Samir Namur, presidente do Coritiba. (Geraldo Bubniak/AGB)

O presidente Samir Namur participou do Balanço Esportivo desta quarta-feira (22) para falar sobre o atual momento do Coritiba. Entre os assuntos comentados estão o déficit financeiro de R$ 50 milhões no balanço de 2019, a possibilidade do Ato Trabalhista, a volta do futebol e a possibilidade de reforços para a disputa do Campeonato Brasileiro.

Confira como foi a entrevista de Samir Namur na íntegra:

Déficit no balanço

Nós tivemos um período complicado em todos os sentidos para o clube e ainda está sendo. Esse período gerou um impasse no conselho que era a marcação da reunião para a aprovação do balanço. O Conselho Deliberativo preferiu esperar o máximo para fazer uma reunião presencial, o que concordamos, porque essa reunião é muito complexa e com muitas análises a serem feitas e explicadas. A mesa esperou até o último momento, não foi possível, e marcou a reunião virtual na última segunda-feira. Não era segredo para ninguém que o balanço do Coritiba em 2019 tinha um déficit de R$ 50 milhões e mostramos para os conselheiros que esse déficit era decorrente de uma queda de receita de TV que de 2018 para 2019 foi de R$ 56 milhões. Pela primeira vez, o Coritiba jogou a Série B sem uma receita da Série A e acontece com todos os clubes desde 2019.

No entanto, nós mostramos aos conselheiros que um eventual prejuízo foi minimizado com as vendas dos direitos econômicos do Yan Couto, do zagueiro Luiz Felipe Hungria, 20% do Vanderlei e mais 50% do Guilherme Parede. A premiação foi paga, o Profut de 2019 foi pago, levantou todas as penhoras que tinha, e entrou na pandemia com todos os problemas em dia. Os conselheiros, em sua maioria, compreenderam o argumento e votaram pela aprovação das contas.

Ato Trabalhista

Essa é uma questão de extrema importância para o Coritiba. Eu sempre fui bem transparente que tinha uma preocupação da nossa gestão com o passivo trabalhista. Sempre tivemos uma estratégia forte de não atrasar os salários e menos de 5% de passivo trabalhista veio da nossa gestão. O Coritiba não recebeu dinheiro de TV até julho deste ano, seja pelo problema da Turner ou por não ter contrato com a Globo. Nós fomos na Justiça do Trabalho para suspender os acordos durante a pandemia, mas não reconheceram esse argumento, e nós direcionamos a estratégia para o pedido de Ato Trabalhista. O Ato Trabalhista foi aceito e já me reuni pessoalmente com a juíza, que foi extremamente acessível e favorável. Existe toda uma negociação que se decide em qual prazo, em que condição, o valor das parcelas. O Coritiba terá o Ato Trabalhista em um futuro próximo.

Interventor no Ato Trabalhista

O pedido do Coritiba é que não exista um interventor até para não gerar problemas jurídicos e questionamentos de outra ordem. Não tem proposta que eu seja o interventor. Só vai ter se a Justiça exigir um interventor. O Coritiba tenta que não tenha e pensa em colocar um valor de vendas futuras para que seja direcionado ao passivo trabalhista. A ideia é mostrar o histórico recente de boas vendas que o Coritiba teve.

Eleição no final do ano

Nós estamos a mais ou menos quatro meses e meio da eleição, e é o momento propício para as conversas. Posso tranquilizar dizer que a minha posição é de buscar uma união dentro do clube para que se evite um bate-chapa e tenha uma eleição no meio do Campeonato Brasileiro que pode ser prejudicial. Não tenho exigência nenhuma de ser presidente, abriria mão da continuidade no cargo, porque entendo que nada é mais importante que a paz política do clube. É difícil conseguir isso, mas o esforço é grande. Eu e vários pessoas estamos sentando com as pessoas que têm envolvimento político. De minha parte, o esforço vai ser grande para que consiga isso em novembro ou dezembro. Se não conseguirmos, o cenário será parecido dos últimos triênios.

Volta do futebol

Existe toda uma resistência na mídia, na sociedade sobre o retorno do futebol. Tem essa crítica do retorno em meio a um momento grave da pandemia, com muitos mortos. Sempre nos solidarizamos com todo mundo, o Coritiba fez muitas ações durante a pandemia. A defesa pelo retorno do futebol não é por insensibilidade, mas uma necessidade econômica dos clubes. Os clubes precisaram retornar para que algumas receitas voltassem. Vale ressaltar que os clubes fizeram um protocolo rígido para a volta e os especialistas falam que garante uma segurança extremamente boa.

Campeonato Paranaense

Nós vínhamos como importante a volta do estadual para que o retorno não acontecesse no Brasileiro, a competição mais importante. Felizmente, por aqui, as coisas estão transcorrendo bem e sem nenhum prejuízo para o Brasileiro. Claro que o Coritiba quer ganhar o Campeonato Paranaense, mas tem esse aspecto importante no cronograma da retomada do futebol.

Formação do elenco

A questão de novas contratações é muito restringida pelo financeiro. Isso não vai acontecer só com o Coritiba, mas com a maioria dos clubes. Temos que ser muito sensatos na hora de contratar. O Coritiba vai trazer jogadores na medida que alguns atletas saiam. Também pensamos em trazer alguns atletas das categorias de base para que o elenco fique pouco maior. O Natanael foi integrado e já jogou no domingo. O lateral-esquerdo Ângelo também já está no profissional. É bom que isso aconteça.

Reforços e negociação com Neilton

Para ser bem sincero sobre as laterais, o Coritiba está tranquilo com a lateral-direita. Já a lateral-esquerda merece um pouco mais de atenção. Hoje, nós temos o William Matheus, titular da posição, Kazu e Ângelo. Com relação ao Neilton, é um atleta que tem potencial gigantesco para jogar uma Série A. Ele, no entanto, tem um vínculo com o Vitória e não podemos fazer uma proposta por ética enquanto tiver contrato. Se houver essa liberação, o Coritiba faz uma proposta pelo Neilton, mas não vai esperar para sempre.