Até as pedras sabem que o estádio do Athletico mudará de nome na próxima segunda-feira (26). A reunião do Conselho Deliberativo vai oficializar a troca de Joaquim Américo Guimarães para Mário Celso Petraglia, homenageando o atual presidente do clube. É um fato raro no futebol brasileiro, mas com “jurisprudência”. E como o Conselhão foi eleito por aliados de Petraglia, dificilmente algo diferente da aprovação pode acontecer.

E a troca do nome oficial da Ligga Arena pode significar ao mesmo tempo o fim de uma era e o início de outra. Simbolicamente, dar o nome do estádio para Mário Celso Petraglia representa o encerramento do processo de transformação do Athletico. Saindo de um “clube de bairro”, termo usado pelo próprio presidente, para uma potência do futebol sul-americano, o Furacão daria como terminado este salto para começar outro.

É certo que em breve o Athletico vai se tornar SAF, terá um sócio (minoritário) ou um dono (majoritário). O projeto de estar entre os cinco maiores clubes da América do Sul, participante ativo não só na Libertadores mas também no Mundial, faz parte deste momento, já com SAF e com orçamento para bater de frente com Flamengo e Palmeiras. E o palco rubro-negro deste novo salto seria a homenagem ao, para muitos, maior personagem dos quase 100 anos do Furacão.

Reação da torcida do Athletico

A família de Joaquim Américo não aceitou a possibilidade de troca de nome e abriu um abaixo assinado para tentar evitar a alteração. O posicionamento é uma tentativa de sensibilizar os conselheiros do Athletico, que têm poder para alterar o estatuto, sem a necessidade de assembleia geral. Se dois terços dos presentes na reunião da próxima segunda-feira aprovarem a mudança para estádio Mário Celso Petraglia, internamente a discussão está encerrada.

Há, no entanto, uma mobilização de torcedores do Athletico nas redes sociais para que seja criada alguma nova homenagem. Há sugestões para que o Boulevard ganhe o nome do dirigente que conseguiu o terreno onde fica o estádio. Inclusive uma ‘corrente’ tenta fazer chegar ao CEO Alexandre Leitão a sugestão da criação de um museu na Ligga Arena que ganharia o nome de Joaquim Américo.

Outros casos

No maior rival do Athletico há um caso semelhante de troca de nome. Em 1977, o Coritiba trocou o nome do seu estádio de Belfort Duarte para Major Antônio do Couto Pereira, homenageando o presidente que iniciou as obras do Alto da Glória. Mas há diferenças: a alteração veio após a morte de Couto Pereira (em 1976) e Belfort Duarte não era um nome ligado ao clube, e sim um ex-jogador do América-RJ, notabilizado por nunca ter sido expulso.

O estádio brasileiro mais conhecido que homenageou uma pessoa viva foi o Rei Pelé, de Maceió, inaugurado em 1970 já com o nome do Atleta do Século. Em Brasília, os estádios públicos Valmir Campelo Bezerra (Bezerrão) e Maria de Lourdes Abadia (Abadião) tem nomes de políticos ainda vivos. Entretanto, uma lei federal impede – em tese, no caso – que pessoas vivas recebam nomes de equipamentos públicos.

Mário Celso Petraglia, presidente do Athletico.
Foto: José Tramontin/CAP

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Mudança de nome da Arena consolida “transformação” do Athletico

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