Dorival Júnior treina o Athletico desde janeiro. (Geraldo Bubniak/AGB)

O técnico Dorival Júnior foi contratado pelo Athletico com a missão de montar um novo elenco após diversas saídas, entre elas o volante Bruno Guimarães e o atacante Marcelo Cirino. Antes mesmo da estreia na temporada, ele ainda perdeu o zagueiro Léo Pereira e o atacante Rony, vendidos para Flamengo e Palmeiras, respectivamente.

Em entrevista exclusiva ao programa Balanço Esportivo, Dorival Júnior falou sobre o começo do trabalho, a confiança nos jovens e o planejamento para um possível retorno aos treinamentos nos próximos dias.

Confira a entrevista na íntegra

O que você pode passar para a torcida do Athletico sobre o planejamento para o retorno aos treinamentos?

É natural que temos alguma coisa preparada, mas não podemos falar porque nada seria com certeza absoluta. Nós não sabemos em que momento voltar. Além disso, após a volta, quando seria a primeira partida? Temos alguns protocolos já desenvolvidos e todos eles orientados pelos departamentos do clube para receber os atletas. É uma incógnita muito grande para saber como os atletas vão trabalhar e quando poderemos trabalhar em grupo. São várias situações bem indefinidas e pensamos em vários cenários, mas sem nenhuma definição exata pela incerteza. Estamos aguardando por uma definição e decisão pouco mais real do que está acontecendo principalmente em Brasília. A partir de Brasília com a liberação, o Governo do Paraná e o prefeito de Curitiba terão o poder da definição.

Ainda estamos no campo das possibilidade para o retorno aos treinamentos. Quanto seria benéfico essa volta, independente da dinâmica do trabalho?

Principalmente para nós que estamos em processo quase de reformulação completa da equipe e falei isso com o presidente. Seria importante ter os atletas em condições o quanto antes. Essas incertezas acabam liberando uma ansiedade natural pela volta, ao mesmo tempo que aguardando pelo retorno e autorizados a abrirmos as competições. Que competições teremos primeiro? A reta final do Paranaense ou já entraremos com o Brasileiro? Se começar o Brasileiro, a Libertadores será ao mesmo tempo? Gera uma incerteza muito grande e eu prefiro deixar que as coisas caminhem com uma maior naturalidade.

Como você encara esse momento da pandemia do novo coronavírus? E qual vai ser o seu trabalho com os jogadores?

É muito interessante isso. É uma pergunta que todos nós queremos tentar entender. Estamos há quase dois meses afastados e em nenhum momento tivemos essa condição. Desde atleta e agora como treinador, nunca passei por uma situação como essa. É um fato totalmente diferente e não saberemos como chegarão os jogadores. Eles são profissionais, estão preocupados, mas nunca será o ideal para o que precisamos para uma partida. Será que todos os jogadores estarão liberados para treinarem? Poderemos receber todo o grupo no mesmo processo? É tudo confuso ainda e aguardamos essa definição. As pessoas que definem isso terão que ter sensibilidade e responsabilidade. Para mim, o pico da pandemia no Brasil começa a partir de agora e vai pelos próximos 10 dias. Todo cuidado será pouco.

Diante do possível retorno aos trabalhos e o Paranaense voltando antes, seria interessante utilizar força máxima no mata-mata estadual?

Seria o ideal contar com a força máxima em razão de tudo que aconteceu. O Athletico fez uma primeira fase muito boa e apenas o último resultado não foi o esperado. Jovens valores aparecendo e o Athletico manteve a mesma proposta dos últimos anos. Alguns garotos aproveitaram a oportunidade dada e agora a questão é manter a postura dentro daquilo que será definido naturalmente por todos nós. É pensar seriamente nesses momentos finais do Paranaense que será o primeiro objetivo desta primeira etapa do nosso retorno.

Como está a situação de contratações? Tem a compreensão interna dentro do clube sobre essa dificuldade no atual momento?

Nunca me preocupei com as contratações e sempre procuro valorizar aqueles que estão no meu elenco. É natural que abordemos esses assuntos, mas tenho muita tranquilidade neste momento. Tudo que vir a acontecer será de bom grado, mas estou muito satisfeito com o grupo. Não tenho dúvidas que faremos uma equipe competitiva e vibrante em busca de resultados.

Você tem um percentual ideal de jovens para o elenco? O Athletico passa por reformulação, mas tem uma expectativa grande para repetir as conquistas.

Eu acho que temos que ser realistas e jogar limpo com o nosso torcedor que é quem merece a nossa consideração, respeito e carinho. Nós não temos mais a equipe vitoriosa dos anos anteriores. Na última partida, nós jogamos com três elementos dos anos de ouro – Thiago Heleno, Márcio Azevedo e Wellington apenas. Temos jogadores promissores, com qualidade, mas que ainda não fizeram cinco, seis, sete jogos com a camisa do Athletico. É um cuidado que precisamos ter. É natural que estejamos abertos ao mercado e a diretoria trabalhe em um ou outro nome.

O atleta consegue adquirir a melhor condição depois de 70, 80 jogos com a camisa do seu clube. A maioria dos garotos que saiu do clube tinha um número maior de jogos. A única preocupação que tenho é ter perdido jogadores e lançado esses jovens que ainda vão oscilar de uma maneira natural. Estamos trabalhando muito e faremos uma equipe competitiva. A equipe dos anos anteriores já se foi e temos que buscar uma equipe próxima ou igual.

Foram 16 saídas que tivemos, como Marco Ruben, Bruno Guimarães, Rony e Léo Pereira. O Renan Lodi também já tinha saído em uma etapa inicial. Se perceberem, dois deles – Camacho e Pedro Henrique – são titulares do Corinthians. Um jogador do Grêmio hoje é titular do Bragantino. Mesmo os jogadores que não vinham sendo aproveitados, estavam no elenco e conheciam o mecanismo de trabalho. O Bruno Guimarães é um jogador diferenciado e dificilmente teremos a reposição do mesmo nível.

O Athletico perdeu peças importantes no ataque. Como está a montagem do ataque? Tem a busca por um novo camisa 9?

Ainda temos a necessidade de encontrar mais nomes, mas não vou especificar posições. O Bisolli, com mais de cancha, de trabalho e jogos oficiais, vai ser uma grata surpresa. É um dos jogadores mais promissores que temos. Ainda temos alguns garotos como Christian, Erick e Pedrinho que também terão essa possibilidade [de jogar]. Esses jogadores têm apenas cinco, seis jogos com a camisa do time titular.

Você ainda está procurando por uma formação ideal para o time titular?

A equipe está crescendo a cada momento e quem vai me dar essa resposta são os jogadores. Você proporciona essa oportunidade e a resposta será dada por eles. Nós jogamos dois jogos difíceis na Libertadores e a equipe teve um ótimo comportamento para pouco tempo de trabalho e mudanças de formação. Eles me passaram mais coisas positivas e negativas. Tudo é questão de tempo, trabalho e dedicação.