Uma sucessão de erros. Assim pode se resumir o planejamento do Coritiba para 2023, que já começou errado ainda no final de 2022. No dia 9 de dezembro, poucas horas do Brasil entrar em campo contra a Croácia, pelas quartas de final da Copa do Mundo, o Coxa pegou a todos de surpresa ao anunciar a demissão do técnico Guto Ferreira. Isso um mês depois do término do Brasileirão.

Guto foi um dos responsáveis por salvar o Alviverde do rebaixamento no ano passado, mas a diretoria viu em António Oliveira um nome melhor no mercado e via nele mais potencial do que o ex-comandante. Só que em meio a tantos erros, o que deveria ter o maior respaldo no clube, foi o que ficou menos tempo no comando.

António Oliveira comandou o Coritiba em 17 jogos. Somou sete vitórias, sete empates e três derrotas, números muito melhores que Antônio Carlos Zago e Thiago Kosloski, que vieram na sequência e com um aproeitamento muito inferior. É verdade que o atual treinador do Cuiabá teve pela frente Campeonato Paranaense, Copa do Brasil e só uma partida no Brasileirão, mas não amargou 12 jogos sem ganhar, caso de Zago, e oito derrotas consecutivas, como Kosloski.

Coritiba mudou todo o planejamento para ter António, mas não deu respaldo

Dos três, o primeiro foi o único que veio de caso pensado, sem a diretoria ter que correr contra o tempo para achar um substituto. Só que, após um começo promissor, António foi vendo o desempenho cair, sendo eliminado nas quartas de final do Paranaense e passando pelo Criciúma nos pênaltis na Copa do Brasil. E se viu sem suporte na hora de buscar contratações para o elenco.

António Oliveira, então técnico do Coritiba
António Oliveira deixou o Coxa com números melhores que seus sucessores. Foto: Divulgação/Coritiba

O técnico havia indicado o volante Raniele, então no Avaí, e os atacantes Pitta e Deyverson. Os valores foram considerados altos pelo Coxa, que até negociou, mas acabou não chegando a um acordo. Os três, atualmente, são destaques do Cuiabá e são comandados justamente por… António Oliveira, que não teve respaldo e acabou sendo demitido do Alviverde em abril após uma sequência de seis jogos sem ganhar, com três empates e três derrotas, que culminaram com uma enorme pressão da torcida.

Erros nas contratações

Antes mesmo de se tornar SAF, o Coritiba resolveu ousar mais no mercado e fez de 2023 o ano do maior investimento da sua história. No total, gastou quase R$ 37 milhões para trazer 29 jogadores. Só que o dinheiro foi mal aplicado, uma vez que boa parte destes reforços nem estão mais no clube, enquanto outros são pouco aproveitados.

Entre os que se firmaram estão o zagueiro Kuscevic, os volantes Bruno Gomes e Sebastian Gómez, o meia Marcelino Moreno e o atacante Robson. Pelos cinco, o Coxa desembolsou R$ 24,2 milhões, mais de 65% do total gasto em toda a temporada. Só que não foi o suficiente para fazer jus ao montante investido para formar o elenco.

Na segunda janela, em julho, o Alviverde foi novamente ao mercado e trouxe um verdadeiro pacotão, entre eles Sebastian Gómez e o atacante Slimani, os únicos que vingaram. Ao invés de trazer várias peças, podia ter focado em nomes mais caros, mas que chegassem para resolver.

Rodrigo Pinho em ação pelo Coritiba
Rodrigo Pinho chegou com status de camisa 9 e foi afastado ao longo do ano. Foto: Divulgação/Coritiba

Coritiba focou mais no extra-campo

Apesar do alto investimento, o foco da diretoria do Coritiba em 2023 foi nos bastidores e na marca. A venda para se tornar SAF tomou a maior parte do tempo e para atrair investidores, resolveu reformular o seu símbolo. Ideia que surgiu em janeiro, mas que parou em fevereiro, após não ter muito apoio da torcida.

O receio de não ter a mudança do escudo aprovada fez a diretoria adiar a Assembleia Geral e, desde então, a proposta foi jogada para debaixo do tapete. Nunca mais se tocou no assunto e a energia gasta ali não mudou em nada o ambiente do clube, que meses depois se tornaria SAF em parceria com a Treecorp.

Aliás, a empresa nem tinha assumido o clube de forma oficial, mas já trabalhava reformulando a diretoria. Trouxe Arthur Moraes, head de futebol, e Carlos Amodeo, CEO da SAF, que passaram a comandar todo o futebol do Coxa, tendo quase carta branca para tomarem todas as decisões.

Sem rumo

Diante de tantas mudanças, a então diretoria da associação do Coritiba, encabeçada por Glenn Stenger, pareceu ficar sem função dentro do clube e, pouco a pouco, foram perdendo espaço. Em um ano tão ruim, com números tão negativos, apesar das promessas e dinheiro gasto, ninguém mais se manifestou, principalmente após a SAF sair do papel.

O Coxa parece ter se preocupado com decisões menos relevantes e perdeu o timing para colocar a casa em ordem. E quem ficou com a bagunça foi o torcedor, que até agora não sabe se os responsáveis pelo péssimo 2023 é da Associação coxa-branca ou da Treecorp, que tanto fala em estrutura, mas gastou também de forma errada para montar o grupo que não trouxe os resultados esperados.

Glenn Stenger, atual presidente do Coritiba
Presidente do Coxa, Glenn Stenger desapareceu dos holofotes depois que a SAF foi constituída. Foto: Divulgação/Coritiba

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Rebaixamento do Coritiba é fruto do erro de planejamento, que começou antes de 2023

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