A Banda B realiza uma série de entrevistas com os candidatos a presidência do Coritiba para os próximos três anos. O segundo entrevistado é João Carlos Vialle, da chapa ‘União Coxa’. Em participação no programa Balanço Esportivo, o candidato aposta no discurso da experiência para recuperar o clube dentro e fora de campo.

O candidato Renato Follador, da chapa ‘Coritiba Ideal’, será entrevistado no Balanço Esportivo desta quinta-feira (03). Já o candidato Samir Namur, da chapa ‘Coritiba Responsável’, participou da entrevista na Banda B na última segunda-feira (30).

Confira a entrevista com João Carlos Vialle:

Você já tem experiência e trabalhou em diversos anos no clube. O quanto isso é fundamental para se tornar presidente e o quanto acredita que vai estar preparado para assumir a função?

Eu comecei no Coritiba como acadêmico de medicina, convivi com grandes presidentes e diretores e tivemos a felicidade de ser campeão brasileiro em 1985 como vice-presidente médico. Em 2007, como coordenador de futebol, eu investi na base e fui campeão brasileiro novamente. Outras vezes eu fui campeão paranaense. Experiência a nível internacional com a disputa da Libertadores no Equador, oito anos como vice-presidente da FPF. Nós tivemos na semana passada uma declaração do presidente da Federação Gaúcha de Futebol e vice-presidente da CBF nos dando apoio e recomendando voto na chapa de Vialle que tem trânsito livre na CBF. Isso basta.

Você tentou duas vezes ser presidente do Coritiba, mas não teve sucesso. O que acredita que mudou no universo dos associados para que seja o escolhido?

Em 2007, na primeira campanha que o Giovani Gionédis nos lançou candidato e perdemos por um voto, três conselheiros não foram votar. Na eleição de três anos atrás, houve uma divisão na oposição e o Vilson lançou um candidato que foi o último colocado. Eu não era candidato a presidente agora, mas fui procurado pelo Gionédis e um grupo de pessoa e achou que era o candidato ideal a ser presidente do Coritiba. O que me levou a ser candidato, além do sonho de ser presidente, é um projeto elaborado pelo grupo desde dezembro de 2017, registrado em cartório em fevereiro de 2019 e com duração de 10 anos. Não é um projeto montado apenas por protocolo e é jogado fora depois de três anos. Esse projeto já está embutido em uma reforma estatutária e um grupo separado será responsável por manter esse projeto durante os anos.

Qual o projeto do futebol para o Coritiba?

Na outra eleição, eu dizia que a minha prioridade era o futebol e continua como prioridade do Coritiba. O que o torcedor quer é saber do futebol e vamos fazer um investimento que nunca foi feito na história na base. Temos escutado candidatos de outra chapa dizendo que vai acabar com as escolas e empresários estão usando de maneira indevida. Existem bons e maus empresários. Não vamos acabar com as escolas e investir. Um dos candidatos também fala que vai construir um alojamento para os atletas na Graciosa e isso demonstra que pessoas não conhecem o Coritiba. O pessoal da base mora no Couto Pereira e estuda na escola da equipe. Vai precisar de ônibus para levar e trazer os jogadores.

O clube deve R$ 270 milhões e deve chegar a R$ 300 milhões no final do ano. Nós vamos investir no Couto Pereira, no conforto e em segurança do torcedor. Na curva dos fundos, nós vamos fazer um acesso para o torcedor do povo e resgatar o DNA do Coritiba para que esse torcedor possa levar esposa e filhos. Vamos investir na Graciosa que precisa de grama sintética e talvez coberta. Vamos fazer um estudo criterioso sobre Campina Grande do Sul. Tudo tem que passar pelo Conselho Deliberativo e eles precisam dizer sim ou não.

Se for eleito, vai pegar uma situação bem difícil com dois meses tentando evitar o rebaixamento no Campeonato Brasileiro. Qual a sua ideia para essa temporada e qual o projeto caso tenha a queda para a Série B?

A prioridade no Coritiba assumindo em 17 de dezembro é a contratação de alguns atletas. O campeonato mais importante que temos é a Copa do Brasil e traz a maior rentabilidade financeira. Se acontecer o desastre do Coritiba estar na Série B, vamos fazer o mesmo projeto de 2007 com o uso da base e a montagem de uma equipe superior e que trazia uma média de 30 mil torcedores no Couto Pereira. Vamos fazer o mesmo projeto que vivenciamos e nada será surpresa. Você com uma boa equipe traz o torcedor de volta e o empresário com interesse em patrocinar. Estamos trabalhando com um G5 que tem história no Coritiba. Nós somos um grupo que conhecemos a história do Coritiba e o torcedor será a nossa prioridade”

Como vai ser a captação de recursos para ter uma boa equipe e ainda pagar tanta dívida antiga?

Durante a campanha, nós não estamos fazendo promessas, mas vou garantir para o torcedor que nos próximos três anos, junto com o Giovani Gionédis, vamos resolver o problema da dívida do Coritiba. Com a montagem de uma equipe altamente competitiva, você vai trazer o torcedor e o empresário. Temos que aproveitar nosso conhecimento, ligação com a CBF, amizade com o atual presidente da FPF e relacionamento com outras equipes da Série A para montar através de parcerias uma equipe competitiva sem muitos gastos para o Coritiba.

O clube que não investir na formação de atleta não vai chegar a lugar nenhum. O nosso foco será o investimento na base, com a parceria com as 85 escolas e até visitamos uma que tem 650 alunos. Como um candidato fala que vai acabar com tudo isso? Tem que ter respeito com quem está no clube. Precisa fazer um diagnóstico do que está acontecendo na parte administrativa e até queremos criar cursos para esse pessoal da parte administrativa. Isso pode trazer benefícios grandes ao clube. Futebol tem que ter harmonização entre atletas, família, comissão técnica e diretoria.

Se ganhar, você vai pegar um time montado, com técnico contratado e sem possibilidade de contratar jogador. Como você vê essa possibilidade?

Uma situação calamitosa e aí vem a experiência do passado. Aliás, um dos candidatos disse que vai acabar com o cargo de coordenador e de diretor de futebol. Único clube a nível mundial que não vai diretor de futebol Nós teremos esse cargo. Esses elementos estarão subordinados a nossa diretoria. Eles não terão carta branca e terão que falar com o presidente. A minha maneira de trabalhar é diferente. Na sexta-feira, eu sento com o profissional, pergunto qual será o time, mas não irei escalar. Se tiver atletas com menores condições técnicas que outros, esses atletas não vão jogar. Se o treinador não gostar, ele é funcionário do clube e tem que se adaptar ao G5.

Como encara a forma de comando do Coritiba com o G5? Se sente à vontade ou prefere um regime com mais poderes?

O Coritiba precisa de uma reforma estatuária. Hoje existe uma eleição e continua dentro do Conselho Deliberativo por conta da desunião muito grande. Qualquer projeto que leva para o conselho acaba não sendo aprovado por um dos grupos. Não penso em regime ditatorial, mas tem que comandar, ter presença diária em todos os treinamentos do clube para que o atleta respeite o presidente do clube e saiba que está ali. Você tem que comandar o futebol, não é uma empresa e só quem fala que precisa ser comando por empresa é quem não entende o dia a dia. Penso uma equipe mista com cinco, seis jogadores experientes e o resto da base. Mas se não tiver um treinador respeitado, não chega a lugar nenhum.

Como foi a conversa com a conversa com o atual presidente Samir Namur sobre a possibilidade de união entre as chapas?

A tentativa partiu do ex-presidente Giovani Gionédis porque se uníssemos as correntes políticas, o clube não chegaria a lugar nenhum. Na primeira reunião estava Samir, Follador, minha pessoa, Jango e Espeto. Já na segunda reunião, 72 horas depois, o Follador não apareceu e mandou dois representantes dizendo que não aceitaria união. O Coritiba tem uma oposição que é a chapa Coritiba Ideal, a chapa da situação e a nossa chapa União Coxa que uniu algumas correntes políticas. O sonho do Vialle é poder constituir um grupo que concorra a uma chapa única.

Por que merece ser o presidente do Coritiba?

Torcedor, você vai definir o que é melhor para o Coritiba. Não acredite em propostas mirabolantes. Vá votar no dia 12 de dezembro e defina o que quer para o Coritiba. Tem a chance de apostar o que quer para o Coritiba, com Espeto e Jango da torcida, e pessoas que conhecem o clube. Ou vai aventurar de novo ou vai escolher a experiência e o conhecimento.