Eram 23h31 quando o árbitro apitou o final da partida da derrota do Coritiba por 1×0 para o Sport, na última sexta-feira (3), no Couto Pereira. Uma hora e 12 minutos depois, o Coxa anunciou a demissão do técnico Guto Ferreira e seus auxiliares. Na explicação, o executivo de futebol, Willian Thomás, alegou que a decisão não foi tomada exclusivamente pela derrota para o time pernambucano, mas sim por todo um balanço feito sobre a passagem do treinador.

Então, se já existia uma possibilidade de queda, qual foi o motivo de levar mais de uma hora para o anúncio? Houve uma conversa com o Guto no vestiário? O treinador tentou convencê-los que podia ficar? Houve uma tentativa de acordo em relação à multa rescisória? Somente a diretoria se reuniu para tomar a decisão?

Respostas que não tivemos, à medida que só o dirigente foi se pronunciar, sem abrir espaço para perguntas. Aliás, esse vem sendo um costume da SAF do Coritiba, que prometeu transparência e clareza, mas nos momentos de crise se omite.

O próprio CEO do Alviverde, Carlos Amodeo, esteve na sala de imprensa após a partida, mas preferiu não fazer o pronunciamento. Agora era hora de dar respostas para a torcida, e não aparecer só quando a fase é boa.

Erros já vistos anteriormente no Coritiba

E temporada após temporada, o Coritiba segue cometendo os mesmos erros. É evidente que uma decisão precisava ser tomada, mas mostra que nem a diretoria tem convicção no que está fazendo.

Quando o Coxa foi eliminado do Paranaense, e já vinha de uma queda vexatória na Copa do Brasil, optaram por manter Guto Ferreira por acreditarem no projeto e viam uma evolução. Afinal, ele participou diretamente da construção do elenco, desde novembro de 2023. O treinador, então teve 26 dias apenas para trabalhar, ajustar os erros e mostrar serviço. Bastaram três jogos em 12 dias, com uma única derrota, para mudarem de ideia e jogarem no lixo um mês da temporada.

Se, de fato, confiavam tanto em Guto, então que dessem respaldo a ele. Inclusive, na Série B, o time não apresentou nada de diferente em relação aos primeiros dois meses da temporada. Se aquilo foi suficiente para mantê-lo no cargo com uma intertemporada pela frente, porque agora não foi mais?

Novo técnico não terá margem para erro

Caso tivessem optado pela troca logo após a eliminação para o Maringá, o novo comandante teria tempo para conhecer o grupo, trabalhar e colocar em prática sua metodologia. Agora, quem assumir, terá que trabalhar com o campeonato em andamento e sem margem para erro. Afinal, o futuro do Coritiba passa diretamente pelo acesso.

Ou será que Guto só foi mantido por falta de opção no mercado? Quem poderia responder isso é Carlos Amodeo, que só prefere falar com a torcida nos bons momentos. Em meio às semifinais do Paranaense, a Banda B pediu uma entrevista com o dirigente e a resposta do departamento de comunicação foi que ele falaria caso o Alviverde fosse para a final.]

Porquê não falar após a eliminação? É nesta hora que a torcida quer respostas, esclarecimentos. Falar só quando a fase é boa é pedir para ganhar elogios apenas, ganhar confete. Na hora que o momento é delicado é que é necessário mostrar o que está sendo feito. A Banda B segue de portas abertas.

Coritiba inicia novo ciclo

De qualquer forma, a SAF vai mostrando muitos erros que uma gestão dita como profissional não pode cometer. Falhas repetidas dos tempos de associação. Quem não lembra que António Oliveira ano passado passou pela mesma situação?

Eliminando nas quartas do Paranaense, teve tempo para treinar e logo após a estreia no Brasileirão, fora de casa contra o Flamengo, foi demitido. Qual a coerência? O clube não aprende com os próprios erros e segue o mesmo caminho, que, claramente, não está surtindo resultado.

Nesta segunda-feira (6), o Coritiba começa um novo ciclo em 2024. Inicialmente, com o auxiliar James Freitas comandando os treinamentos, até um novo treinador ser contratado. No sábado (11), já tem um novo desafio, contra o Avaí. E o que se espera é um Alviverde com outra postura em campo e mostrando que é, de fato, candidato ao acesso.

Carlos Amodeo, SEO do Coritiba
Carlos Amodeo não se pronuncia há quase dois meses e Coxa se atropela em erros de decisão. Foto: Divulgação/Coritiba

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Coritiba repete mesmos erros e SAF mostra não ter convicção no trabalho

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