
Com a presença de representantes de 18 dos 20 clubes da Série A e alguns da Série B do Brasileirão, uma reunião realizada em um hotel de São Paulo deu mais um passo para a formação da nova liga brasileira de clubes, mas o Athletico lidera uma dissidência que não aderiu ao movimento após este primeiro encontro.
Representado pelo presidente Mário Celso Petraglia, o Furacão discordou da pauta da reunião e da condução dos debates, e por ora preferiu ficar de fora da criação da Libra, a liga que os clubes tentar oficializar para organizar o Campeonato Brasileiro a partir de 2025.
O encontro na capital paulista foi convocado por um bloco de equipes composto por Flamengo, Red Bull Bragantino, Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo. Eles estão alinhados e assinaram o documento de intenção para criação da nova liga com a Codajas Sports Kapital e o banco BTG Pactual.
Além dos seis clubes da Série A, assinaram o documento para a criação da Libra o Cruzeiro e a Ponte Preta, que hoje integram a Série B. Já Atlético-MG e Vasco demonstraram interesse, porém não oficializaram a sua adesão, de acordo com informações do UOL. Segundo o GloboEsporte.com, uma reunião com os 40 clubes das duas divisões acontecerá na próxima semana, na sede da CBF, no Rio de Janeiro.
“Querem ficar com tudo”
Aborrecido com o teor dos debates e a pauta da reunião, Petraglia não saiu satisfeito do encontro. De acordo com o cartola rubro-negro, as agremiações que integram o Forte Futebol (movimento que inclui Athletico e Coritiba) se sentiram traídas pelo tom da reunião e preferiram não se comprometer com o que foi apresentado.
“Para os nossos 14 clubes, não consideramos (que a liga está criada). Fomos surpreendidos com a pauta de reunião. A intenção seria uma conversa entre os clubes para ajustar. Aí vieram com os estatutos prontos e que os seis assinariam, e quem quisesse assinar também que ficasse à vontade. Eu nem estudei o estatuto”, declarou ao GloboEsporte.com.
Segundo o presidente do Furacão, a proposta para criação da Libra será levada ao Conselho Deliberativo rubro-negro, que avaliará todos os termos do que está sendo proposto. Ele adiantou, mais uma vez, que a principal discordância é financeira.
“O que nós queremos é dividir melhor, mais justo, e não o Flamengo ter 70 vezes o valor do Athletico em pay-per-view. Setenta vezes na mesma competição. Que joguem sozinhos. Que jogue Flamengo contra Corinthians, Corinthians contra Flamengo. Agora eles precisam dos outros 18 para fazer um produto que é o Campeonato Brasileiro. E querem ficar, como sempre, com tudo”, criticou.
Representando o Verdão, o presidente coxa-branca Juarez Moraes e Silva também acompanhou as conversas em São Paulo.
Tentativas do presente e do passado
Pela proposta defendida pelos clubes paulistas e o Flamengo, a divisão dos direitos de transmissão seria 40% dos valores fixos, com 30% variáveis por performance e 30% por audiência. Já os clubes do Forte Futebol querem uma partilha de 50%-25%-25%. A expectativa é que essa e outras arestas possam ser aparadas nas próximas semanas.
A criação de uma liga de clubes é discutida no Brasil há décadas. Algumas tentativas frustradas já foram tentadas, como o Clube dos 13 (1987-2011), e resultaram em dois Brasileiros que tiveram outros nomes – a Copa União, em 1987, e a Copa João Havelange, em 2000. Desde a gestão de Rogério Caboblo, anterior a do atual presidente Ednaldo Rodrigues, a CBF sinaliza com um possível apoio à nova liga, porém os clubes ainda buscam um acordo mútuo.