com o aval de Guto Ferreira, em janeiro.
Reformulação ou disputa de egos?
Em outras palavras, a sensação é que o Coritiba quer deixar para trás tudo que foi feito no primeiro semestre. Mas seria uma constatação que as coisas não foram bem feitas ou seria uma disputa de ego para provar que quem está ali é melhor do que quem saiu?
De qualquer forma, é o Coritiba que paga a conta. Afinal, existem peças melhores no mercado? Até aqui, nada de contratações. E se Autuori quer mostrar serviço, precisa trazer jogadores melhores do que os que foram liberados. Mas a cada dia, a corrida contra o tempo aperta. E se não conseguir o acesso, seguirá o mesmo caminho de seus antecessores.