Por Pedro Melo
A grande meta do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) é ficar entre os dez primeiros colocados no quadro de medalhas dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro no ano que vem e para isso, 27 atletas precisarão subir ao pódio. Uma das esperanças vem de Curitiba e é o nadador Henrique Rodrigues, que recentemente ganhou duas medalhas de ouro no Pan-Americano de Toronto.
Henrique Rodrigues ficou de fora das piscinas por seis meses no ano passado por conta de uma cirurgia no ombro, mas no retorno ficou em primeiro no Sul-Americano, conseguiu o seu melhor índice na prova dos 200 medley no Mundial de piscina curta, em Doha, e em 2015, começou muito bem com a conquista da medalha de ouro no Pan-Americano na prova em que é especialista, com direito a recorde pan-americano com 1m57s06, e no 4×200 medley.
O semestre em que não pôde nadar serviu para o curitibano querer melhorar ainda mais o seu desempenho e ele comemorou o resultado obtido em Toronto. “A cirurgia tem dois pontos, o lado bom e o lado ruim. O bom é que desafia a gente a querer mais, o ruim são as incertezas que aparecem. Cheguei em Toronto em uma forma boa e pronto pra nadar rápido. Muito treino e foco ajudaram no resultado positivo”, declarou.
Já na próxima semana, Henrique Rodrigues participará do Mundial de Esportes Aquáticos, que acontecerá em Kazan, na Rússia, e o brasileiro ressaltou que o resultado será muito importante por ser o primeiro Mundial de piscina longa depois da cirurgia. “O mundial vai ser um marco importante, pois vai ser o primeiro mundial de piscina longa depois da minha cirurgia. Então, se sair bem aqui vai ser muito importante”, disse.
No ano que vem, o nadador terá a missão de conquistar uma medalha na Olimpíada no Rio de Janeiro e afirmou que os japoneses Daiya Seto, Kosuke Hagino, o americano Ryan Lochte e o brasileiro Thiago Pereira serão os seus principais adversários. “Por ser em casa, estar nadando numa piscina nova no Brasil e com o apoio da torcida, vai ser muito legal. Pensar em pódio não está distante e com mais tempo de treino e um preparo voltado exclusivamente pra lá vai me garantir a tão sonhada medalha”, destacou.
Rotina de treinamentos
Justamente pensando em uma inédita conquista olímpica, Henrique Rodrigues estabeleceu uma nova rotina de treinamentos e explicou como funciona. “Desde que comecei a treinar pesado visando essa medalha em 2016, treinos de segunda a sábado, sendo 11 treinos na água por semana além de 4x preparo físico na semana”, falou.
Continência no Pan
A grande polêmica no Pan-Americano foi a continência de vários atletas brasileiros no momento em que estavam no pódio e Henrique Rodrigues revelou que a única recomendação durante a execução do hino é se manter em posição de sentido. “Os melhores nadadores do Brasil foram convocados pelas forças (exército e marinha) para integrarem seus times de elite! Não é apenas a natação mas também tem vários outros esportes, como vôlei, basquete, judô, atletismo, e alguns outros. A recomendação é pra se manter em posição de sentido, prestamos a continência porque é a maior reverência que podemos fazer em significado de respeito e amor à pátria”, comentou.
Novos curitibanos no esporte
Curitiba teve 12 representantes em Toronto e Henrique Rodrigues foi o único que conquistou a medalha de ouro. Principal representante da cidade na competição, o nadador explicou que recebe apoio do governo municipal através da Lei de incentivo da prefeitura de Curitiba, mas que ainda falta apoio para que o trabalho seja amadurecido. “Curitiba ainda precisa evoluir muito em relação ao apoio ao esporte, mas se queremos mais medalhas e títulos pro nosso Paraná, precisamos de mais investimentos e de suporte. Talentos podem ser revelados a qualquer momento, mas precisam ser lapidados e ser motivados a continuar querendo seguir no esporte. A grande maioria para pelo fato que, o esporte só é remunerado após você se tornar profissional, antes disso só a família da apoio e como vivemos num país onde sobreviver é um desafio diário, as crianças e adolescentes largam o esporte e vão apenas estudar, não conseguem conciliar o esporte e a escola pelo fato que o esporte toma tempo e muitas vezes não dá futuro. Então o investimento precisa ser maior e melhor para que, esses talentos não se percam ‘ao vento'”, finalizou.
