O Coritiba saiu sob vaias do empate (conseguido nos acréscimos) com o Vila Nova em 1×1, neste sábado (29), mas o grito mais marcante que se ouviu no Couto Pereira tinha nome: Alef Manga. Em meio a uma crise que se mostra maior a cada capítulo, o poder no Coxa é disputado abertamente entre dois lados. Com o apoio de influenciadores e uma parte da torcida, o CEO Carlos Amodeo trabalha para “limpar a própria barra” sendo o fiador da volta de Manga. E o diretor técnico Paulo Autuori, apesar de ser “preservado” nas críticas, luta para ter a sua autonomia garantida pela Treecorp.

No sábado, a disputa ficou ainda mais clara. Após o ataque direto do advogado de Alef Manga, Jeffrey Chiquini, ao executivo William Thomas, uma onda de críticas ao departamento de futebol surgiu nas redes sociais, com o suporte de alguns influenciadores. A resposta de Paulo Autuori acirrou ainda mais os ânimos, e escancarou – para quem ainda não acreditava – que o caso Manga é o pano de fundo de uma briga por protagonismo nos bastidores do Coritiba. A torcida ficou dividida entre defensores e críticos do atacante, monopolizando as redes sociais.

No entorno do Couto Pereira, cartazes nos postes atacavam Autuori e defendiam Alef Manga, com argumentos que já tinham sido visto tanto na postagem do advogado e em informações nas redes sociais. Dois pontos se repetiam “online” e “offline” – que o atacante diz ter uma dívida com o Coritiba, e que Paulo Autuori e William Thomas não podiam falar em ética por terem contratado o lateral Marcinho nos tempos de Athletico.

Mudança de foco

Entretanto, o advogado de Alef Manga voltou às redes sociais com um “ajuste” de discurso. Continuou, claro, pedindo a volta do atacante, mas incluiu o CEO Carlos Amodeo nas suas críticas. Pela forma como os fatos se sucederam, criou-se uma inevitável associação do staff do atleta com Amodeo, o que também gerou críticas. Ao mesmo tempo que cita William Thomas e o presidente executivo, chama a atenção a tentativa de descolar o executivo de Paulo Autuori – que, por sinal, foi o único que criticou Chiquini no episódio.

São peças de um quebra-cabeça que demonstram o racha do Coritiba. Amodeo defendeu o retorno de Manga em seguidas entrevistas de janeiro a abril. O Coxa inclusive tentou junto ao STJD por duas oportunidades a liberação antecipada do jogador. As declarações do CEO pararam – coincidência ou não – quando Autuori chegou. O diretor técnico não pretende ter o camisa 11 no elenco alviverde. O que era um atrito interno foi exposto pelo advogado, provocando o terremoto dos últimos dias.

Batalha de narrativas no Coritiba

Em meio a essa guerra, qualquer fato pode ser usado a favor ou contra – dependendo do interesse. E a saída do auxiliar James Freitas, que treinou o Coritiba antes da chegada de Fábio Matias, é um caso exemplar. O Coxa, em nota nas redes sociais, citou uma proposta de outro clube (seria o Grêmio). Mesmo assim, a versão de que James teria tido problemas de relacionamento com o departamento de futebol também correu solta.

A situação reforça a divergência interna, que acaba amplificada pelas polêmicas da rede social. E deixa ainda mais clara a importância de um posicionamento da Treecorp, a dona da SAF do Coritiba. Espera-se para segunda ou terça um desfecho para a crise. Caberá aos acionistas definir quem tem razão. Um respaldo a Autuori faria de Amodeo um CEO administrativo, sem influência no futebol. O fortalecimento do presidente executivo faria o diretor técnico ter um papel decorativo. Mas, claro, não se pode descartar tudo terminar em pizza – de manga, inclusive.

Alef Manga, jogador do Coritiba.
Alef Manga só volta a ter condições de jogo em 25 de julho, mas seu staff provocou uma baita crise no Coritiba. Foto: Geraldo Bubniak/AGB

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