Uma mera postagem em redes sociais escancarou a crise no Coritiba. O ato do advogado de Alef Manga, Jeffrey Chiquini, fez emergir o racha entre o CEO Carlos Amodeo e os responsáveis pelo futebol, Paulo Autuori e William Thomas. O resumo da ópera é o seguinte: há uma disputa de poder, e o camisa 11 do Coxa virou uma espécie de “troféu” para os dois lados. Se Manga ficar, Amodeo fica fortalecido. Se Manga sair, Autuori é quem ganha.

A contratação de Paulo Autuori e William Thomas não foi liderada por Carlos Amodeo. Eles vieram com o aval da Treecorp, dona da SAF do Coritiba. E foram os acionistas que deram autonomia aos responsáveis pelo futebol, a ponto de Autuori ter a liberdade para convocar a equipe de comunicação e gravar o vídeo divulgado nesta quinta-feira (27) sem sequer informar o CEO. Inclusive, a declaração do diretor estremeceu ainda mais os bastidores alviverdes.

O fato de não se reportar ao CEO mudou a estrutura de poder no Coritiba. Antes, com Artur Moraes e Júnior Chávare, Carlos Amodeo era a última palavra, tanto que era quem fechava os contratos. E isto não era restrito ao “consumo interno”. O presidente executivo do Coxa tinha seus passos relatados nas redes sociais por emissários – e mesmo que não fosse em tese papel dele, Amodeo nunca negou que participava de negociações de atletas.

O estilo Autuori

Paulo Autuori nunca foi um gestor que aceitou tutela. Sempre que teve seu trabalho contestado ou achou haver interferência, ele pediu demissão. Nas duas passagens pelo Athletico, isto aconteceu – na primeira, após a demissão de Eduardo Baptista; na segunda, quando Alexandre Mattos começou a ‘ocupar espaço’ no futebol. William Thomas é um escudeiro que faz o que o ex-técnico prefere não fazer, que é justamente a parte de negociar valores em nome do Coritiba.

O estilo Autuori colidiu com o estilo Amodeo. E a situação de Alef Manga serviu para deixar isto claro. Desde que chegaram ao Coritiba, ele e Thomas deixaram claro que não contavam com o atacante. Já o CEO falou sobre o camisa 11 em janeiro, em fevereiro, em março e em abril. Teve até que dizer que não usava a situação do jogador, que está suspenso até 25 de julho, como cortina de fumaça para os problemas em campo. E não aprovou a tomada de decisão do departamento de futebol.

Coritiba rachado

Favorável à volta de Alef Manga ao Coritiba, Carlos Amodeo acabou entrando em conflito com Paulo Autuori e William Thomas. Estes tinham sinalizado aos representantes do atacante que ele não ficaria, e que eles poderiam estudar propostas de outros clubes. Uma reunião entre o futebol alviverde e o staff do jogador estava para acontecer. Mas Chiquini precipitou a situação atacando diretamente William Thomas. E a postagem do advogado foi rapidamente replicada por aliados do CEO.

Na resposta, Autuori falou claramente que não aceitaria que “jogassem a torcida” contra o departamento de futebol e que o clube poderia “ter tomado uma decisão antes”.

E se havia alguma possível ponte entre ele e Amodeo, o vídeo praticamente queimou essa ponte. O CEO só soube depois que o pronunciamento entrou no ar. Ao mesmo tempo, o ex-técnico e William Thomas ficaram surpresos com o fato de o assunto sair do Couto Pereira e ainda virar bafafá com a ação ostensiva de Chiquini. Ao mesmo tempo, voltou às redes sociais a polêmica contratação de Marcinho pelo Athletico, quando o lateral respondia pelo atropelamento e morte de duas pessoas – quando a cúpula hoje alviverde estava na Baixada.

Ficou para a Treecorp

Obviamente que a crise no Coritiba chegou à Treecorp, dona da SAF alviverde. Havia ainda uma expectativa interna de contornar a crise com uma solução negociada, mas ficou mais difícil com os fatos desta quinta-feira. Neste momento é possível projetar um “ou eles, ou nós”. Se Alef Manga ficar, não será surpresa um pedido de demissão de Autuori e Thomas. Se Manga sair, Amodeo pode acabar virar um CEO apenas administrativo, ou mesmo ser demitido.

Como os acionistas pouco aparecem em Curitiba, e até agora não fizeram nenhuma manifestação pública desde que a Treecorp assumiu o Coritiba em definitivo, é difícil imaginar quem venceria esta queda de braço. O certo é que se havia por parte do staff de Manga o interesse em expor a situação, o objetivo foi atingido. Mas o efeito colateral foi colocar o Coxa em uma crise inesperada no meio da Série B do Brasileirão.

Paulo Autuori, diretor técnico do Coritiba.
Paulo Autuori tem autonomia no futebol e pode inclusive fazer um pronunciamento como o desta quinta-feira (27). Carlos Amodeo só soube quando o vídeo já estava no ar. Foto: Reprodução/CFC

Comunicar erro

Comunique a redação sobre erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página.

Coritiba racha e Treecorp tenta resolver crise

OBS: o título e link da página são enviados diretamente para a nossa equipe.