A Banda B encerra uma série de entrevistas com os candidatos a presidência do Coritiba para os próximos três anos. O último entrevistado é Renato Follador, da chapa ‘Coritiba Ideal’. Em participação no programa Balanço Esportivo, o candidato promete modernidade na gestão caso seja eleito o presidente.

O candidato Samir Namur, da chapa ‘Coritiba Responsável’, participou de entrevista na Banda B no dia 30 de novembro. Já o candidato João Carlos Vialle, da chapa ‘União Coxa’, foi entrevistado no Balanço Esportivo no último dia 02.

Confira a entrevista com Renato Follador:

O que você espera encontrar no Coritiba se assumir a presidência?

O que vou encontrar é o que a imprensa tem divulgado reiteradamente. É uma situação terrível no ponto de vista de momento no Campeonato Brasileiro, uma situação terrível de endividamento e vamos ter que fazer um amplo trabalho de profissionalização mudando radicalmente a gestão. Eu trabalho há 34 anos com planejamento a longo prazo e passei a respeitar o planejamento. Quem planeja tem futuro. O Coritiba não tem planejamento há muito tempo e a administração é feita por crise. A partir do momento que surge o problema, você vai lá e busca um paliativo. A situação é difícil, mas temos uma equipe que já demonstraram ter enorme capacidade e competência para gestão. Vamos a partir da nossa entrada, se ganharmos a eleição, trilhar o caminho certo baseado no planejamento e no que acreditamos. Nós temos certeza que o quadro ruim, mas podemos trabalhar alegria para a torcida. Temos um projeto de 15 anos, mas o Follador vai ficar só três. As mudanças estruturais exigem tempo e vamos trabalhar junto ao Conselho para a mudança do estatuto.

No planejamento, qual a sua opinião e até onde acredita que pode chegar no futebol? Como esse existe um planejamento a médio longo prazo, o que o torcedor pode esperar do Coritiba nos próximos três anos em campo?

Não vejo o Coritiba como um clube, mas uma instituição de futebol. A nossa prioridade é o futebol. Nesse quesito, eu digo que tudo isso é má gestão do futebol e de uma diretoria que não entende de futebol. Sempre falei nas minhas entrevistas que a diretoria é séria, bem intencionada, pessoas corretas mas não entendem de futebol. Eles terceirizam o futebol nos últimos anos para um empregado do clube que era o diretor de futebol. O Rodrigo Santana mandava não só no futebol, mas em diversas áreas do clube. Quando tem uma pessoa competência em função como essa, pode dar certo temporariamente. É impossível fazer 56 contratações e apenas cinco permaneceram. Tem mais de 90% de erro.

Qualquer clube hoje de primeira ou segunda divisão tem software de gestão, acompanha os fundamentos dos jogadores. O Coritiba sempre teve à disposição a confraria de ex-jogadores que poderia ser olheiros das categorias de base e nunca fizeram isso. A gente começa a mudar o Coritiba pela própria estrutura organizacional e não existe no nosso planejamento a figura do diretor de futebol todo poderoso. Existem três coordenadorias que são captação, avaliação e performance, um diretor executivo de nível internacional e o Conselho Administrativo com pessoas que já jogaram futebol e entendem de bola, vestiário e cabeça do jogador. Vai ser muito difícil errar usando a tecnologia, vários treinadores das categorias de base. A torcida pode esperar profissionalismo, time que vai entrar em campo para ganhar. Se tiver em uma noite ruim, vai pelo menos correr. Não vai ser que nem foi contra o Bragantino. O treinador parece que tem sangue de barata e nem motivou os jogadores. Uma vergonha ver o Coritiba jogando dentro de casa como foi. Podem esperar um time guerreiro e que jogue para ganhar. Não queremos um treinador covarde e não teremos ‘Jorginhos’ da vida.

Em relação às três coordenadorias, iria tirar o diretor de futebol? Gostaria que explicasse como vai funcionar principalmente sobre as contratações.

Os três coordenadores não vão cuidar apenas do futebol, mas das categorias de base também. Isso traz uma vantagem enorme que facilita a transição do jogador de uma categoria inferior para superior. Somado isso a tecnologia e aos mentores que amam o Coritiba, nós teremos treinadores que precisam conversar entre si, principalmente o do profissional com o das categorias de base. O Barroca ficou três, quatro meses e nunca assistiu nenhum jogo ou treino das categorias de base. Dias antes de ir embora, ele pediu para contratar o Jonathan, mas nós temos uma joia que é o Natanael. Cada vez que traz um jogador deste nível, a joia que precisa estar nessa vitrine, adquirir maturidade, vai ficando na reserva.

A intenção é integrar o estilo de jogo?

Eu fiz fisioterapia há 20 anos no Barcelona e vi como funciona as canteiras. Na ocasião, o treinador do sub-11 tinha que adotar a mesma metodologia do Cryuff. Quando o jogador fica sete, oito anos atuando da mesma maneira, ele já sabe a função tática dele e aprimora os fundamentos dele. É muito importante isso no futebol para que possa não só formar jogadores para jogar como o time principal e não sintam essa transição, como por exemplo pegar treinador retranqueiro, covarde quando jogava atacando na base. O perfil do treinador tem que ser moderno, que acredite em tecnologias, e tenha títulos. O Coritiba pode não parecer agora, mas é um clube grande. Acabou a figura daquele treinador que vem com várias pessoas, claro que pode chegar com um ou dois, mas o restante é a equipe permanente do Coritiba. Ele vai ter que dialogar e a palavra dele não é a final. Vai ter que passar pelos três coordenadores, consultar o software de gestão, passar pelo diretor de futebol e ainda ser aprovado pela diretoria. Não é um processo demorado. Faz com que as finanças entre nos eixos, tenha 35 jogadores, com um terço nas categorias de base e outros jogadores que usem o Coritiba como vitrine, mas que nos ajude a ganhar vitórias e títulos e duas ou três estrelas.

A estrela é fundamental não apenas dentro de campo, mas também dá um patrocínio melhor, permite uma negociação diferente de direitos de transmissão, aumenta número de sócios e bilheteria e atrai bons jogadores. Imagina um Miranda jogando no Coritiba. Até hoje um liga pro outro, pergunta se tá pagando em dia e como está a diretoria. Hoje em dia, especialmente com a pandemia, os valores são importantes, mas não no tamanho que era antes. O jogador quer ver projeto e contrato a longo prazo. O Felipão só aceitou ir para o Cruzeiro porque assinou contrato de três anos.

Você jogou em uma época vitoriosa no Coritiba nos anos 70. Acredita que dá para reeditar com pouco dinheiro?

Eu fui tricampeão juvenil, tricampeão da Copa Tribuna e mais quatro vezes campeão paranaense. É muito difícil hoje pela competitividade do futebol, mas é possível administrar com menos dinheiro e ter uma equipe competitiva. Vamos chegar em fevereiro com 90% dos jogadores sem contrato e a maior despesa de um clube de futebol é o salário de jogador e técnico. A partir do momento que tem uma folha quase que zerada, você vai poder remontar um time do zero, mas não significa que quem está lá não está bom. Eu vejo muitos talentos no Coritiba e até mandei mensagem que joguem por vocês, pelo Coritiba e por nós. Nós vamos ser justos, quem demonstrar valentia, amor e respeito pelo clube, vamos recompensar. Não vamos ter 60 jogadores, mas 35 bem contratados com contrato mais longo. Existem duas formas de ajustar o orçamento: aumentar a receita que depende de credibilidade e gastar melhor. Felizmente, neste sentido de gastar melhor, a diretoria está indo bem renovando só até o final do Campeonato Brasileiro em fevereiro e isso merece aplausos. Falo mal no quesito de futebol, mas não nos aspectos morais. Essa forma deles enxergarem para que uma diretoria possa começar praticamente do zero.

A gestão do Samir Namur fez a promessa de campanha que faria diferente dos outros e não conseguiu com uma média de treinadores. Como isso pode ser corrigido?

A raiz de tudo está na contratação. Quando tem critérios na contratação, profissionais para que tenha um consenso, a possibilidade de errar é minimizada ao máximo. Se tem um planejamento, não pode rasgar a cada derrota. O planejamento só dá certo com execução. Muita gente acha que torcida de clube é burra, mas é ao contrário e percebe as coisas antes da diretoria. Se montar time competitivo, a torcida pode saber que não vai dar nos primeiros meses, mas vai frutos mais para frente. Existe um exemplo muito caro que é o Fernando Diniz. Onde estaria o São Paulo agora? No quarto técnico. Aí tem que contratar quem está dentro do perfil estratégico e contratando alguém que paga pouco mais. O que faria após a saída do Jorginho? Contrata o melhor. Ninguém percebeu que a diferença de nível de treinador significa R$ 50 milhões no ano seguinte? O que representa pagar pouco mais para um treinador e acenando com um projeto a longo prazo como foi com o Felipão no Cruzeiro? A partir do momento que você começa a tomar decisões certas, não significa que vai acertar 100%, mas começa a colocar o trem no trilho. Alguma coisa começa a dar certo e quando começa essa onda de positividade, contagia. Já vimos isso no Coritiba no período do Vilson com 30, 35 mil pessoas gritando no estádio. Se voltar para quando a gente caiu para a segunda divisão, foi um desastre. O torcedor é o companheiros mais fiel do clube e está nas horas boas e ruins. Não vamos onerar mais o atual sócio do clube e vamos tentar dobrar o número de sócios do Coritiba. Com resultados e nova forma de administração, temos condições de fazer isso.

Independente do resultado contra o Sport, o Coritiba estará na zona de rebaixamento na próxima rodada. Como será o gerenciamento da crise dos próximos dois meses e meio? Tem tempo viável para tirar o Coritiba do rebaixamento?

Acredito. Eu acho que precisa de choque no vestiário e sinto que há necessidade de maior confiança para o plantel. Os ex-jogadores já entrariam neste momento e seria importante para esse choque. Esse é o plantel que vão jogar e quero que eles me mostrem para renovar. O treinador tem duas partidas para mostrar e espero que consiga as vitórias em Recife e em casa. Se ganhar as duas partidas e com a possibilidade de engatar a terceira, vamos dar tempo. Nós vamos ser justos. Ele tem que ganhar para o clube, para os jogadores e para ele. Não existe outro resultado a não ser a vitória em Recife e no outro jogo também. Aí vou sentar com o diretor executivo, com os coordenadores e com o próprio [Paulo] Pelaipe que está no clube para ver se estamos em uma rota ascendente. Se o Coritiba engatar três vitórias com uma diretoria nova, coordenadores novos, gente competente e que está trazendo ar de esperança, isso pode significar estar disputando até a Sul-Americana.

O G6, somando o Vilson Ribeiro de Andrade, tem nomes de muito impacto. Em 2014 teve um G5 também com nomes de maior impacto, mas não deu certo. Você teme algo assim ou a união de vocês está muito forte?

A gestão do Bacellar, de quem sou amigo, foi muito prejudicada porque trouxe um vice-presidente de cada lugar. Era uma equipe que não estava unida no projeto e não havia planejamento comprado por todo mundo. O que nos une é o planejamento.

Por que Renato Follador deve ser o presidente do Coritiba?

Não é apenas o Renato Follador, mas uma equipe. O Coritiba tem o privilégio de encontrar profissionais de diversas áreas e com história. Eu estou aposentado e só estando dando consultoria. O Juarez também se aposentou e o próprio Marcelo Almeida tem mais tempo. Você tem gente com tempo, história e competência para se dedicar ao clube. Temos nomes expressivos que vão atuar conosco e de graça. A torcida do Coritiba não deve votar pelo Follador, mas pelo projeto e pela equipe.