Por Felipe Dalke

Neste domingo (30), o Esporte Banda B inaugura um quadro de entrevistas com personalidades do futebol para justamente falar sobre o esporte bretão, amado pela maioria dos brasileiros. Na primeira edição do Papo da Galera, ninguém menos do que o craque Alex, que está prestes a encerrar a sua carreira vestindo a camisa do Coritiba, time que o projetou para o cenário do futebol mundial.

Esporte Banda B – Faltam alguns dias para você finalmente pendurar as chuteiras e essa pergunta é inevitável: o que você faria de diferente? O que você mudaria na sua carreira se pudesse?
Alex – Nada! Fiz o que tinha que ser feito, fui honesto em meus princípios e aprendi muito, mesmo quando eu estava triste devido a qualquer fato negativo eu aprendi bastante. Então, por isso, eu não mudaria nada na minha carreira.

Esporte Banda B – Você foi campeão no Palmeiras, foi campeão no Cruzeiro, foi muito campeão no Fenerbahçe e ganhou um título paranaense no Coritiba, time que te projetou para o cenário do futebol. Qual foi a conquista mais marcante na sua carreira e fale um pouco sobre ela.
Alex – Todos os títulos tem a sua importância, então eu acho que seria uma injustiça escolher alguma.

Craque encerra a carreira contra o BahiaCraque encerra a carreira contra o Bahia. (Divulgação/Coritiba)

Esporte Banda B – Como é o Alex fora dos gramados? O Alex pai, o Alex marido… Fala um pouco sobre ele.
Alex – É um cara qualquer. Nada de especial. Eu apenas procurei sempre estar a disposição da minha família.

Esporte Banda B – E você já tem uma ideia de como vai ser o Alex quando parar de jogar? Já sabe a qual vida você vai se dedicar?
Alex – No início vou descansar e participar do dia-a-dia da minha família e aí com toda essa tranquilidade vou decidir o que fazer do meu futuro.

Esporte Banda B – Nos últimos anos você tem se dedicado bastante ao Bom Senso, que briga com a CBF para a criação de um futebol melhor. Uma das principais propostas é a mudança do calendário. Como estão os projetos?
Alex – Os projetos estão em Brasília com quem tem o poder de mudar algo. Nós só temos o poder de criar discussões, mas não podemos legislar e muito menos executar. Agora estamos na esperança de que os políticos possam fazer as mudanças e os clubes se organizem para também mudar.

Esporte Banda B – Na última Copa do Mundo, a gente viu o Brasil levar um 7 a 1 e mostrar que nós estamos realmente atrasados em todos os aspectos. Na sua visão, qual o erro que estamos cometendo?
Alex – O primeiro erro é o de formação dos atletas. Temos que voltar a formar melhores os jogadores e depois ir ver a melhor forma de segurá-los aqui em nosso país. Temos que ir nos organizando como futebol e ir melhorando as estruturas.

Esporte Banda B – Por quê o futebol europeu está conseguindo produzir mais craques que o futebol brasileiro, que há um tempo atrás era considerado o grande pioneiro de craques mundiais? A gente já viu grandes gerações de jogadores no futebol brasileiro e hoje nós só vemos um craque, que é o Neymar.
Alex – Justamente pela formação e também a proteção aos jovens. Perdemos nossos jovens cada vez mais cedo. Os europeus copiaram o que nós tínhamos de melhor e agregaram valores em cima, enquanto nós perdemos o que tínhamos de melhor, que é o jeito de jogar.

Esporte Banda B – Você já me disse uma vez que não temos noção do que é ser fanático por futebol. Gostaria que você falasse um pouco da idolatria dos turcos tanto pelo esporte quanto por você.
Alex – É impossível falar, só tem como ter noção sentindo o ambiente da Turquia.

Esporte Banda B – Algumas pessoas me mandaram perguntas para te fazer e eu selecionei algumas, certo?
Alex – Ok!

Alex voltou ao Coxa para encerrar a carreira. (Arquivo/Coritiba)Alex voltou ao Coxa para encerrar a carreira. (Arquivo/Coritiba)

Esporte Banda B – Pergunta do Leandro Requena: Qual o caminho para o Coritiba conseguir competir dentro de campo com os clubes do eixo, que têm uma verba anual maior. E caso você se torne técnico, um dia,você aceitaria treinar o Coxa?
Alex – Eu não quero treinar o Coxa… No Coxa, a partir do dia 8 de dezembro serei apenas um torcedor. Quanto à outra pergunta, o caminho do clube é reconhecer o seu tamanho e criar uma filosofia, um DNA Coxa. Acredito que esse seja o melhor caminho, mas demanda tempo, clareza da diretoria e muita paciência.

Esporte Banda B – Pergunta do Mário Neto: Voltar a jogar no Brasil e conviver com o atraso nos salários, promessas não cumpridas, cobrança exagerada da torcida, fizeram com que você realmente desistisse de ficar no futebol pelo menos mais um ano?
Alex – Ajuda sim, mas não foi o primordial. Decidi parar porque não me vejo mais em condições de participar do dia-a-dia do futebol profissional.

Esporte Banda B – Pergunta do Rodrigo Dornelles: Qual a dificuldade que os técnicos brasileiros têm para conseguir dar um padrão tático pro time, como é visto na Europa?
Alex – Tempo! Aqui os treinadores são julgados por 90 minutos. Para mim, um treinador que chega em janeiro tem que ficar no mínimo até dezembro para fazermos um balanço daquilo que ele realmente fez, mas infelizmente isso é um processo cultural e bem complicado para mudar.