O Coritiba precisou passar por um inacreditável jejum que durou pouco mais de quatro meses para vencer um simples jogo de futebol. Na última segunda-feira (3), o triunfo conquistado perante ao frágil Goiás por 2×1, fora de casa, serviu para tirar toneladas de apuros e pressão que atletas, comissão técnica e membros da diretoria estavam sentindo.
Afinal, por mais que existam problemas claros no clube, era inimaginável que a vitória tranquila sobre o Humaitá-AC por 3×0, em 27 de fevereiro, pela Copa do Brasil, seria a última por tanto tempo. Nos mais de cem dias em que não conseguiu se encontrar com os triunfos, muitas coisas mudaram.
No aspecto da bola, Antônio Carlos Zago e agora Thiago Kosloski (ainda que de maneira interina) sucederam o pragmático e criticado António Oliveira, que deixou o clube após uma já reconhecida sequência de resultados ruins. A partir deste dia (uma terça-feira, 18 de abri), o clube colapsou. Apostou em um técnico que foi incapaz de dar ao time uma única vitória sequer, em um mandato relâmpago que já começou errado.
Erros no comando técnico e nos bastidores do Coritiba
E pior: seu último ato no Coritiba foi o de jogar atletas contra a parede e criticar enfaticamente as escolhas do Coxa para a temporada. Sendo que era ele mesmo (Zago) o grande responsável por muitos atos negativos que estavam ocorrendo.
Isso apenas na parte técnica. O que dizer então da mancha de Alef Manga no esquema da manipulação de resultados no Brasileirão do ano passado? Foi afastado, mas voltou, apoiado em um estranho silêncio da diretoria. Questão ética e moral vencida por sua relevância técnica? O que dizer então da mudança de gestão, essa histórica?
Sai o “velho” modelo e vem a SAF comprada pela Treecorp. Com ela, vem os dirigentes Carlos Amodeo e Arthur Moraes, responsáveis por tocar o dia a dia do clube. Pena que essa transição (que ainda não terminou) escancarou as falhas no planejamento do ano, como reforços que pouco renderam (Júnior Urso e Pottker até já saíram) e outros que sequer são utilizados.
Coritiba troca o pneu com o carro em movimento, mas engata marcha certa
Era com estes quilos de pressão e as sucessivas rodas utilizadas em um carro que andava em uma marcha muito lenta, na lanterna de uma corrida chamada Brasileirão, que o Coritiba entrou em campo contra o Goiás. Thiago Kosloski, o interino que conhece os cantos do Couto Pereira como poucos, e até mesmo da seleção brasileira, mudou peças e a formação do time.
Aquele velho esquema dos três zagueiros, tão enaltecido por Zago, enfim acabou. O que parece que começou foi uma nova era ao Coxa, que fez um bom jogo. Mesmo fora de casa e em um estádio acanhado, o Alviverde não se intimidou diante do Goiás, um rival direto na luta contra o rebaixamento. Abriu o placar em um golaço de Alef Manga e buscou o 2×0 com um gol do criticado Kuscevic.
No segundo tempo, aquele nervosismo e apagão demonstrado nas derrotas recentes para Internacional e Grêmio não existiu. Claro, uma desatenção da defesa permitiu que o Esmeraldino diminuísse o placar e colocasse um fogo desnecessário no jogo. Mas nada que abalasse o time, que não entrou em modo “explosão automática” e sequer ofereceu chances claras de sofrer o empate.
Alívio na pressão e pontos positivos após primeira vitória
Quando o árbitro apitou o final da partida, a sensação que deu foi a de que o Coritiba acabara de ter conquistado um título. Foi apenas a primeira vitória no Brasileirão. O saldo ainda é muito negativo, mas a respiração (ainda ofegante), aconteceu. O Coxa segue segurando a lanterna mas, com dois jogos em casa pela frente, pode começar a reverter um cenário que muitos já consideravam irreversível.
As decisões a serem tomadas requerem cuidado e um olhar crítico para o futuro. Mesmo com as valias, estaria Thiago Kosloski pronto para assumir a equipe de maneira efetiva? Esta decisão passa pela diretoria, que não parece ter desistido de vasculhar o mercado.
Outros pontos são os das opções técnicas escolhidas. Atletas, como o jovem lateral-direito Diogo Batista e o volante Matheus Bianqui, deram uma resposta positiva. Eles se juntam às poucas gratas surpresas deixadas por Zago, os zagueiros Thiago Dombroski e Jean Pedroso, lançados de maneira tardia pelo antigo comandante.
Ainda falta muito chão a ser percorrido. O Coritiba segue muito ameaçado pelo rebaixamento e precisará mostrar até o fim do campeonato que é time de primeira divisão. Apoio da torcida não faltará. Resta apenas a competência dos próprios integrantes do Alviverde para que o caldo, que ainda está derramando, não entorne de vez.