(Roland Garros)
Três vezes campeão em Roland Garros, Gustavo Kuerten fez uma previsão do que seria enfrentar o espanhol Rafael Nadal, que conquistou no domingo a 13ª taça no Grand Slam parisiense, com um desempenho espetacular apesar dos 34 anos de idade.

“Se a perninha tivesse aguentado uns aninhos a mais, talvez até 2006, seria um embate sensacional, porque eu jogaria um tênis que eu não alcancei, eu iria melhorar muito nos anos seguintes. Eu ia entrar em quadra para fazer tudo”, disse Guga, em entrevista ao ex-tenista Flávio Saretta, durante uma Live na noite de quarta-feira.

“Ele (Nadal) é tão genial que tinha que ser cada bola em seu momento, encaixado para a ocasião certa, bolas altas, ser preciso na definição e ainda variar com drop-shot, guardando o saque curinga para a hora H”, revelou o maior tenista brasileiro de todos os tempos, campeão em Roland Garros nos anos de 1997, 2000 e 2001.

Profissional de 1995 a 2008, Guga rasgou elogios ao espanhol, que bateu na final o sérvio Novak Djokovic, por 3 sets a 0, com direito a 6/0 no primeiro set. “Fantástico, cada vez mais admirável, além do impossível. Parece que vem aí o 14º título e ele tem boa chance de conseguir o 15º”, disse o ex-tenista, que parou de jogar aos 31 anos. “Ele ganha jogando de qualquer forma, principalmente na reta final. Isso minimiza a forma como ele chega no torneio, ele cresce muito nas últimas rodadas.”

Guga também destacou o poder mental de Nadal, o que garante uma regularidade muito grande nos jogos. “Nadal parte de um princípio básico que é como os gênios fazem, ele simplifica o processo com base na trilogia: eu quero, eu posso, eu faço. Se ele joga o Rio Open hoje, a mente já está pensando em Roland Garros. Mas, ganhar 13 vezes vai além do mental, vai em linhas que no momento em que a gente jogava a gente não conhecia.”

Guga também comentou o desempenho de Djokovic, Federer e Nadal, apesar do trio já ter passado dos 30 anos, a exemplo do que é feito por LeBron James no basquete. “Esses caras abriram uma distância muito grande e estão jogando cada vez melhor nos últimos 15 anos. Ano que vem o Nadal vai jogar melhor em Roland Garros do que jogou este ano. Vai continuar assim até haver uma ruptura.”