O uso de máscara é uma forma hoje em dia de se proteger da Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus. Em 2009, durante a pandemia da Influenza H1N1, a situação era diferente e poucas pessoas utilizaram a máscara. Porém, um fato até então inusitado aconteceu na partida entre Coritiba e Santos, que foi realizado em Cascavel, pelo Campeonato Brasileiro, em 6 de agosto. Por uma determinação judicial, todos os torcedores e profissionais da imprensa tiveram que usar máscara para se prevenir da doença.

A cidade de Cascavel, palco da partida, já que o Coritiba cumpria uma punição por uma briga de torcedores no clássico com o Athletico, vivia um clima de preocupação com a doença. Na semana da partida houve muitos casos suspeitos da doença em todo o Brasil. Na ocasião, estabelecimentos públicos, como escolas e igrejas, foram fechados até a queda no número de doentes.

Temendo o crescimento da doença, o promotor Ângelo Mazuch Santana pediu o cancelamento da partida ou  a realização com portões fechados. Entretanto, a juíza Giane Maria Morechi, da 1ª Vara Cível, negou o pedido, mas determinou que máscaras estivessem à disposição dos torcedores no estádio Olímpico. Se a ordem não fosse cumprida, uma multa foi fixada no valor de R$ 300 mil.

De acordo com Juarez Berté, secretário de Esportes de Cascavel na época, o Coritiba acatou a decisão e ainda bancou todas as máscaras. “Houve a questão da gripe H1N1 na época e tinha toda a celeuma se fazia ou não o jogo. Foi bem na semana que houve muitas dúvidas em relação aos cuidados da logística da saúde. O problema foi que um promotor que se posicionou contrário e não deveria fazer. Ele até propôs uma ação determinando que não fosse realizando a partida. A prefeitura, na época, não concordou, assim como a diretoria do Coritiba. Houve as tratativas e ficou definido, em comum acordo, e a juíza autorizou desde que se usasse máscaras. O Coritiba acatou aquele acordo, comprou a máscara para toda torcida em Cascavel. Foi o único jogo na época [com uso da máscara]”, explicou.

O trabalho da imprensa

Além dos torcedores, os profissionais da imprensa também tiveram que a utilizar a máscara como prevenção. O repórter Paulo Mosimann, que estava em Cascavel pela rádio CBN, contou que foi uma situação inédita na carreira. “É uma lembrança que não sai da memória porque fui muito inusitado. Mesmo com quase 40 anos de atividade no rádio, a gente nunca havia transmitido um jogo onde todo mundo envolvido precisava usar uma máscara”, lembrou.

Mosimann ainda falou sobre o ‘jeitinho’ que utilizava na hora de participar da transmissão. “A polêmica era se os jornalistas deveriam utilizar as máscaras. Em alguns momentos sim, mas na hora de falar tinha que puxar um pouco a máscara. Hoje em dia, a gente vê o pessoal da televisão falando e a máscara caindo, além de não sair o som perfeito. A gente se sentiu feliz não apenas por relatar um jogo diferenciado, mas também em ter participado em um momento que preponderou o bom senso para a precaução da saúde da população de Cascavel”, comentou.

O jogo

Assim como acontecem nos jogos depois da pandemia da Covid-19, os jogadores de Coritiba e Santos não usaram máscara durante a partida. Bruno Batata, atacante do Coxa na época, viu a situação como inusitada e destacou que apenas em Cascavel houve a prevenção. “Era algo inusitado. Nós vimos apenas no dia do jogo os torcedores de máscara. Nos dias que antecederam a partida, nós vimos reportagem na televisão. Todo mundo estava de máscara, mas não recorde dos atletas utilizarem, nem a comissão técnica. Foi um jogo normal tirando esse detalhe das pessoas utilizarem as máscaras. O jogo fluiu de uma maneira natural”, afirmou.

“Não me recordo de ter grandes problemas, tanto que o campeonato ocorreu normalmente. Só foi em Cascavel que o pessoal utilizou as máscaras. Não me recorde de em outros estádios o pessoal utilizar as máscaras ou alguma prevenção com os jogadores. Apesar de muitas pessoas terem falecidos com a gripe, não dá nem para se comparar com a gripe de hoje. Na época, eu acredito que não teve problemas maiores a realização do jogo”, complementou o atacante.

A partida terminou 1 a 0 para o Santos, com gol marcado pelo meia Paulo Henrique Ganso. Uma outra curiosidade é que o atacante Neymar também esteve em campo nesta partida. Ele entrou durante o segundo tempo no lugar de Felipe Azevedo.

FICHA TÉCNICA
CORITIBA 0X1 SANTOS

Local: Estádio Olímpico Regional, em Cascavel (PR)
Data: 05 de agosto de 2009
Horário: 21h50
Árbitro: Sandro Meira Ricci (DF)
Assistentes: Marrubson Melo Freitas (DF) e Enio Ferreira de Carvalho (DF)

Coritiba: Edson Bastos; Márcio Gabriel (Cleiton), Dirceu, Demerson e Carlinhos Paraíba; Pedro Ken, Jaílton, Leandro Donizete e Marcelinho Paraíba (Renatinho); Leozinho (Thiago Gentil) e Bruno Batata.
Técnico: René Simões.

Santos: Felipe; Pará, Fabão, Eli Sabiá e Léo; Rodrigo Mancha, Rodrigo Souto, Madson (Róbson) e Paulo Henrique Ganso (Wágner Diniz); Felipe Azevedo (Neymar) e Kléber Pereira.
Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

Gol: Paulo Henrique Ganso (SAN), aos 20 minutos do primeiro tempo
Cartões amarelos: Dirceu, Cleiton e Pedro Ken (CFC); Róbson (SAN)
Cartão vermelho: Róbson (SAN)