“O dia que a torcida me xingar, eu vou deixar de ser atleticano, então não vou treinar o Athletico”. A frase é de Cuca, técnico demissionário do Furacão, em entrevista a Luiz Carlos Martins. Esta conversa aconteceu no dia 22 de dezembro de 2021, logo após o treinador conquistar a Copa do Brasil na Ligga Arena com o Atlético-MG. Dois anos e meio depois, Cuca está no Rubro-Negro e foi cobrado pela primeira vez pelos torcedores após o empate em 1×1 com o Corinthians. E pediu para deixar o clube.

A atitude de Cuca caiu como uma bomba no Athletico, que ainda estava assimilando o terceiro empate sofrido nos acréscimos. O técnico chegou ao vestiário da Baixada e disse aos jogadores que estava deixando o cargo à disposição. Na entrevista coletiva, deu duas indiretas até admitir claramente que pretende deixar o Furacão. No meio da confusão entre torcedores organizados e dirigentes, na chamada ‘zona mista’, ele foi chamado pelos torcedores para conversar, mas não aceitou fazendo o sinal de quem está indo embora.

No meio disso tudo, outra bomba – o Cruzeiro estaria pensando em sua contratação. Em contatos com a imprensa, tanto o clube mineiro quanto Cuca negaram veementemente esta informação, mas essa sequência de fatos incomodou o comando do Athletico. Responsável por bancar a contratação do treinador mesmo com forte repercussão contrária, o presidente Mário Celso Petraglia não estava preparado para tudo que aconteceu na tarde de domingo (23). Uma reunião de emergência foi convocada.

Athletico ainda quer conversar

Apesar de defender Cuca, Petraglia não gostou da postura do técnico no episódio. Eles conversam bastante, e estavam ajustando os ponteiros para a janela internacional de transferências, que será aberta em julho. Na coletiva deste domingo, o técnico reforçou que o Furacão precisa de contratações. “O nosso time é muito bom, mas o elenco ainda não”, admitiu. “Mas quem sabe uma mudança de técnico pode dar um gás e fazer o Athletico disputar um título até o final da temporada”, afirmou o treinador.

O fato de nenhuma decisão ter sido anunciada pela diretoria do Athletico reforça a informação de que ainda haverá uma reunião definitiva entre Cuca e Mário Celso Petraglia. O presidente quer esta conversa. Não se pode descartar um reatamento, mas é certo que nenhuma loucura será feita para mantê-lo depois de tudo que aconteceu no domingo. Petraglia se sentiu traído. Os gritos de “vergonha” da torcida decepcionaram o treinador rubro-negro. E talvez ele tenha recordado o que disse em 2021 para Luiz Carlos Martins.

Mário Celso Petraglia, presidente do Athletico.
Mário Celso Petraglia irritado e ladeado (em ordem anti-horária) pelo vice José Lucio Glomb, pelo CEO Alexandre Leitão e pelo presidente do conselho deliberativo, Aguinaldo Coelho de Farias. Foto: Geraldo Bubniak/AGB

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Athletico: Petraglia não gostou da postura de Cuca ao pedir demissão; confira os bastidores da crise

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