Petraglia admite vender até 100% do Athletico e projeta futuro ousado

Presidente do Furacão admitiu sondagem do Grupo City e falou sobre a SAF do Coritiba

Esporte Banda B

O presidente do Athletico, Mario Celso Petraglia, mesmo afastado para tratar questões de saúde, não se desligou totalmente do futebol. Formalmente licenciado do cargo, o dirigente segue trabalhando nos bastidores e, entre diversas tarefas, uma delas é assegurar a SAF do Furacão.

Em entrevista ao jornalista Rodrigo Capelo,do ge.globo, Petraglia abriu o jogo e explicou alguns dos motivos para que o Rubro-Negro ainda não tenha virado clube-empresa. No entanto, ele admitiu a necessidade de uma negociação se concretizar logo, uma vez que o clube já bateu no seu teto orçamentário, mesmo tendo conquistado resultados positivos no campo nos últimos anos.

Nós batemos no teto, eu diria. Chegamos no nosso limite. Nossa torcida é reduzida, um terço da torcida do Atlético-MG, do Cruzeiro, do Grêmio e do Internacional, que são clubes que maturaram na década de 70. O Athletico ficou pra trás. A maturação tem acontecido agora, no final do século, e leva 50, 60 anos para formar uma torcida. Ainda o Paraná é um fenômeno à parte, porque são três Paranás. O Paraná paranaense, o gaúcho e o paulista. Temos essa dificuldade ainda, mas estamos crescendo”, disse ele, ao ge.globo.

Hoje já somos a maior torcida do estado; quando chegamos, era o Corinthians. Mas é lenta e gradual. Agora nós precisamos desses recursos para investir mais e mais naquilo que é estratégico, e nós temos demonstrado, pela nossa condição de mercado, de vendas de atletas… Bruno Guimarães, agora o Vitor Roque, e vários outros. Nós vendemos dois dígitos de euros e construímos tudo isso com vendas de jogadores. Sacrificando, muitas vezes, a performance em campo, porque você vende teu craque e ele não joga mais pelo teu time”, acrescentou.

Meta do Athletico é ser o maior revelador do mundo

Aliás, há muitos anos o Athletico tem se destacado por investir nas categorias de base, lapidar um garoto e vendê-lo por um preço alto para o futebol europeu. Petraglia quer mais e tem um plano ousado:

O clube quer se tornar o maior formador de atletas do futebol do planeta, ou seja, queremos grande parte deste capital que deve entrar para destinar à formação de jovens. Trazer jovens da África, da Austrália, da América, da Europa, que seja, trazer para cá para formar. E outro aspecto da necessidade do capital é a manutenção do nosso atleta. O Guimarães quando chegou para mim: “ô, presidente, eu vou ganhar 800 mil euros por mês no primeiro ano, você não pode tirar essa oportunidade de mim”. O que eu vou dizer para ele? Vai à vida, meu filho, seja feliz. A vida do jogador é curta, e se você não fizer teu pé de meia, depois você vai ser o quê? Então nós queremos capital também para a manutenção desses atletas”, explicou.

Para isso, o Furacão se tornar SAF é fundamental. Tendo o aporte financeiro, o clube pode pagar mais por esses jovens e segurá-los por mais tempo, fortalecendo a equipe e, consequentemente, tendo mais condições de brigar por títulos nacionais e internacionais.

Nós queremos contratar jogadores jovens, com potencial, e mantê-los aqui. Queremos aumentar a escala da formação. É muito difícil, e hoje essa nova geração está muito complexa. Tudo de brinquinho, cabelo pintado, ou seja, imitando os que deram certo. Está uma dificuldade muito grande para formar esses meninos não só atletas, não só jogadores, mas também homens. O nível, o índice de formação, é um por mil. Eles já foram peneirados e peneirados, chegam ao CT e saem dois ou três por ano. Só não estamos correndo desesperadamente para fazer o primeiro negócio”, disse o dirigente.

Como anda a negociação da SAF? City procurou o Athletico

A onda das SAFs no Brasil começou no ano passado, mais especificamente com Botafogo e Cruzeiro. Depois, Vasco, Bahia e Coritiba viraram empresas. No entanto, antes disso o Athletico já olhava para este cenário no mercado. Mas Petraglia garante que o clube não está preocupado em quanto tempo vai levar para se remodelar, embora saiba que isso é crucial.

“Fizemos agora um roadshow nos Estados Unidos e não temos pressa. Queremos fazer o melhor projeto, pela infraestrutura que temos. O único clube que tem seu estádio pago, praticamente pago, porque só a venda dos naming rights garante a nossa parcela da dívida. A gente tem consciência que ganha sempre aquele que tem mais fluxo de caixa, porque tem mais condições de contratar atletas, comissão técnica, que enriquece a sua área técnica com valores de altíssimo nível. Não chegamos lá ainda“, afirmou ele.

Nós estamos à venda. Nossa posição era de que venderíamos só a parte minoritária, mas com o andar da carruagem, do mercado, se tiver uma oferta de um parceiro que realmente dê para casar… Porque é casamento, né? Futebol é complicado. Nós pensamos até na venda do controle acionário. Ele tem que estar envolvido nos novos projetos, o clube quer se tornar a nível sul-americano um dos top four, então tem que investir”, completou.

A mudança de ideia se deu pelo jeito que os outros clubes estão negociando. O objetivo inicial do Furacão era ter um sócio minoritário, mas agora se abriram vários caminhos, alguns cuidando de tudo, de toda a estrutura do clube, como estádio e CT, ou apenas do futebol em si.

“Nós contratamos o Bank of America para ser o nosso advisor no ano passado e a EY neste ano. Nosso projeto ficou realmente caro, comparativamente aos outros, dos endividados, que estavam vendendo pelo preço de um jogador de futebol. Esse pessoal na primeira onda veio muito mais para dar um calote nos credores. Nós conversamos, inclusive, com o senador Rodrigo Pacheco, autor da Lei da SAF, para dar alguns palpites da nova lei, e realmente sabia-se que ia ser isso que está acontecendo, mas não tinha outro caminho. Senão os clubes iam quebrar e quebraria a indústria do futebol brasileiro em pedaços”, contou o dirigente.

Petraglia ainda ressaltou que alguns grupos internacionais procuraram o Rubro-Negro. Entre eles, o City, do Manchester City, que acabou fechando um acordo com o Bahia.

O próprio Manchester City, o grupo, nos sondou, havia um interesse, mas como seríamos sempre o segundo clube, a gente nem conversou com eles. Nós somos pobrinhos, mas limpinhos”, brincou.

Petraglia fala da SAF do Coritiba

Até mesmo sobre o Coritiba o presidente do Athletico acabou falando. Questionado como o fato de o principal rival já ter virado SAF pode interferir nos planos do Furacão, Petraglia foi enfático:

Sempre atrapalha, né? Se o seu vizinho vende a casa dele por um troco, baliza o teu preço, né?”, respondeu.

No entanto, ele não quis falar muito sobre o projeto do Coxa, principalmente por admitir não conhecer muito sobre como foi feita a negociação. Mas alertou sobre o futuro do adversário a curto prazo.

“É uma incógnita. Ninguém sabe como é, como eles fizeram, é uma caixa-preta. Eles não deram satisfação para mercado, ninguém. Para nós, não afetou nada. Está tão distante atualmente, nós do Coritiba. Eles vão, se não tiver uma reação hercúlea no segundo turno, cair para a segunda divisão“, cutucou ele.

Petraglia falou sobre os bastidores do mercado do Furacão. Foto: Divulgação/Athletico
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