A inclusão de pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) nos estádios tem avançado gradualmente no futebol brasileiro. No Couto Pereira, casa do Coritiba, esse movimento ganhou força com a criação da torcida Autistas Alviverdes, iniciativa idealizada por Hillary Caroline Pereira, corretora de imóveis, que também atua como porta-voz do projeto.
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A ideia nasceu a partir de uma experiência pessoal. Após o diagnóstico de autismo do filho Arthur, de cinco anos, nível 3 de suporte e não verbal, Hillary passou a enxergar de forma mais profunda os desafios enfrentados por pessoas autistas e suas famílias, especialmente em ambientes com muitos estímulos, como estádios de futebol.
“Quando recebemos o diagnóstico, nosso maior medo era como ele reagiria a um jogo, com tantos estímulos. A partir disso, começamos a perceber que a sociedade ainda não está preparada para o diferente”, relatou.
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A partir dessa vivência, surgiu o projeto Autistas Alviverdes, com o objetivo de ampliar a conscientização sobre o TEA e promover inclusão dentro do futebol. A iniciativa também parte de um princípio central: o direito de pertencimento.
“Ainda que o futebol seja feito de contradições, o que ele não pode ser é excludente. O amor que nos une pelo time é o que nos faz família por isso, lutamos para que em nossa ‘casa’ haja inclusão e conscientização”, destacou Hillary.
Torcida destaca avanços na inclusão e participação ativa no Couto Pereira
Entre as principais conquistas do grupo está a consolidação de um espaço voltado ao acolhimento de torcedores autistas, aliado ao trabalho já desenvolvido pelo clube, que foi pioneiro na implantação do camarote de acomodação sensorial.
Além disso, a torcida participou de diversas ações em conjunto com o Coritiba, como visitas ao CT, tour adaptado no estádio e campanhas nas redes sociais. Um dos próximos passos segundo Hillary, terá uma grande força simbólica e ajudará a ampliar a representatividade.
“Nosso espaço foi conquistado, tanto pelo camarote quanto pelas ações. Em breve, teremos a entrada dos mascotinhos sendo todos eles autistas, o que será um marco importante”, explicou.
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A percepção do grupo é de que a cultura dentro do estádio também evoluiu nos últimos anos, com maior compreensão por parte dos demais torcedores.
“A cultura do estádio quando se tem autista próximo eu vejo que mudou. Muitos entendem e respeitam a necessidade de cada um. Evitam falar mais alto, se propoem a ajudar”, avaliou.
Orientações ajudam torcedores autistas a frequentar o estádio com mais segurança
Para famílias e torcedores autistas que desejam ir ao Couto Pereira, a idealizadora destaca algumas orientações práticas que podem tornar a experiência mais confortável:
- Escolher jogos com menor apelo ou público reduzido
- Optar por setores mais tranquilos, como Mauá, Social e Pro-Tork
- Chegar com antecedência para evitar filas e aglomerações
- Utilizar identificação, como cordões, e abafadores de som quando necessário
Além disso, o grupo mantém um canal ativo de apoio e orientação através do @autistasalviverdescoritiba, oferecendo dicas personalizadas para cada situação, desde a escolha do setor até a abordagem com seguranças e questões relacionadas à seletividade alimentar.
“A página foi criada justamente para ajudar. Orientamos sobre o melhor setor, como se apresentar na revista e até sobre a liberação de alimentos, quando necessário”, explicou.
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A proposta é que o Couto Pereira seja cada vez mais um ambiente de respeito, acolhimento e inclusão. Para Hillary, ser torcedor vai além da arquibancada, envolve também empatia e compreensão.
“Ser coxa-branca é entender que cada torcedor é unico, e essa diversidade nos faz ainda mais gigantes”, concluiu.

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