Por Pedro Melo 

Cássio Rippel conquistou o ouro no Pan de Toronto. (Reprodução)Cássio Rippel conquistou o ouro no Pan de Toronto. (Reprodução)

Em muitas modalidades o Brasil não levou força máxima para os Jogos Pan-Americanos, mas no tiro esportivo a história diferente e o paranaense Cássio Rippel não decepcionou. Um dos melhores do mundo na modalidade, o atirador conquistou a medalha de ouro em Toronto e agora projeta subir ao pódio na Olimpíada do Rio de Janeiro no ano que vem.

No Pan, Cássio Rippel levou o ouro na prova da carabina 50 metros deitado, derrotou o americano Michael McPhail, número um do ranking mundial,  vencedor das últimas duas Copas do Mundo e que ficou com a prata, e ainda bateu o recorde Pan-Americano com 207,7 pontos. Além disso, a vitória também rendeu a classificação para os Jogos Olímpicos.

Apesar de ter conquistado grandes resultados na Copa do Mundo e nos Sul-Americanos, o brasileiro destacou que a conquista em Toronto foi a maior de sua carreira. “Essa vitória no Pan foi algo muito especial, principalmente pela maneira que aconteceu: recorde Pan-Americano da prova e da final e Quota Place [classificação] para os Jogos Olímpicos do Rio 2016. E ela fica mais importante pela presença do número 1 do ranking mundial, Michael McPhail que já tinha uma medalha de ouro e uma de prata em Pan-Americanos anteriores e foi campeão das últimas duas Copas do Mundo (dos EUA e da Alemanha) desse ano. Ele realmente está em uma fase muito boa o que exigiu que minha performance fosse muito boa”, afirmou.

O próximo passo do atirador é justamente a disputa das Olimpíadas em 2016 e ele acredita que chegará no Rio de Janeiro nas melhores condições para ganhar uma medalha olímpica. “Nossa expectativa é continuar o bom trabalho que estamos realizando há alguns anos. Sem dúvida nenhuma teremos muitos outros atletas em excelentes condições e que estão se preparando muito bem também, mas o tiro esportivo tem uma particularidade muito importante, temos uma luta constante contra nós mesmos, para melhorar e ter uma excelente performance, superar nossos próprios limites e não objetivamos “derrotar” os adversários mas sim ter o nosso melhor resultado, de maneira consistente e consciente, e isso pode nos colocar no lugar mais alto do pódio. E pode ter certeza que pretendemos chegar em muito boas condições de competir pela medalha nos Jogos Olímpicos”, destacou.

Para as competições, Rippel treina seis horas em cinco dias da semana, além de treinos físicos, técnicos e táticos, fisioterapia, acupuntura, meditação e Ioga. Mesmo treinando em condições iguais aos melhores do mundo, o paranaense lamentou não treinar no Centro Nacional de Tiro Esportivo, onde serão realizadas as provas da Olimpíada. “Treino em um alvo eletrônico nas mesmas condições de qualquer estande de tiro do Mundo. Hoje, sem dúvida, como dificuldade posso citar que o fato do Centro Nacional de Tiro Esportivo (CNTE), no Rio de Janeiro, estar fechado para as reformas dos Jogos tem dificultado muito, pois seria ideal treinar no local da Olimpíada desde já e se ambientar com o estande da prova é a única vantagem real que teremos sobre os demais competidores e isso não pode ser efetivado haja vista o Estande estar fechado”, disse.

Apoio

Cássio Rippel é um dos atletas brasileiros que recebe o Bolsa Pódio, que apoia atletas com boas chances de medalha nos Jogos Olímpicos, e explicou como funciona o programa. “Esse apoio foi estabelecido pelo Ministério do Esporte como parte integrante do Plano Brasil Medalhas 2016, que visa contemplar os atletas brasileiros que estiverem entre os 20 primeiros do ranking mundial e tiverem chances reais de obter medalhas nos Jogos Olímpicos do Rio 2016. Infelizmente, o Pan não conta pontos para o ranking mundial, pois não temos a participação de todos os atiradores do mundo, somente das Américas. O ranking mundial é estabelecido com base nos resultados de Copas do Mundo, Campeonatos Mundiais e Olimpíadas, estando entre os 20 primeiros desses eventos pontuamos”, contou.

Polêmica no Pan

Um dos assuntos mais discutidos e que geraram polêmica em Toronto foi a continência de atletas militares – 123 brasileiros no total – quando subiam ao pódio. Há mais de 20 anos no Exército, o atirador é Major e prestou continência, mas negou que recebeu alguma orientação. A continência é a saudação dos militares, está prevista pelo regulamento de Continências, Honras e Sinais de Respeito e a bandeira é um dos símbolos máximos de nossa pátria. Sou militar desde 1995, formado na Academia Militar das Agulhas Negras, estou no Exército Brasileiro há mais de 20 anos e ao hastear a Bandeira e ouvir o Hino Nacional presto continência como sinal de respeito e reverência ao Brasil que com tanto amor represento”, declarou.

Orgulho Paranaense

Nascido em Ponta Grossa, Rippel recebeu o Prêmio Orgulho Paranaenses nos dois últimos anos e ele comemorou o fato de ser reconhecido pelos torcedores paranaenses. “Eu sou militar da ativa e precisamos ter uma vivência nacional muito grande para conhecermos todo o Brasil e hoje estou servindo em Campinas/SP. Mas nasci em Ponta Grossa e sou atleta da Federação Paranaense de Tiro Esportivo (FPrTE), representando nosso estado em todas as competições. O Paraná e Ponta Grossa representam a minha nascente e tenho um reconhecimento enorme de todos, fui agraciado com o Prêmio Orgulho Paranaense por dois anos consecutivos, 2013 e 2014, com um número recorde de votos. Isso pra mim é muito gratificante, saber que posso sempre representar muito bem nosso estado e encher de orgulho os paranaenses”, finalizou.