Queda de braço entre Petraglia e Autuori implodiu planejamento do Athletico

Opiniões divergentes afetaram diretamente o manejo de jogos e torneios

Thiago de Araújo

Queda de braço entre Petraglia e Autuori implodiu planejamento do Athletico
Autuori pediu o boné após pressões de Petraglia no futebol. Foto: José Tramontin/athletico.com.br

Um empate em 2 a 2 com o União Beltrão, pela quinta rodada do Campeonato Paranaense, em 6 de fevereiro na Arena da Baixada, implodiu o planejamento do Athletico para a temporada 2022. O Furacão cedeu o empate ao então lanterna em casa, e a queda de braço interna no departamento de futebol atingiu o seu ápice.

De um lado, o presidente rubro-negro Mário Celso Petraglia defendia a utilização de mais jogadores do elenco principal no Estadual. De outro, o então diretor técnico Paulo Autuori queria a manutenção do grupo de Aspirantes no Paranaense, além de prestigiar o trabalho do treinador James Freitas, trazido por ele, e já alvo de críticas nos bastidores. Para ele, o time principal deveria se focar nos grandes desafios do ano apenas.

Após uma série de conversas nas horas depois do quarto empate no Estadual (só não eram cinco porque a única vitória, na estreia contra o Paraná Clube, veio nos acréscimos), Autuori entregou o cargo, por meio de uma mensagem de WhatsApp. Treze dias antes, ele acompanhou uma aguarda entrevista coletiva com o novo departamento de futebol do clube.

Comandada por Petraglia, a coletiva de 24 de janeiro oficializou a chegada do então novo diretor de futebol, Ricardo Gomes (nome trazido também por Autuori); do coordenador das Categorias de Base, Fernando Yamada; do coordenador de Saúde e Performance, Carlinhos Neves; e do CEO de Relações Públicas e Negócios Internacionais, Alexandre Mattos.

Desligamentos em série

Horas após a saída de Autuori, Gomes também pediu solidariedade a quem lhe trouxe para a Arena da Baixada. No dia seguinte, foi a vez de James Freitas ser demitido da equipe de Aspirantes (foi substituído por Wesley Carvalho, atual técnico do Sub-20 do clube, trazido por Mattos). Neves deixou a agremiação no dia 24 de março, após dois meses.

Em uma entrevista à rede CATVE no dia 11 de abril, Petraglia admitiu os erros no planejamento. Sem amistosos ou jogos-treinos para o elenco principal, que se reapresentou na véspera do início do Paranaense e tinha como primeiro grande desafio os dois jogos da Recopa Sul-Americana (acabou com o vice após empate na Arena e derrota no Allianz Parque para o Palmeiras), ele defendia uma presença maior no Estadual.

“Temos por cultura não participarmos com o nosso time principal do Paranaense, acho que foi um erro nosso, nós deveríamos ter participado com o principal, mas são águas passadas. Não tem como voltar no tempo é olhar para frente. Já estamos vendo, a torcida que fique tranquila que logo teremos o novo técnico”, declarou, pouco antes do acerto com Fábio Carille.

Logo após a humilhante goleada para o The Strongest, por 5 a 0 em La Paz, Carille foi demitido por Petraglia, ainda na Bolívia. No dia seguinte, nesta quarta-feira (4), foi a vez de Yamada também ser desligado do clube. Assim, daquela coletiva acerca do novo departamento de futebol para a temporada, restou apenas Mattos, responsável hoje por o setor todo, reportando-se somente ao presidente athleticano.

Com investimentos de mais de R$ 60 milhões em reforços para a temporada 2022, o Athletico vai para o seu terceiro técnico em cinco meses e 31 partidas – três delas amistosas.

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