Gustavo Morínigo - CoritibaGustavo Morínigo já acompanhou a partida do Coritiba contra o Goiás. (Geraldo Bubniak/AGB)

A aposta da nova diretoria do Coritiba para comandar a equipe é o paraguaio Gustavo Morínigo, de 43 anos. Com oito anos de carreira, o técnico teve campanhas de sucesso em Nacional e Libertad, ambos do Paraguai, incluindo o título do Torneio Apertura em 2013 e a ida para a final da Libertadores em 2014.

Com bons trabalhos no Paraguai, Morínigo terá a primeira experiência fora do país natal. De acordo com o jornalista Joza Novalis, especialista em futebol latino-americano, a contratação do paraguaio foi um “ato de coragem do Coritiba”.

“Primeira coisa que veio na minha cabeça foi o ato de coragem do Coritiba em buscar um técnico diferente, pouco conhecido no Brasil, mas com muito futuro e estudioso do futebol. Tem grandes campanhas no Nacional, entre 2012 e 2015, com direito ao vice da Libertadores em 2014, nas categorias de base da seleção paraguaia e na Libertadores pelo Libertad. Entende muito de esquema tático e está a todo mundo trabalhando ou estudando futebol”, comentou Novalis, em entrevista à Banda B.

Morínigo costuma trabalhar com o esquema 4-3-3, mas que pode variar de acordo com o momento da partida ou o adversário. “Ele costuma jogar com o 4-3-3 que vira 4-2-3-1 ou 4-4-2, mas depende da situação. O 4-4-2 tem uma linha muito próxima na marcação e dois homens na frente. Em algumas situações usa somente um homem na frente. Mas gosta sobretudo do 4-4-2 com dois homens na frente e duas linhas muito compactuadas protegendo o seu campo”, explicou o jornalista.

Os principais trabalhos

Nacional-PAR

Um ano após se aposentar dos gramados, Morínigo iniciou a carreira de treinador no Nacional-PAR. O auge do trabalho foi em 2014, quando o clube paraguaio chegou à final da Libertadores pela primeira vez na história, mas perdeu a decisão para o San Lorenzo com empate em 1 a 1 e derrota por 1 a 0.

“Os pontos fortes eram o contragolpe muito rápido, a capacidade de se adaptar aos seus adversários, o entendimento do que era cada jogo. As equipes do Morínigo entram em campo sabendo o que é cada jogo. Os jogadores são muito empoderados do que significa cada partida. Aquela equipe tinha uma transição muito rápida para o ataque, sabia jogar pelos lados do campo e explorar o pivô, algo que pode fazer com o Ricardo Oliveira. Mas havia situações que o Nacional colocava o outro time na roda e com mais posse de bola. Ele sabe jogar de qualquer forma, com ou sem a posse de bola”, disse Novalis.

“O lado fraco daquela equipe era que os jogadores acreditavam excessivamente em sua condição física. A coisa era tão bem feita que virava um problema. Os jogadores tinham excesso de auto confiança e às vezes falhavam na disputa do meio de campo”, complementou.

Libertad

Após deixar o Nacional-PAR, o treinador teve uma curta passagem pelo Cerro Porteño e trabalhou nas categorias de base da seleção paraguaio. Ele voltou a trabalhar em clube em setembro do ano passado, quando aceitou o convite do Libertad. Em apenas seis meses, foi às quartas de final da Libertadores, mas não teve muito sucesso no Campeonato Paraguaio.

Segundo Novalis, o trabalho do Morínigo no Libertad deixou a lição de que ele passa aos jogadores que não se deve temer nenhum adversário. “O trabalho no Libertad também teve esquema privilegiado o 4-4-2 e explorava muito o trabalho do Cardozo, um centroavante veterano, mas que sabia trabalhar bem o pivô. Gostava de trabalhar bem os contragolpes. O que mais via naquela equipe era a personalidade dentro de campo”, falou.

“O Libertad jogava contra qualquer adversário sem ter medo e tinha uma luta constante pela bola, uma disputa em todas as divididas. O ponto fraco daquela equipe era o jogo aéreo. Não era um problema do técnico, mas dos zagueiros. Acredito que desde o primeiro jogo no Coritiba, ele vai tentar colocar na cabeça dos jogadores que não se deve temer o adversário. Esse é um lema do Morínigo. As equipes que ele comandava não deve temer o adversário de forma alguma”, acrescentou.

“Grande contratação”

O jornalista completou que o Coritiba fez uma grande contratação e acredita que Morínigo terá um futuro brilhante no futebol. “Paciência e tempo são fundamentais. O Morínigo é um tipo de técnico que já imprime a sua marca desde o começo e consegue convencer os jogadores rapidamente sobre as suas propostas. É um cara que sabe conversar muito. Trata-se de um técnico com um futuro brilhante no futebol e o melhor técnico paraguaio disparado. Tende a fazer muito sucesso no futebol. Ele sabe que o Coritiba briga contra o rebaixamento e vai preparar a equipe para lidar com esse desafio. O Coritiba fez uma grande contratação”, finalizou.