Jaime Rocha, infectologista do Coritiba. (Divulgação)

Membros da diretoria e da comissão médica do Coritiba se reuniram com o secretário da Saúde, Beto Preto, na última sexta-feira (15), para apresentar um protocolo para a volta aos treinamentos. Em entrevista à Banda B, o infectologista Jaime Rocha, contratado pelo Coxa durante a pandemia do novo coronavírus, explicou que tudo foi planejado neste momento apenas para o retorno dos atletas aos treinos.

“A coisa mais importante é que não é um protocolo para ter jogo amanhã. É para que amanhã os jogadores vão de quatro em quatro em um CT enorme, com cinco quadras de futebol, academia. Eles vão em horários diferentes para que possam manter a atividade física. A nossa aposta é que o país se recupere e a gente possa retomar todas as atividades, inclusive o futebol, em breve. Não dá para um jogador profissional jogar amanhã se tiver fora de forma ou mal treinado. Isso vai causar lesões graves no atleta”, declarou Rocha.

O infectologista destacou que não existe prazo também para avançar de fase para os treinamentos em grupo e os atletas serão monitorados diariamente para evitar o contágio dentro do clube. “Se ao longo das primeiras semanas, e a gente nem combinou prazo, a cidade e o estado continuarem bem, a gente entra em uma segunda fase com pequenos grupos treinando com bola. Isso é seis atletas treinando em um campo inteiro, ou seja, um contato mínimo. Se tudo continuar bem, em um terceiro momento eventualmente a gente discute uma situação de jogo. Tudo isso sendo feito com monitoramento diário dos atletas para que qualquer um que esteja com sintoma suspeito seja diagnosticado, afastado. É uma proposta que não é possível fazer em todos os lugares, mas para os clubes grandes isso é possível”, comentou.

A expectativa do Coritiba é que uma resposta do secretário Beto Preto seja dada durante a próxima semana. “A gente ficou bem animado, foi bem recebido e tem o interesse do governo como um todo em retornar todas as atividades possíveis no estado. Tudo isso tem que ser feito dentro de um conceito maior que é a pandemia. Eu reforço que o protocolo do Coritiba é apenas para os treinos físicos inicialmente. Há um receio do estado que isso possa fazer com que academias e canchas de futebol queiram retomar. As pessoas precisam entender que para a retomada de atletas profissionais em um clube foi feito um protocolo, com exames, cuidados, equipe médica, higienização, álcool, máscara, número de pessoas que podem circular. Tudo isso foi colocado em um projeto maior e estamos muito animados”, disse o infectologista.

Em relação à volta dos jogos, Rocha ressaltou que é impossível definir uma data precisa. “Isso é impossível. Qualquer pessoa que tiver um número vai estar chutando. Essa pergunta tem que ser repartida em cidade, estado e país. Você pode ter uma situação que no prazo de dois meses poder falar de jogo em algum estado e o resto do país ainda não estar bem. Nós somos um país continental e temos estado com território maior que Espanha, Alemanha e Portugal. Não podemos pensar e considerar uma regra única para o país todo”, falou.