O Athletico esperou quase um dia para anunciar oficialmente o que a imprensa já falava desde o domingo (7). No início da tarde desta segunda-feira (8), o clube emitiu nota oficial confirmando a saída do CEO Alexandre Leitão. Foram exatos seis meses de trabalho, entre 8 de janeiro e 8 de julho. O dirigente deixa o Furacão depois de dois pontos fatais em uma convivência com o presidente Mário Celso Petraglia: assumir protagonismo e entrar em atrito. Exatamente nesta ordem.

Anunciado como um nome que mudaria o perfil de gestão do Athletico, Alexandre Leitão foi exaltado pelo clube no dia da sua oficialização como uma pessoa que “desempenhará essa função de extrema importância para o futuro do Furacão”. Como de praxe, o CEO não deixou de elogiar o presidente. “Sempre admirei pela sua gestão responsável e profissional. Agradeço ao presidente Mario Celso Petraglia pela confiança“, afirmou nas redes sociais.

E Alexandre Leitão teve um início arrasa-quarteirão. Falou sobre o aumento da presença da torcida, badalou o ano do centenário, lançou uma promoção de ingressos (que fez o Athletico ter, até agora, a melhor média de público de sua história no Brasileirão), trouxe um novo diretor de comunicação, começou a frequentar o boulevard da Ligga Arena e ficou, digamos assim, “pop”. Teve até pesquisa sobre o sanduíche a ser vendido no estádio. E quem conhece os quase 30 anos da Era Petraglia sabe que o presidente não aceita nenhum outro protagonista.

Asas cortadas

O processo de fritura de Alexandre Leitão no Athletico começou com o anúncio da pintura de um setor da Ligga Arena em vermelho – um pedido antigo dos torcedores. A medida foi anunciada no dia 18 de março, e no dia seguinte uma nota oficial anunciava a suspensão da obra. “O resultado não ficou como o esperado e o clube está estudando novos formatos para comemoração do centenário”. A ação do CEO era barrada por Petraglia, que defende com veemência o estádio (que agora tem seu nome) em cor neutra para ser utilizado em shows e eventos.

Daquele momento em diante, Alexandre Leitão submergiu. O protagonismo assumido em pouco mais de dois meses seria trocado por um afastamento dos holofotes e uma rápida saída de cena. “Doutrinado”, ele seguiria mais quatro meses no Athletico, até que veio o atrito com Mário Celso Petraglia. Uma história que soa surpreendente, mesmo tendo vindo do dirigente que lida com o clube com mão de ferro.

Petraglia x Leitão

Durante a semana passada, já houve um ruído. Diogo Kotscho, experiente jornalista paulista contratado para ser o diretor de comunicação do Athletico, postou nas redes sociais uma crítica à seleção brasileira. Até aí, nada de mais. Mas ele disse que a atual equipe não era a pior da história. “Eu vi a seleção com Leomar de camisa 10”, escreveu. A citação a um jogador com histórico no Furacão, duas passagens pelo clube e reconhecido pela torcida pegou muito mal. A reação levou Kotscho a deletar sua conta no X (antigo Twitter).

Neste final de semana, o problema que levou à demissão. Segundo a jornalista Nadja Mauad, Alexandre Leitão não foi com a delegação do Athletico para Goiânia, onde o time venceu o Atlético-GO neste domingo por 2×1, para ficar com a filha, que passaria por um procedimento cirúrgico. Mário Celso Petraglia teria se irritado com a ausência dele na viagem e cobrou o CEO com virulência. A atitude decepcionou Leitão, que decidiu deixar o Furacão.

Fato recorrente no Athletico

A nota oficial do Athletico divulgada nesta segunda é lacônica: “O Athletico Paranaense informa que, em comum acordo entre as partes, o CEO Alexandre Leitão deixou o clube na manhã desta segunda-feira (8). O clube agradece Alexandre Leitão pelo seu tempo no Athletico e deseja ao executivo sucesso na sua carreira“. Isto é tudo. Em postagem na rede social, Leitão deixou “por coincidência” de citar a diretoria em seu agradecimento. “Obrigado de coração a todos os meus colegas, jogadores, comissão técnica e a apaixonada torcida do Furacão. (…) Foi um honra servir como CEO por esses 6 meses. Grande abraço”.

Inevitável não relacionar a saída de Leitão com outros personagens que assumiram protagonismo no Athletico na Era Petraglia. Pessoas como o presidente campeão brasileiro Marcus Coelho, os técnicos Geninho e Tiago Nunes e o ex-jogador Paulo Baier. No final todos tiveram divergências sérias com o presidente do Athletico – alguns sendo fortemente criticados em suas saídas, em especial Tiago Nunes. Para o cargo de CEO, o principal rumor é que Ana Paula Keinert Petraglia, filha do cartola, seria a escolhida.

Mário Celso Petraglia, presidente do Athletico.
No jogo com o Corinthians, Mário Celso Petraglia acompanha o jogo com Alexandre Leitão na cadeira à sua frente. Foto: Geraldo Bubniak/AGB

Comunicar erro

Comunique a redação sobre erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página.

Athletico anuncia queda de Alexandre Leitão; CEO entrou em atrito com Petraglia

OBS: o título e link da página são enviados diretamente para a nossa equipe.