
Justiça no futebol não existe. Que o diga o Athletico, que ficou no empate em 1 a 1 com o Corinthians na noite desta quarta-feira (15), na Arena da Baixada, pelo Brasileirão. Embora tenha dominado toda a partida, o Furacão não conseguiu somar os três pontos em casa, porém evitou a derrota em um jogo nervoso.
Quase 27 mil torcedores acompanharam um confronto em que uma equipe buscou o gol, enquanto a outra foi premiada por uma bola parada, e no restante do tempo se resignou em se defender. Mas os athleticanos não podem reclamar. Com mais posse de bola, o time da casa errou muitos passes e teve uma jornada com pés descalibrados.
No segundo tempo, os ânimos se acirraram, substituições mudaram o panorama da partida, e tanto insistir, o Furacão acabou encontrando o empate do mesmo jeito em que o Timão marcou o seu gol no primeiro tempo: na bola parada. Na etapa inicial, gol de falta para os visitantes. Na etapa final, gol de pênalti para os rubro-negros.
Com o empate, o Athletico chegou aos 18 pontos em 12 compromissos e é o quarto colocado. Na próxima rodada, neste domingo (17), o Furacão faz o clássico com o Coritiba, às 16h, no Estádio Couto Pereira. Já o Corinthians, que segue vice-líder com 22 tentos, recebe o Goiás no mesmo dia e horário.
Guedes “acerta a coruja” no primeiro tempo
Quatro escanteios em um minuto e 40 segundos de bola rolando? Foi isso que aconteceu na Arena da Baixada tão logo a bola começou a rolar. O Furacão partiu para cima do Timão, impulsionado pela sua torcida, mas rondar o gol de Cássio não se traduziu em gol. Porém, parecia ser um bom sinal. Aos três minutos, Pablo arrematou e quase abriu o placar.
Bem, tudo corria bem até os quatro minutos. Em cobrança de falta, Róger Guedes mostrou um pé calibrado e mandou no ângulo do goleiro Bento. Lá mesmo onde “dorme a coruja”, como diria os mais antigos no mundo da bola. Era a primeira pontada dos visitantes, e a bola foi para o fundo das redes athleticanas.
Mesmo em desvantagem, o Rubro-Negro não tirou o pé e seguiu com mais posse de bola no Joaquim Américo. O problema, contudo, foram os muitos passes errados e o pé descalibrado daqueles que tiveram chances de empatar a partida na etapa inicial. Foi o caso de Cuello, em dois lances, e de Terans, em outra chegada puxada por Hugo Moura.
Fora de campo, a torcida corintiana desafiava a polícia e os seguranças do Athletico, colocando as suas faixas, contrariando a medida adotada pelo clube 24 horas, que proíbe a exibição de qualquer adereço relacionado às organizadas no reduto rubro-negro. Voltando ao gramado, o diretor técnico Luiz Felipe Scolari pedia calma, orientava individualmente alguns atletas, mas nada de gol.
É comum ouvir que “não existe Justiça no futebol”. Pelo que se viu nos 45 minutos iniciais no Joaquim Américo, tal retórica era mais do que verdadeira. E fazia jus ao Timão, que já havia vencido anteriormente algumas partidas no Brasileirão sem jogar bem.
Pressão rubro-negra
Com Léo Cittadini no lugar de Matheus Fernandes, Felipão esperava melhorar o passe do Athletico do meio para frente, sem perder o poder de marcação. Entretanto, a medida não deu sinal de melhora nos primeiros dez minutos da etapa complementar. O Corinthians também havia mexido, com a saída do apagado Adson para entrada do lateral português Rafael Ramos.
A única chegada inicial do Furacão foi aos seis minutos, quando Terans tentou mais um arremate, e outra vez a bola foi para fora. Bem postado na defesa, o Alvinegro do Parque São Jorge claramente demonstrava estar disposto a suportar a pressão e procurar os contra-ataques em velocidade. A questão seria se o Rubro-Negro conseguiria furar a retranca.
Machucado, Pablo foi substituído aos dez minutos por Vitor Roque, enquanto Cuello deu lugar a Vitinho. E a dupla, aos 16 minutos, acertou o poste de Cássio em duas ocasiões. E no mesmo lance. A bola, aparentemente, insistia em não entrar. Tentando equilibrar o confronto, o técnico Vitor Pereira promoveu as entradas de Renato Augusto e Roni nos lugares de Cantillo e Giuliano.
Os ânimos mais exaltados geraram duas expulsões aos 25 minutos, quando uma confusão resultou em cartões vermelhos para Hugo Moura, do Athletico, e Roni, do Corinthians. Com dez para cada lado, claramente o time paulista procurava manter a vantagem, procurando amarrar o jogo e deixar o tempo passar.
O nervosismo era tanto em campo que, nas arquibancadas, um princípio de briga entre athleticanos foi registrado. Embora sem maiores incidentes, deu bem o tom do ânimo da torcida nos minutos finais de partida. Voltando ao gramado, os comandados de Scolari não desistiram e, aos 35 minutos, Vitor Roque foi derrubado na área.
Após consultar o VAR, o árbitro Leandro Vuaden confirmou a penalidade máxima e, na cobrança, Terans marcou o seu nono gol na temporada, se consolidando como artilheiro do time na temporada. Se já amarrava o confronto antes do gol rubro-negro, o Alvinegro paulista se agarrou ao empate e o Furacão, sem mais tempo, não conseguiu ameaçar a meta de Cássio.
O jejum de quatro anos sem vitórias contra o Corinthians não caiu, mas a invencibilidade do Furacão em casa na era Felipão permanece.