Jorginho estreou no comando do Coritiba. (Geraldo Bubniak/AGB)

O técnico Jorginho, que conquistou o acesso com o Coritiba para a Série A do Campeonato Brasileiro, conversou com a reportagem da Banda B sobre sua curta, mas vitoriosa passagem pelo Couto Pereira. Em 15 jogos, o treinador teve aproveitamento de nove vitórias, cinco empates e apenas uma derrota. O ótimo retrospecto levou o Coritiba até a terceira colocação da Série B de 2019.

Durante o bate-papo, Jorginho falou sobre como a conversa com o grupo após a derrota no clássico para o Paraná foi importante para o acesso, a polêmica envolvendo o atacante Rodrigão antes da penúltima rodada contra o Bragantino e o motivo para não continuar no Coritiba em 2020.

Conversa para assumir o Coritiba em setembro de 2019

“Cheguei no dia 25 de setembro, em um momento extremamente complicado e com uma pressão muito grande. O time estava no segundo ano na Série B e em 9º lugar. A gente também tinha algo interessante que nosso maior estava passando por um momento excepcional, com títulos da Copa do Brasil e da Sul-Americana. Era um momento de pressão no clube. Eu já havia contratado dois jogadores que eram Serginho e Kelvin e tinha mais uma contratação. Nós decidimos por um mais zagueiro e trouxemos o Nathan Ribeiro, que foi extremamente importante para a caminhada. Além de toda a pressão, o clube jogava de uma forma diferente, com a pressão toda, e sempre tendo altos e baixos dentro do campeonato. Nós procuramos atuar na questão da parte tática, organizando a equipe de uma forma diferente que vinha jogando, e que bom que conseguimos nove vitórias e cinco empates”.

A derrota no clássico para o Paraná

“Essa derrota foi contra um dos maiores rivais nossos. Foi um jogo que a gente entrou lento e não estava atento no primeiro tempo. No segundo tempo, a gente mudou a forma de jogar, nos concentrar mais, mas não marcou os gols.

“Pode parecer uma loucura por ser uma derrota. Algumas coisas aconteceram na derrota para o Paraná que foi uma alerta para a gente. Não vou citar nomes, mas no dia do jogo do Paraná, dois jogadores estavam jogando game no corredor do hotel. Isso é uma falta de concentração incrível horas antes de uma partida importante. Eu só fiquei sabendo disso depois do jogo. Naquela oportunidade, nós tivemos uma festa country na cidade e alguns jogadores já tinham organizado de ir. Isso vazou na imprensa no dia seguinte e esses acontecimentos fizeram com que a gente tivesse uma conversa muito séria. Naquela reunião, sendo sincero, eu tive um pressentimento que as coisas estavam acontecendo. Eu senti que a gente estava caminho para atingir o objetivo”.

Legado do trabalho de Umberto Louzer

“O que percebi e fiz questão de ressaltar foi o trabalho do Umberto. Ele, junto com o [Rodrigo] Pastana, montou o elenco e já tinha visto como o elenco do Coritiba era forte. Quando cheguei, eu encontrei uma equipe com padrão tática, mas muito duvidosa, principalmente nos jogos dentro de casa. O Umberto deixou um trabalho com organização tática da equipe, e a gente procurou, dentro da capacidade dos jogadores, mudar algumas coisas em termo de intensidade. A equipe não podia fazer um primeiro tempo bom e um segundo tempo ruim, ou vice-versa. A gente tinha que manter a equipe com regularidade nos dois tempos”.

Apoio da torcida na campanha do acesso

“Foi uma decisão extremamente importante e positiva. O presidente foi muito feliz, mesmo tendo algumas pessoas que não queriam que ele fizesse isso. Ele colocou o ingresso em um valor para ter o estádio cheio. Foi uma decisão acertada e corajosa por parte do presidente. Isso trouxe bons resultados para o clube. Eu cheguei com uma equipe acuada diante do sucesso do nosso rival e a torcida não apoiava tanto nos jogos em casa. Sinceramente, a gente atingiu o ápice no jogo com o Bragantino. Ali, o torcedor entendeu que tinha que estar junto. Eu já tinha visto uma torcida apaixonada no primeiro jogo contra a Ponte Preta, quando era o treinador da Ponte, e retornamos com essa motivação e alegria justamente no jogo com o Bragantino”.

Polêmica com Rodrigão

“A gente estava em um momento de muita decisão importante. Eu havia feito alguns treinamentos sem o Rodrigão e também sem o Giovanni. Quando eles voltaram para o treinamento, nós tomamos uma decisão de treinar duas equipes, já que o Bragantino tinha uma construção de jogo desde o início. O Igor Jesus é um jogador veloz, mais jovem que o Rodrigão. Se quisesse entrar com uma equipe mais ofensiva e com linha alta, o Igor Jesus facilitaria para a gente. Eu também tinha que treinar a situação com o Rodrigão, titular na época, sabendo que não tinha a mesma vitalidade física que o Igor Jesus. É um jogador que mais cadenciado, se posiciona, mas não acompanha o ritmo de jogo. Ao final do treino, o Joel, meu preparador físico, pediu para treinar com o Igor Jesus para finalização e falei para pegar o Rodrigão, mas ele disse que não e perguntou se ia jogar. Eu falei que amanhã [sábado] ia dar a decisão se ia entrar com ele ou Igor Jesus. Ele disse que se não fosse jogar, não ficaria no banco para aquele ‘moleque’ e tudo isso com o Igor Jesus ouvindo. Falei que iria jogar o Igor Jesus e que ele estava fora deste jogo e do próximo. Foi uma decisão que tomei e acredito que foi uma correta porque foi uma falta de respeito dele comigo, com o Igor Jesus e com o grupo. Ele foi muito infeliz na colocação dele e até que foi bom porque fizemos a linha alta e vencemos o jogo. Não quero deixar de forma nenhuma de reconhecer a importância do Rodrigão no acesso e em vários jogos”

Entrada do atacante Wanderley, que sofreu a falta para o gol contra Bragantino e marcou duas vezes diante do Vitória

“A entrada dele foi importante. Quando cheguei, o Coritiba estava com 32 jogadores de linha, sem contar os goleiros, e praticamente uma equipe ficava de fora. Era difícil manter eles motivados. Isso foi um reconhecimento de que a gente valorizou todos os jogadores. Assim que cheguei, o Wanderley estava voltando de lesão e se lesionou novamente. Valorizou também todo o trabalho extracampo, motivando o jogador, e dizendo que era importante para o acesso”.

Motivo para a saída do Coritiba

“Muitas coisas foram faladas, principalmente sobre a questão financeira. Não tenha dúvida que existia uma razão na área financeira. Quando cheguei no Coritiba, eu fiz um contrato ganhando menos do que na Ponte Preta e falei que queria uma compensação se a gente subisse. Ficamos com essa conversa, mas nada colocado no papel. Passei dois meses e cinco dias, tive que tomar algumas decisões e mudar alguma forma. O mais importante era que o Coritiba não permanecesse ali e fosse para a Série A. O empresário conversou com eles, a diferença existia em termos de valor, mas nada que não pudesse resolver. Tinham pensamentos diferentes, até mesmo na formação da comissão técnica, e cheguei a conclusão que não valeria a pena renovar. O que me deixou triste foi que valores que não eram verdadeiros foram colocados na imprensa. O que aconteceu foi divergência de pensamento, de formação de comissão técnica. Em nenhum momento teve uma conversa minha com a diretoria, sempre com o empresário. Houve uma batida de martelo por parte do clube que encerrou as negociações e não falaram comigo. Eu tive essa conversa com o presidente em fevereiro, quando fiz o acordo, porque o clube não estava conseguindo pagar e fizemos um acordo. O clube agora me pagou direitinho. Tenho certeza que as portas estão abertas e foi um trabalho com 71% de aproveitamento. Tenho certeza que um dia isso [retorno ao Coritiba] vai acontecer novamente e tenho orgulho de participar do retorno de um clube de massa”.

O que espera do Coritiba em 2020

“Ainda está muito cedo para se falar. Os regionais não são uma realidade em termos de Brasil, quando vai para o Brasileirão e até mesmo na Copa do Brasil. O Barroca é um treinador que tenho muito respeito, foi meu auxiliar no Vasco e até tentei leva-lo para o Bahia. Que bom que está em um caminho muito bom e tenho certeza que fará um grande trabalho. Vendo as contratações, o Coritiba contratou bons jogadores, com qualidade e posso citar o nome do Renê Júnior, que foi meu jogador no Bahia. A equipe já mudou bastante de novembro para cá, mas só vamos saber quando começar o Campeonato Brasileiro”.

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Acesso à Série A, polêmica com Rodrigão e saída: Jorginho abre o jogo sobre sua passagem pelo Coritiba

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