Foto: Coritiba/Divulgação

Em 1989, o Coritiba montou uma das maiores equipes da história do futebol paranaense. O time comandado por Edu Coimbra, irmão mais velho de Zico, tinha como seus pilares o goleiro Gerson, os meias Tostão e Serginho Cabeção, além do atacante Chicão. O alviverde venceu o finado União Bandeirante, na grande final, e conquistou o 29° título Paranaense de sua história.

Mas aquele seria o primeiro capítulo de uma seca de conquistas que durou exatos dez anos. A década de 1990 foi cruel para a torcida coxa-branca. Com o surgimento do Paraná Clube, em dezembro de 1989, que conquistaria seis títulos na década (1991, 1993, 1994, 1995, 1996 e 1997), além das conquistas de Londrina (1992) e Athletico (1998), o Coxa, maior vencedor do futebol paranaense, viu sua hegemonia ser ameaçada pelos adversários.

O time seria vice-campeão por três vezes naquele período (1995, 1996 e 1998) e ainda perderia o título da Série B, de 1995, para o maior rival, o Athletico de Paulo Rink e Oséias.

Era neste cenário que o Coritiba começava a temporada de 1999, muito desacreditado e atrás dos dois principais rivais. Abel Braga foi o escolhido para o comando técnico do Verdão no torneio, que brindaria o atacante Cléber como artilheiro do Estadual.

Na final, em três jogos, o Coritiba venceu o Paraná no Couto e empatou por 2×2 nas outras duas partidas, na Vila Olímpica e no Pinheirão, o que bastou para que o Coxa erguesse a taça após uma década de insucessos no futebol regional.

Campanha

Na primeira fase, doze times disputaram o Paranaense de 1999 em turno único. Os oito melhores clubes foram classificados para as quartas de final. O Paraná Clube terminou com a melhor campanha classificatória, com 29 pontos, quatro a mais que o Coritiba. Nesta fase, a dupla Paratiba se enfrentaria naquela que seria a maior goleada da história do clássico: 6×2 Paraná na Vila Olímpica. Mas, no final, o Coritiba iria rir por último.

Fase Mata-mata

Nas quartas de final, o Coxa enfrentou o União Bandeirante e venceu ambas as partidas pelo placar de 2×0. Classificada, a equipe enfrentou o Athletico nas semifinais e se impôs tanto no Pinheirão quanto no Couto Pereira: 2×1 fora de casa e 1×0 no Couto Pereira. Yan, Sinval e Cléber seriam os heróis coxas-brancas no Atletiba.

Do outro lado, o Paraná precisou eliminar o Rio Branco, de Paranaguá, e o Malutrom até chegar à grande final.

Final

Na época, o Paranaense era decidido por uma final dividida em três partidas, que foram disputadas no Couto Pereira, Vila Olímpica e Pinheirão, respectivamente. Três empates dariam o título ao Paraná Clube, dono da melhor campanha na primeira fase.

Com 40 mil pessoas no Alto da Glória, no dia 27 de junho, o time comandado por Abel Braga venceu o Paraná por 1×0, com um bonito gol de Cléber, de voleio, aos nove minutos do segundo tempo. A vantagem agora passava para o lado coxa-branca, que dependia de dois empates para levantar o caneco.

Dez dias depois, no dia 7 de julho, a segunda partida da final foi disputada com mando paranista, na Vila Olímpica. O Tricolor abriu vantagem de 2×0 em quatro minutos, com Washington e Branco, mas cedeu o empate nos minutos finais, com os gols de Reginaldo Araújo e Robert.

Na grande final, jogada no estádio do Pinheirão, no dia 10 de julho de 1999, a história se repetiu: os paranistas marcaram duas vezes ainda nos primeiros quinze minutos de jogo, com Reginaldo Vital e Washington, mas não seguraram o ímpeto coxa-branca, que empatou a partida com os gols de Cléber e Darcy, aos 32 minutos da etapa final.

As duas remontadas deram o 30° título da história coxa-branca.

Ouça o gol do título, narrada pelo histórico Edgar Felipe na Banda B:

Escalações

Coritiba 2×2 Paraná – Estádio Pinheirão (10/07/1999)

Paraná: Régis; Wilson (Émerson), Adílson, Milton do Ó, Reginaldo Vital; Branco (Ednan), Valdeir (Lúcio Flávio), Fernando Diniz, Élcio; Washington, Ilan. Técnico: Márcio Araújo.

Coritiba: Gilberto; Reginaldo Araújo, Leonardo, Sandro, Fábio Vidal (Jackson); Struway (Darcy), Ian (Betinho), Luís Carlos, Sinval; Cléber, Reginaldo Nascimento. Trainer – Abel Braga.

Gols: Reginaldo Vital (3′ ) e Washington (15′ ) [Paraná]; Cléber (25′ ) e Darcy (77′) [Coritiba].

Relembre o jogo final, no Pinheirão: