Campanha do título do Athletico no Paranaense de 2005 teve um gol que não existiu. (Arquivo/Athletico)

O Athletico conquistou o título do Campeonato Paranaense de 2005, mas também foi protagonista do lance mais grotesco daquela edição. No dia 20 de fevereiro, ainda pela 8ª rodada, o Furacão empatou em casa em 2 a 2 com o Império do Futebol, na Arena da Baixada. Só que o gol de William, o do empate do time rubro-negro, foi confirmado de forma equivocada pelo árbitro José Francisco de Oliveira, conhecido como Cidão. O problema é que a bola foi para fora!

Aos 26 minutos do segundo tempo, quando foi o já extinto Império do Futebol vencia por 2 a 1, o zagueiro panamenho Baloy lançou Jorge Henrique pelo lado direito do ataque. O atacante cruzou na área e William mandou a bola para fora. O meia, que tinha entrado há pouco tempo, socou o gramado pela chance desperdiçada. O que ele não esperava é que a arbitragem tinha confirmado o gol.

“A bola foi cruzada no chão e dei um carrinho para alcançar a bola. Dei um bico na bola, pegou no ‘pé da trave’ e foi para fora. Não tinha visto porque eu rolei. Na hora que olhei, a bola pegou no ferro atrás da trave e achei que tinha ido para fora. Eu levantei rápido e estava voltando ao campo defensivo. Nisso, o Alan Bahia veio me abraçar e disse que foi gol. Achei que tinha ido para fora”, contou o ex-meia William Fabbro, hoje auxiliar do Joinville, em entrevista à Banda B.

O autor do gol que não foi admitiu que não se orgulha da história e teria conversado com o árbitro se tivesse mais maturidade na época. “Essa história é comentada por algumas pessoas, mas não ficou tão marcada. Não tenho muito orgulho dela para falar a verdade. Se tivesse a maturidade de hoje, naquela ocasião, eu teria falado com o árbitro que a bola não tinha entrado. Hoje eu teria uma outra postura”, comentou.

Já o árbitro da partida, que se envolveu meses depois em um caso de corrupção no futebol paranaense, disse que viu a bola dentro do gol. “A posição minha era ótima, estava com o jogo na mão e jamais vou esquecer do lance. Eu vi a bola dentro do gol. Virei as costas, o gandula jogou para o Talis [goleiro do Império do Futebol] e eu apontando para o centro do campo. Todo mundo viu o gol e depois me deram cassete quando viram na televisão”, relembrou.

Depois de tanta reclamação, Oliveira conversou com o assistente Rogério Luder. O ex-árbitro falou que o seu companheiro de arbitragem também garantiu que tinha sido gol. “Houve há fumaça, tem fogo. Eu fiquei meio preocupado e fui falar com o Luder. Ele me disse que poderia dar um gol que garantia”, falou.

O assistente da partida também se posicionou sobre o lance. “O sol estava muito forte no meu rosto, mas estava muito bem posicionado no lance e vi muito bem quando o William bateu na bola. Quando ele bateu na bola, parte da minha visão estava no lance em si e outra na rede lateral. Eu tive a impressão que a bola balançou a rede pelo lado, como se tivesse entrado por dentro. Quando fiz o movimento da cabeça para olhar, a bola já estava na parte de trás”, disse.

Alguns repórteres de rádio também viram a bola dentro do gol, mas não foi o caso de Osmar Antônio, setorista do Athletico na ocasião. “Foi uma das coisas mais bizarras que vi no futebol. A bola passou pouco distante e o árbitro, mal colocado, marcou o gol. Foi uma das coisas que me marcou bastante”, afirmou.